Decorrem a bom ritmo as obras de construção da primeira piscina de ondas artificiais para surf do país, a pioneira Surfers Cove. A erguer em Óbidos, o complexo tem o objetivo de afirmar-se como um destino de surf de referência na Europa.
Numa fase em que os trabalhos prosseguem - a montagem da máquina com tecnologia Wavegarden está praticamente concluída - a meta traçada inicialmente mantém-se: a abertura de portas ao público em dezembro, qual prenda no sapatinho.
Numa entrevista exclusiva ao MEO Beachcam, Marcelo Martins, responsável de operações da Surfers Cove, fala sobre diferentes aspectos ligados a um projeto que está a gerar muita expectativa junto da comunidade do surf e não só.
Como estão a decorrer as obras de construção da Surfers Cove?
As obras estão a avançar a bom ritmo e de acordo com o planeamento definido para esta fase do projeto. Estamos, aliás, num momento particularmente importante, porque começa a materializar-se aquilo que, desde 2023, esteve sobretudo no papel. O melhor exemplo é a montagem da máquina com tecnologia Wavegarden, que está praticamente concluída.
Mas não se resume à onda. As primeiras unidades de alojamento estão quase prontas, tal como as restantes infraestruturas que vão compor a Surfers Cove entre elas o skatepark, com uma flow bowl desenhada de raiz para surfskate. É uma valência que faz todo o sentido neste contexto: complementa o treino dentro de água, prolonga a experiência para lá da sessão de surf e será, por si só, um ponto de atração.
É um projeto tecnicamente exigente, sobretudo pela integração da tecnologia Wavegarden e pela necessidade de articular diferentes componentes numa experiência única. O objetivo mantém-se: concluir o Surf Park até ao fim do ano, inclui uma fase de testes e de soft opening antes da abertura ao público.
Surfers Cove
A abertura está prevista para dezembro. Todo o complexo estará operacional no momento da inauguração?
Sim, na abertura contamos ter operacional o núcleo essencial da experiência: a piscina de ondas, o edifício principal, as primeiras unidades de alojamento e as principais valências associadas ao surf e à experiência do visitante, como o skatepark.
A primeira fase contempla 16 unidades de alojamento, de tipologias T0, T1 e T2, estando posteriormente prevista a expansão até um total de 56 unidades. Outras valências pontuais serão igualmente desenvolvidas nas fases seguintes do projeto.
Mais importante do que inaugurar todas as componentes em simultâneo é garantir que tudo o que disponibilizamos desde o primeiro dia corresponde ao nível de qualidade e de experiência que definimos para a Surfers Cove.
Ainda antes da inauguração, já existe data para a realização das primeiras sessões de testes na piscina de surf?
Apontamos para o início de dezembro. Após a conclusão da instalação da piscina, teremos necessariamente um período de testes técnicos e operacionais, essencial num projeto desta dimensão e complexidade. Queremos usar essa fase para explorar todo o potencial desta tecnologia.
É o momento de afinar cada configuração do Wave Menu que pretendemos oferecer, desde as ondas de iniciação, para quem se quer iniciar no surf com segurança e sucesso garantido, até às de alta performance, aquelas que permitem combinação de manobras, tubos ou mesmo aéreos para os mais experientes. Sabemos que temos um público exigente e experiente, com muitos anos de surf. É precisamente por isso que a prioridade é entregar qualidade e corresponder às expectativas.
Essa fase permitirá testar também toda a operação associada à piscina, desde os procedimentos das equipas e a segurança até à experiência de utilização. Só depois dessa validação será possível avançar para o soft opening e, posteriormente, para a abertura ao público.
Maria Salgado
Surfers Cove
Quais têm sido os maiores desafios ao longo destes meses?
Construir a primeira infraestrutura deste género em Portugal implica, inevitavelmente, vários desafios, sobretudo porque estamos a integrar, num mesmo projeto, áreas muito diferentes: tecnologia, construção, operação de surf, alojamento, restauração, desporto e experiência do visitante.
Do ponto de vista da operação de surf, um dos principais desafios é garantir que a tecnologia e o espaço físico se traduzem numa experiência verdadeiramente intuitiva e autêntica para quem surfa. Não queremos simplesmente construir uma piscina que produz ondas; queremos criar um espaço que faça sentido para toda a comunidade do surf, desde quem experimenta a modalidade pela primeira vez até um atleta de alta competição.
E há aqui uma dimensão que nos importa muito: a Surfers Cove foi pensada para a família. Quem não vai à água tem também o seu lugar, seja no skatepark, nos campos de padel, no beach volley, no ginásio, no espaço cowork, nas zonas verdes ou simplesmente a assistir às sessões. O desafio é fazer com que o projeto corresponda efetivamente a este posicionamento, pensando cada um destes espaços do ponto de vista do utilizador.
Outro desafio tem sido concretizar essa ambição mantendo os critérios de sustentabilidade, integração paisagística e eficiência que estiveram na origem do projeto. É um trabalho de enorme detalhe, mas é também isso que torna este projeto particularmente estimulante e diferenciador.
Nos últimos dias começaram a ser anunciados os nomes dos embaixadores da Surfers Cove. Como foi efetuado este processo de seleção?
Desde o início deste processo, procurámos pessoas que representassem diferentes dimensões do surf e, sobretudo, que tivessem uma ligação genuína aos valores que queremos construir na Surfers Cove.
Não queríamos criar apenas uma lista de nomes reconhecidos. Procurámos perfis com histórias, percursos e formas diferentes de viver o surf, capazes de contribuir efetivamente para o projeto e para a comunidade que estamos a construir.
O Vasco Ribeiro representa naturalmente a competição e o alto rendimento. Campeão mundial júnior e várias vezes campeão nacional, é uma das grandes referências do surf português e alguém que mantém uma enorme ambição de continuar a evoluir.
Vasco Ribeiro
Surfers Cove
A Maria Salgado representa a nova geração do surf nacional. Campeã nacional e com o objetivo de chegar ao World Tour, é um talento com enorme margem de progressão, e queremos que a Surfers Cove possa ser também uma ferramenta importante na sua evolução.
A Lucía Martiño traz uma dimensão internacional e uma forma muito autêntica de viver o surf. Bicampeã espanhola e com um percurso internacional, representa também a aventura, as viagens e a descoberta de novas ondas e culturas.
O Afonso Faria estará muito ligado à nossa aposta no surf adaptado. A sua história de superação e a forma como encontrou no surf uma força para ultrapassar barreiras representam muito daquilo que queremos que a Surfers Cove seja: um espaço onde o surf possa ser verdadeiramente acessível a todos.
E depois temos o Xico Alves, que representa uma dimensão completamente diferente. É surfista, comunicador e uma das vozes mais reconhecidas da nova comédia portuguesa. Criou uma comunidade muito própria através da sua autenticidade, humor e forma descontraída de comunicar. Essa capacidade de aproximar o surf de novos públicos e de mostrar também o lado divertido e menos formal da cultura do surf é muito importante para nós.
Francisco Alves
Surfers Cove
É precisamente esta diversidade que procurámos. Mais do que embaixadores da Surfers Cove, queremos pessoas que representem diferentes formas de viver o surf e que nos ajudem a criar uma ligação entre performance, evolução, inclusão, comunidade e cultura do surf. Entretanto estamos igualmente orgulhosos com todo o apoio dos nossos Sócios Honorários, e na próxima semana iremos lançar o quinto episódio da série Visions com o fundador da Semente, Nick Uricchio.
Há um mês foi lançada a campanha 'Early Bird Surf & Stay'. Como está a correr a adesão?
A reação tem sido muito positiva, sobretudo porque existe uma grande curiosidade em torno da possibilidade de experimentar a Surfers Cove ainda numa fase inicial do projeto. A campanha 'Early Bird Surf & Stay' permite começar a transformar essa expectativa em reservas concretas, dando às pessoas a possibilidade de garantir antecipadamente experiências de surf e alojamento antes da abertura.
Mais do que o volume de reservas nesta fase, é particularmente interessante perceber a diversidade da procura: pessoas que já surfam, mas também visitantes que olham para a Surfers Cove como uma experiência de vários dias, combinando surf, alojamento e as restantes valências do projeto.
Através da rede de livecams , podes visua lizar em direto e em tempo real toda a evolução do estado do mar e da praia.
Podes também confirmar as previsões relativas a todas as praias através da nossa página Praias Beachcam .
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