Este sábado, o brasileiro Miguel Pupo e a havaiana Gabriela Bryan arrecadaram o Rip Curl Pro Bells Beach, a prova que abriu a temporada de 2026 do CT.
Dois surfistas de diferentes gerações tocaram o sino mais famoso do surf mundial pela primeira vez.
Tivemos de aguardar até ao derradeiro dia do período de espera para conhecermos os vencedores da 63.ª edição da histórica prova 'aussie'. Dividida pelo Bells Bowl e por Winkipop (palco das finais) como é hábito, a mais antiga etapa do CT foi uma verdadeira maratona. Um teste à resistência dos melhores surfistas do globo. Disputou-se com condições difíceis, sobretudo na fase inicial devido ao vento onshore, e ficou marcada no setor masculino pelo domínio brasileiro em ondas australianas.
A primeira final monopolizada por surfistas do país irmão naquelas paragens teve dois goofys (o experiente Miguel Pupo e o campeão mundial Yago Dora) como protagonistas. E ainda tivemos um outro goofy brasileiro a brilhar. Gabriel Medina alcançou o terceiro posto no regresso à elite mundial, depois de um ano afastado devido a lesão. Surfar de backside em direitas também rende.
O sucesso de Gabriela Bryan, 'carrasco' da rookie portuguesa Francisca Veselko, não surpreende. É uma das grandes candidatas ao título mundial. Todavia, o mesmo já não se poderá dizer do sensacional triunfo obtido por Miguel Pupo, que em tantas participações nunca tinha atingido as meias-finais e conquistado um heat nas direitas de Winkipop. Agora, nesse mesmo point break, o irmão mais velho de Samuel Pupo (5.º classificado) venceu consecutivamente três baterias em dois dias e assim leva o sino como presente para a filha mais velha, que é aniversariante neste sábado.
No dia das finais, o pupilo do ex-campeão mundial Adriano de Souza fez valer da melhor forma o facto de ter sido o único a surfar apenas duas vezes. O lugar nas meias-finais tinha sido assegurado na véspera, pelo que houve menos desgaste para um dos veteranos de guerra do atual elenco.
No sábado em que obteve a segunda vitória da carreira no CT (reinou nos cilindros de Teahupoo em 2022), Miguel Pupo começou por derrotar o vice-campeão mundial Griffin Colapinto nas 'meias', marcando encontro na final com o compatriota Yago Dora. Este, que não deslumbrou durante o campeonato, levou a melhor sobre Gabriel Medina através de uma reviravolta épica a 40 segundos do fim. Yago tinha como requisito 9,34 pts e fez uma onda de 9,50 pts, na qual combinou rasgadas com um aéreo de backside com rotação completa. Ainda não foi desta que Medina saboreou a vitória em Bells.
A definição dos finalistas foi anticlímax, uma vez que tudo parecia apontar para uma final entre Medina e Colapinto, ainda por cima após o recital que deram nos 'quartos'. Gabriel desembaraçou-se do "irmãozinho" Samuel Pupo com o estrondoso score combinado de 17,40 pts, a mais alta pontuação de todo o evento (mulheres incluídas). Só que a competição é mesmo assim, está longe de ser sempre linear. Pupo e Dora também foram muito eficazes.
Na bateria de todas as decisões - a primeira final 100% goofy em Bells Beach desde 1993 - Miguel somou uns expressivos 15,60 pts em 20 possíveis, enquanto Yago ficou-se pelos 13,90 pts. Liderou parte do duelo, mas na reta final o compatriota impôs-se e sacou-lhe a licra amarela. Aos 34 anos, Miguel Pupo está pela primeira vez no topo do ranking. "Nem acredito. Tanto trabalho árduo. Se me dissessem hoje que seria número 1 do mundo, provavelmente iria rir-me de quem dissesse isso", confidenciou o competidor que deu início à 14.ª época como top mundial.
'Tia' feliz
Gabriela Bryan é uma protegida da consagradíssima Carissa Moore. A ligação entre ambas é forte. 'Gabby' é mesmo considerada uma 'tia' da filha de Riss, que nasceu há pouco mais de um ano.
No Rip Curl Pro Bells Beach, a cinco vezes campeã do mundo teve um regresso auspicioso ao CT. Já a número 3 mundial em 2025 obteve o prémio maior, sendo carregada em ombros pela própria Carissa Moore, que tinha sido a última havaiana a ganhar este evento (2015).
"Estou a divertir-me imenso. Tenho cá a minha mãe e estou com a Riss. A energia tem sido ótima", disse a atleta que venceu três (!) provas na campanha transata.
A poderosa power surfer havaiana voltou a bater o pé à campeã do mundo Molly Picklum numa final. Repetiu-se o desfecho verificado no ano passado numa outra onda para a direita, neste caso em Jeffreys Bay.
Desta vez, 'Pickles' jogava em casa e vinha motivadíssima pela apertada vitória sobre a compatriota Isabella Nichols nas meias-finais. Bella era a campeã em título do evento. Por seu turno, a oponente havaiana tinha deixado para trás a goofy norte-americana Alyssa Spencer, numa altura em que a cápsula espacial Orion da missão Artemis II fazia a bem-sucedida amaragem em águas do Pacífico.
Gabriela Bryan partiu tudo na final. Com 14,83 pts serviu uma combinação a Molly Picklum (8,33 pts), que ficou apeada de tocar o sino e de manter a licra amarela. É portanto com o 'plus' da licra mais desejada que 'Gabby' tentará sagrar-se tricampeã do Margaret River Pro, a sua etapa favorita.
O famoso Main Break apresenta longas direitas, ideais para a natural do Kauai aplicar o seu poderoso surf. O período de espera é já de 16 a 26 de abril.
Resultado final feminina:
1.ª Gabriela Bryan (HAW) 14.83
2.ª Molly Picklum (AUS) 8.33
Resultado final masculina:
1.º Miguel Pupo (BRA) 15.60
2.º Yago Dora (BRA) 13.90
Resultado meias-finais femininas:
HEAT 1: Gabriela Bryan (HAW) 15.44 DEF. Alyssa Spencer (USA) 14.67
HEAT 2: Molly Picklum (AUS) 14.84 DEF. Isabella Nichols (AUS) 14.27
Resultado meias-finais masculinas:
HEAT 1: Miguel Pupo (BRA) 13.67 DEF. Griffin Colapinto (USA) 7.50
HEAT 2: Yago Dora (BRA) 16.33 DEF. Gabriel Medina (BRA) 16.17
Resultados quartos-de-final masculinos:
HEAT 1: Miguel Pupo (BRA) 12.50 DEF. Barron Mamiya (HAW) 11.10
HEAT 2: Griffin Colapinto (USA) 15.00 DEF. Kanoa Igarashi (JPN) 13.03
HEAT 3: Yago Dora (BRA) 13.00 DEF. Leonardo Fioravanti (ITA) 9.00
HEAT 4: Gabriel Medina (BRA) 17.40 DEF. Samuel Pupo (BRA) 13.93
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