Em 2026, Nadia Erostarbe está a fazer a temporada de rookie no elite do surf mundial. A basca de 26 anos faz parte de um punhado de atletas europeias que acederam ao Championship Tour (CT), onde se inclui as suas amigas portuguesas Yolanda Hopkins e Francisca Veselko.
Depois de em 2025 já ter participado em cinco provas na condição de primeira suplente, Nadia não se tem dado nada mal nesta aventura a tempo inteiro no World Tour. Sem grandes sobressaltos, a goofy superou o cut e chegou a Peniche à porta do top 10 do ranking, sendo a 11.ª colocada, numa campanha em que já mostrou toda a versatilidade do seu surf. Erostarbe foi semifinalista em Snapper Rocks, onde brilhou com o seu backside nas longas direitas. Também atingiu as meias-finais em Saquarema e alcançou o quinto posto nas pesadas esquerdas tubulares de Teahupoo, no Taiti.
Pese embora as várias prestações de relevo, não esquecendo que também é uma atleta olímpica, a nativa de Zarautz é uma surfista com um 'pormaior' que salta à vista de quem olha para as suas pranchas. Não possui autocolante no 'nose', sinónimo de que não possui um 'main sponsor'. E tal realidade não é de agora.
"Nunca tive um grande patrocinador. Se alguma marca me quiser patrocinar, ficarei contente. Na sequência de como correr este ano, espero ter algo", confidenciou Nadia Erostarbe em conversa com os jornalistas portugueses após vencer a animada expression session do MEO Rip Curl Pro Portugal, realizada no último domingo.
Um triunfo que permitiu à surfista basca arrecadar cinco mil euros. Quantia sempre valiosa, ainda mais para quem não vive em desafogo financeiro por força da ausência de um patrocinador principal. "Estou muito contente por ganhar este dinheiro extra. É um verdadeiro alívio para a minha carteira no que resta da temporada. O Havai é muito caro", disse Erostarbe, antevendo já a estadia no famoso arquipélago, mais concretamente em Pipeline, onde em dezembro termina o CT'2026.
De Supertubos, Nadia vai com os bolsos mais recheados, nesta que é uma onda da qual gosta. "Penso que é um dos melhores beach breaks do mundo. É um bom treino para Pipeline. É uma onda verdadeiramente boa, sempre divertida, ainda que por vezes tenha algum crowd", referiu a surfista derrotada por Nadia Erostarbe nos oitavos-de-final, que foram a ronda inaugural do CT de Peniche.
Nesta conversa, a olímpica em Paris'2024 abordou ainda o surgimento em força do surf europeu no circuito mundial feminino. "Penso que na Europa talvez crescemos um pouco mais tarde porque não é tão quente, como por exemplo a Austrália. É um pouco mais duro, mas adaptamo-nos a essa força. Talvez isso nos faça mais fortes, poderosas e esfomeadas."
É com vontade de 'comer o mundo' que esta aguerrida basca segue firme entre as melhores surfistas do globo.
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