O número de espécies marinhas invasoras nas águas portuguesas aumentou 75% em dez anos, com mais 98 registos, de acordo com um estudo científico a que a agência noticiosa Lusa teve acesso na semana passada.
Este estudo foi uma atualização de um levantamento com dez anos das "espécies não indígenas ou espécies introduzidas nas águas costeiras portuguesas, portanto estuários nas costeiras, lagoas costeiras, e incluiu tanto o continente como as ilhas", explicou à Paula Chainho, do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (Mare), uma das organizações que tutelou o projeto.
"Verificámos que há dez anos tínhamos reportado 133 espécies não indígenas e atualmente reportámos 231", o que corresponde a "uma taxa muito elevada de novas introduções", disse à Lusa.
Isto "é ainda mais preocupante" porque os investigadores que realizaram o estudo há dez anos admitiam que o elevado número então registado correspondia a espécies que não haviam sido estudadas, mas tudo indica que estes novos cem registos correspondem a um "aumento bastante acentuado" porque, desde então, têm sido feitas várias análises.
"Das 231 espécies confirmadas, 159 ocorrem em Portugal continental, 81 nos Açores e 62 na Madeira", lê-se na apresentação do trabalho de 31 investigadores de 11 universidades portuguesas entre várias organizações, e liderado pelo Mare e pela Rede de Investigação Aquática (Arnet), que foi publicado na revista científica 'Marine Pollution Bulletin' e aponta vários problemas na costa portuguesa.
Segundo Paula Chainho, a "navegação é a principal causa de introdução de novos exemplares", seja através da "incrustação nos cascos das embarcações" de espécies ou pela lavagem dos tanques de água de lastro.
Por isso, o "foco deve estar principalmente na prevenção, porque, quando uma espécie aquática entra num determinado local, nós só vamos detetá-la quando ela já está perfeitamente instalada", defendeu a investigadora.
Noutros casos, há espécies como a ameijoa japonesa, uma espécie invasora nas águas nacionais há muitos anos, e em que a única forma de controlar a sua população é através da gestão da pesca, reconheceu.
O trabalho realiizado propõe também uma lista de vigilância inédita com 22 espécies detetadas através de ADN ambiental, um sistema de deteção precoce capaz de identificar espécies invasoras antes de serem observadas a olho nu.
Nas águas de Portugal continental, 39% das espécies não indígenas são originárias do Pacífico Norte, seguidas de 24% com origem noutras zonas do Atlântico Norte, uma tendência que é invertida nos Açores e Madeira, com o Pacífico Norte a ter predominância.
De todos os portos, Sines "surge no estudo como um ponto estratégico de entrada, dada a sua localização no cruzamento de rotas marítimas que ligam a Ásia, o Mediterrâneo, os Estados Unidos e África", refere, justificando a investigação específica desta zona.
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