Terminou o conto de fadas do wildcard Guilherme Ribeiro em Supertubos, que marca igualmente o fim da participação portuguesa no MEO Rip Curl Pro Portugal, a 10.ª e antepenúltima etapa do Championship Tour (CT) de 2026.
Ao início da tarde desta terça-feira em Peniche, no Oeste português, Gui discutiu um lugar nas meias-finais com uma das principais estrelas do World Tour, o ex-campeão mundial e olímpico Italo Ferreira. Um teste de fogo no seguimento de outras montanhas íngremes que Ribeiro já tinha escalado neste evento caseiro, onde afastou de enfiada dois tops 10 mundiais: o 'aussie' George Pittar (10.º) e o nipónico Kanoa Igarashi (7.º).
O duas vezes campeão nacional Open já tinha provado que não havia impossíveis, mas desta vez não foi possível vergar outro surfista do top 10 mundial, neste caso o vice-líder provisório. "Quando estávamos a entrar, vi a estrela de campeão do mundo na licra do Italo. É sinal de que as coisas são à séria e tenho de dar tudo."
Para este duelo luso-brasileiro, o mar de Supertubos já não se apresentou tão difícil como no heat que determinou a eliminação da antiga campeã nacional Teresa Bonvalot. Com o avançar do dia, as condições apresentaram nítidas melhorias nos Super. Houve tubos e estes decidiram a contenda a favor de Italo, que somou 12,83 pts perante os 6,84 pts do adversário luso. O natural da Baía Formosa encontrou a saída das suas 'tocas' e isso refletiu-se na pontuação combinada após 35 minutos de refrega.
Gui também teve as suas chances nos cilindros penichenses, com destaque para uma oportunidade na fase inicial do embate. Porém, não encontrou a porta da saída. Quem sabe, se a história da bateria não teria sido outra.
"No surf, passa os heats quem faz menos erros. Olhando para a onda não acredito que fosse os 9,16 pts que precisava no final. É uma coisa que nunca iremos saber, mas realmente a onda tinha bastante qualidade. Fiz o possível para tentar sair dela, mas não me deixou sair. Já vi a repetição e penso que seria difícil porque a onda espremeu muito. Se tivesse saído, talvez a história fosse outra", referiu Guilherme Ribeiro em conversa com os jornalistas após a eliminação nos 'quartos' do MEO Rip Curl Pro Portugal.
Essa mesma onda esteve no diálogo com o treinador Manuel Gameiro, naquele que foi um longo 'debriefing' no areal de Supertubos, junto à escadaria da zona de atletas. "É perceber o que poderíamos ter feito. Estivemos a discutir coisas de posicionamento. Acabei por não fazer os melhores scores, mas estou contente com a minha prestação."
Estreante em etapas do circuito mundial de surf, Guilherme Ribeiro obteve um excelente quinto lugar, nesta que foi uma das "maiores experiências" da sua vida. "Cheguei aos quartos de final de um CT, nem acredito que estou a dizer isto. É possível estar aqui e provei isso neste campeonato. Sinceramente, neste desporto, acho que não há nada melhor do que isto."
Dos Super, onde teve a oportunidade de "competir contra Italo Ferreira" e "surfar só com duas pessoas na água entre os melhores do mundo", o surfista de 24 anos diz que sai com a "cabeça para cima", "muita confiança" e a "acreditar muito mais" para os próximos desafios na Challenger Series e nos novos QS6000 internacionais.
Neste momento, as contas de uma inédita qualificação para o CT não estão nada fáceis, mas Guilherme Ribeiro acredita que ainda é possível ter lugar na elite mundial em 2027. "O objetivo na Challenger Series é a qualificação para o World Tour, ainda é possível. Mantenho o mesmo objetivo de quando comecei o ano. Eu e o meu treinador acreditamos nisto. Esta oportunidade ainda me deu mais motivação para isso", diz determinado.
Antes dessa batalha, ainda há outras lutas, entre as quais tentar reconquistar o título nacional de surf em... Peniche no final do mês.
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