Faz esta sexta-feira uma semana que assistimos, em Supertubos, ao apoteótico dia das finais do MEO Rip Curl Pro Portugal, a etapa lusa do Championship Tour (CT) da World Surf League (WSL).
Último heat do campeonato, a final masculina foi memorável, dada a elevada qualidade das ondas tubulares e das performances plasmadas por Griffin Colapinto e Gabriel Medina. Este último deu show nas esquerdas tubulares dos Super, mas ainda não foi desta que ganhou uma prova na presente temporada, que já vai muito longa. Estão disputadas 10 das 12 etapas que dão forma ao calendário.
Para o brasileiro de 32 anos, esta foi a terceira final consecutiva (!) que perdeu no circuito mundial de surf de 2026, sendo que numa das quais (Cloudbreak) até fez uma nota máxima (10,00 pts) e não foi suficiente para desfeitear o californiano Cole Houshmand. Um ‘hat-trick’ de vice-campeonatos, algo que já tinha ocorrido nos primórdios de Medina na elite mundial, mas aí dividido por dois anos: 2012 e 2013.
Desta feita, a sucessão de finais perdidas ocorre numa só temporada, que marca o regresso de Gabriel ao World Tour após ter falhado toda a campanha do ano passado devido a lesão.
Apesar de não ter levado a melhor nestas finais, a verdade é que Gabriel Medina é o surfista com maior número de presenças no heat decisivo de etapas do CT’2026. Duas dessas aparições aconteceram nas três últimas provas, sendo uma resposta do goofy de Maresias a um período de menor fulgor, onde perdeu de primeira em casa (Saquarema) e em Teahupoo, no tal duelo em que o wildcard… Kelly Slater não deu grandes hipóteses. Esta fase mais discreta também coincidiu com a dura notícia da perda gestacional da sua mulher Isabella Arantes, pouquíssimos dias após ter dado o nó.
Curiosamente, nestas duas últimas finais perdidas, o três vezes campeão do mundo foi derrotado num ‘terreno predileto’, isto é, em ondas tubulares: Cloudbreak e Supertubos. Por sua vez, o primeiro vice-título aconteceu nas direitas do Main Break de Margaret River, onde o 'aussie' George Pittar surpreendeu o consagrado brasileiro. Foi precisamente em Margaret River, em pleno Oeste australiano, que Gabriel Medina conquistou pela última ocasião uma etapa mundialista. Estávamos a 28 de abril de 2023, já lá vai uma eternidade.
Pela frente, o medalhado de bronze em Paris’2024 tem mais duas chances para quebrar esta malapata. “Estou aqui apenas para fazer o meu trabalho. Estou contente com a minha performance. Espero, ter uma oportunidade de lutar pelo título em Pipeline”, disse o atual número 4 do ranking mundial no pódio de Supertubos. Quem sabe se o prémio maior não está reservado para dezembro, qual prenda de Natal antecipada.
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