O surf é uma modalidade pródiga em histórias de superação. São muitos os exemplos em que os atletas superaram vários obstáculos em busca de um lugar ao sol na modalidade que tanto amam. Esta é mais uma dessas inspiradoras histórias.
Com apenas 16 aninhos, Jéssica Marques garantiu lugar pela primeira vez na Liga MEO Surf via prova de qualificação disputada na Costa de Caparica, que é o seu campo de treinos predileto. Apenas quatro anos depois de abraçar o surf, tendo começado já um pouco tarde na modalidade, Jéssica é top nacional, estatuto que estreou na sua onda favorita (Cabedelo).
A realidade competitiva que vive este ano é a recompensa pela dedicação e trabalho árduo que tem vindo a desenvolver. Residente em Azeitão, a teenager tem de fazer duas horas (!) de transportes para conseguir treinar diariamente, conciliando isto com os estudos. Uma rotina pesada para alguém tão novo, mas que está a colher os seus frutos.
Pena é que nas duas etapas da Liga MEO Surf já disputadas, uma lesão no tornozelo esquerdo tenha impedido a jovem surfista de estar na máxima força. "Mais oportunidades virão", diz-nos em entrevista, onde a fã da top mundial Francisca Veselko, de quem já recebeu uma prancha, dá a conhecer um pouco da sua vida.
Como é que surgiu a tua ligação/ paixão pelo surf?
Tudo começou aos 12 anos quando depois de ter experimentado vários desportos tive a oportunidade de fazer uma aula experimental. Ao colocar-me em pé na prancha senti-me super feliz, super contente e “livre”, de certa forma. Agora, não consigo e nem tenciono parar.
Quando é que decidiste que querias ser competidora?
Acho que decidi quando percebi que havia esse mundo dentro do surf. Sou bastante competitiva. Então pensei em fazer a minha primeira competição. Na altura, ainda não sabia fazer grande coisas, mas adorei o ambiente e assim foi andando.
Vives em Azeitão e tens de fazer duas horas de transportes para treinar. Esta rotina é diária? Conta-nos um pouco como são os teus dias.
Sim, faço esta rotina quatro a cinco vezes por semana. Acordo sempre às 6h30 da manhã para entrar na escola às 8h00. Tenho aulas até às 13h30, tirando terça-feira. Aí tenho aulas ate às 17h20 e acabo por não conseguir surfar nesse dia. Nos outros dias quando acabo as aulas, os meus pais levam-me a prancha e vou apanhar o comboio e o autocarro. Por vezes até almoço no comboio, mas não tem problema desde que consiga ir surfar.
Jéssica Marques
ASCC/Caparica Waves
Com esta agenda preenchida e mais 'pesada', consegues conciliar o surf com os estudos?
No início era um pouco mais complicado de conciliar porque utilizava maioritariamente os fins de semana para estudar. Agora, já tenho conseguido estudar no tempo livre durante a semana.
Quais as praias em que mais gostas de treinar?
Onde gosto mais de surfar é na Costa de Caparica, onde tenho o meu clube (ASCC), mas mais especificamente na Praia do Paraíso, Ericeira e Peniche.
Qual é a tua onda favorita?
É o Cabedelo na Figueira da Foz. É uma onda super comprida, que dá para trabalhar bem e com calma. Infelizmente, na etapa da Liga MEO Surf, não consegui mostrar o meu surf devido a uma lesão num tornozelo, mas mais oportunidades virão.
O que significou para ti conseguires a qualificação para esta Liga MEO Surf?
Significou muito porque era uma coisa que ambicionava há algum tempo. É muito bom ver que o trabalho está a dar frutos, apesar de todos os esforços que faço.
Definiste algum objetivo em particular para as etapas em que vais participar?
Sim, um dos principais objetivos que defini é nunca desistir, tentar sempre mostrar o meu surf, independentemente de tudo.
Jéssica Marques
ASCC/Caparica Waves
Quais são as surfistas (nacionais e internacionais) que mais te inspiram?
A nível nacional é a Francisca Veselko. Comecei a procurar mais sobre si e o seu surf quando recebi uma prancha sua. Agora estando no CT ainda mais. Em termos internacionais, a surfista que mais me inspira é a australiana Ellie Harrison. Adoro a maneira como surfa e a intensidade que coloca nas manobras. É super querida! Acompanho-a desde que a conheci numa competição. Estando na Challenger Series é também um outro exemplo para mim.
Quais são as maiores valências do teu surf e que aspetos sentes que tens de melhorar?
As maiores valências do meu surf são a minha competitividade, a vontade de vencer e a humildade. Sinto que tenho de melhorar alguns pontos técnicos, mas nada de muito complicado, e perceber que se não passar um heat está tudo bem. O mundo não acaba. Apenas preciso de trabalhar mais.
A longo prazo que objetivos tens no surf de competição? Vais começar a apostar no QS?
Penso que ainda é um pouco cedo para apostar no QS, mas lá chegarei. Neste momento, estou focada em fazer todas as etapas da Liga MEO Surf e do circuito ASCC Caparica Power, obter bons resultados e divertir-me com a família e amigos. Quero ficar sempre no pódio das etapas da Caparica e mostrar o meu surf na Liga MEO.
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