É um feito absolutamente extraordinário, algo que só está alcance dos predestinados, nomes talhados para grandes feitos.
Aos 19 anos, no espaço de um mês, a incrível canadiana Erin Brooks cometeu a proeza de vencer três etapas consecutivas no circuito mundial de surf. Sensacional!
A conquista do Trestles Pro, na última sexta-feira, protagoniza um 'hat trick' para a história, que faz Brooks sentar-se a uma mesa onde só estão mais duas surfistas.
No setor feminino do CT, esta brutal façanha já não era vista desde que Carissa Moore - surfista que Brooks derrotou nos 'quartos' - tinha ganho as duas últimas etapas de 2014 e a etapa inicial de 2015. A inevitável Stephanie Gilmore, a mais laureada surfista da história, também logrou o mesmo em 2008.
Erin Brooks vai numa descomunal sequência de 13 vitórias consecutivas (!) em baterias, o que é uma enormidade dado a alta competitividade que existe na elite mundial feminina. Com a vitória em Trestles, Erin também mostra que é capaz de ganhar etapas do CT sem tubos, depois de recentemente ter limpo com toda a classe a perna tubular do Pacífico Sul, composta pelo Tahiti Pro e o Fiji Pro, o que permitiu completar a denominada 'Diamond Double'.
Brooks impõe-se em ondas de consequência, nas quais mostra toda a sua coragem nos tubos pesados, e depois em ondas de alta performance, como é o caso de Trestles.
E assim, com 30 mil pontos amealhados de enfiada, Erin Brooks relança-se na corrida ao título mundial, o que há um mês parecia impensável. Nem nos seus melhores sonhos. "É insano", confidencia.
A goofy canadiana subiu ao quinto posto da hierarquia, estando a 4865 pontos da nova líder. Essa é a havaiana Gabriela Bryan, a surfista que Erin Brooks abateu na final, com 13,00 pts somados perante os 11,90 pts da natural do Kauai.
O percurso da competidora de 19 anos no dia das finais foi soberbo. Desta vez, surfou o heat decisivo, algo que não aconteceu em Cloudbreak devido a lesão da outra finalista, a australiana e amiga Isabella Nichols. Erin começou por bater a campeoníssima Carissa Moore, que era licra amarela, seguiu-se a vitória diante da campeã mundial Molly Picklum, que continua sem vencer em 2026, desembocando no já mencionado sucesso diante de Gabriela Bryan.
Relembrando que no dia anterior, a 'Rookie do Ano' em 2025 esteve completamente encostada às cordas na contenda com a campeã olímpica Caroline Marks, onde se superiorizou com uma onda sobre o toque da buzina. Após esse emotivo heat, a surfista e comentadora australiana da WSL, Jesse Starling, falou sobre o quão incrível seria se Erin Brooks arrecadasse novo campeonato. E não é que aconteceu mesmo!
Nas seis primeiras etapas, apenas tinha adjudicado duas baterias, uma das quais à portuguesa Yolanda Hopkins no New Zealand Pro. A permanência na elite mundial até já começava a ficar envolta de pontos de interrogação. Tudo mudou de forma radical. "A primeira parte da temporada foi frustrante, mas isso faz tudo isto valer a pena. Tive muitas baterias difíceis e só me fez trabalhar ainda mais. Cheguei a este ponto e agora quero continuar."
O conto de fadas tem novo episódio marcado para a Praia de Supertubos, palco da próximo etapa do CT'2026, o MEO Rip Curl Pro Portugal, de 16 a 25 de outubro.
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