A edição de 2026 do Tahiti Pro está a ser muito rica em histórias inspiradoras, que vão muito para além do surf e da competição em si.
Temos assistido a performances que demonstram que não há idade para obter sucesso.
Por um lado, temos Kelly Slater de 54 anos a dar show nos tubos de Teahupoo, por outro temos uma menina recém-acabada de completar 14 aninhos a fazer história na arena onde tem sido educada em termos surfísticos. Dada a precocidade, o leitor talvez pense de imediato no fenómeno Tya Zebrowski, mas não é o caso.
Escreve-se sobre a grom local Kelia Gallina, que provocou a maior surpresa da ronda inaugural feminina do Tahiti Pro.
Um dia após celebrar o 14.º aniversário, que pelo segundo ano consecutivo coincidiu com a participação no CT de Teahupoo, a bicampeã dos trials espantou o mundo do surf.
No último heat da jornada exclusivamente feminina, a taitiana Kelia Gallina mandou para casa a antiga bicampeã mundial Tyler Wright. Valeu bem a pena esperar o dia todo pela chamada ao lineup. Foi o seu primeiro triunfo em baterias do CT. Que momento!
Kelia Gallina sorriu em Teahupoo.
WSL/Matt Dunbar
O mar estava desafiante para a pequena Kelia, mas esta não se fez de rogada. Em 40 minutos de duelo com a consagrada Tyler Wright, encontrou forma de mostrar aos olhos do surf mundial a sua valia.
Curiosamente, a trintona Tyler também deu nas vistas quando era uma grom. Aos 14 anos, a mana de Mikey e Owen Wright venceu um evento (Beachley Classic) do circuito mundial, sendo a mais nova da história a fazê-lo. Um recorde estabelecido em 2008 e perdura até aos dias de hoje.
“Não achava que ia conseguir passar um heat, pelo que estou muito feliz por ter conseguido”, afirmou a surfista que já tinha feito história no último Tahiti Pro ao tornar-se na mais jovem de sempre a participar numa etapa do CT, então com… 12 anos.
“Nunca tinha surfado com Teahupoo tão grande. Todos dizem-me que o mar estava maior nos trials, mas juro que não estava. Estas ondas eram bem maiores”, explicou a surfista que inesperadamente salvou a honra taitiana na prova feminina, uma vez que as conterrâneas Tya Zebrowski e Vahine Fierro perderam de primeira.
Para Kelia, houve glória, mas também dor. “Levei com uma onda bastante grande na cabeça. Nunca tinha sido atingida por uma onda assim. Quase que fiquei atordoada. Não sabia que o fazer”, contou.
Chegada aos oitavos-de-final, a ‘Miss Teahupoo’ (assim é o seu nome na rede social Instagram) tem como próxima adversária uma surfista que também já obteve sucesso na famosa bancada taitiana, nomeadamente com a conquista do ouro olímpico. Falamos da norte-americana Caroline Marks, campeão do mundo em 2023.
Aconteça o que acontecer, estamos já perante uma das grandes vencedoras deste memorável Tahiti Pro. Um campeonato que nunca desilude. De Kelly a Kelia, como é bonita a vida.
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