Como está endiabrado Kelly Slater neste Tahiti Pro, onde está a competir como wildcard. Depois do espetáculo dado na ronda inaugural, o 11 vezes campeão mundial voltou a dar novo recital nas esquerdas tubulares de Teahupoo, tendo garantido lugar nos oitavos-de-final da sétima etapa do CT'2026.
Porém, desta vez tudo ganha ainda maior dimensão porque a superlativa performance do veterano KS foi conseguida diante do brasileiro Gabriel Medina, neste que foi o heat mais aguardado da ronda 2 masculina. Um embate que juntou 14 títulos mundiais na famosa bancada taitiana, que continua a entregar condições desafiantes com cilindros bem pesados.
O número 13 está ligado ao azar, mas aqui foi de sorte, pois tratou-se do número do heat que opôs Kelly e Medina. Ao longo de 40 minutos não defraudou as expectativas, ainda que Slater tenha estado claramente num nível acima. Com um desempenho sensacional, o surfista de 54 anos (!) fez aquilo que é muito raro vermos alguém fazer a Gabriel Medina, isto é, servir uma combinação. Simplesmente, esteve demolidor, vingando a final perdida em 2014. Foi apenas a terceira vitória do veteraníssimo surfista norte-americano em 11 duelos no CT com o goofy de Maresias.
Neste duelo titânico, Gabriel até saiu na frente na primeira abordagem aos tubos de Teahupoo, mas depois Kelly teve uma resposta cabal, sem antes ter sofrido dois raros wipeouts, o últimos dos quais culminou numa prancha partida. Como impressiona ver um homem de 54 anos, que tem em terra os dois filhos bebés, a puxar os limites perante condições tão exigentes em Teahupoo.
A meio da contenda, já com a prancha de substituição debaixo dos pés, Kelly Slater abriu o livro com mais um tubaço, que é a melhor onda do campeonato, até ao momento. Roçou a perfeição com 9,73 pts, sendo que o juiz australiano deu mesmo a nota máxima (10,00 pts). O drop de Slater foi qualquer coisa. È para ver e rever vezes sem conta. Este momento marcou um antes e um depois na história da bateria, ainda por cima foi conseguido debaixo da prioridade do surfista de 32 anos, com todo o peso mental que tal acarreta.
Medina reagiu ao sair da situação de combinação. Todavia, voltou à estaca zero quando o seu oponente fez mais um espetacular tubo, este de 9,33 pts, que ajudou a perfazer o score combinado de 19,06 pts. À entrada para os derradeiros cinco minutos de heat, esta foi a derradeira machadada nas aspirações do três vezes campeão mundo de surf. A escolha de ondas foi exímia por parte de Kelly Slater, demonstrando mais uma vez como domina o lineup banhado pelas águas do Pacífico.
Apesar de ter sido atropelado pelo adversário, Gabriel quedou-se por uns também expressivos 16,10 pts, que dariam para ultrapassar 12 das 16 baterias que compuseram a ronda 2 masculina.
Ao perder de primeira no Tahiti Pro - a sua etapa favorita no calendário - Gabriel Medina fez com que seja certo o regresso do compatriota Italo Ferreira ao topo de ranking mundial.
Italo tinha ascendido provisoriamente ao comando após apuramento para os 'oitavos' e o inédito licra amarela Leo Fiovaranti ter saído derrotado do duelo com grande amigo Ramzi Boukhiam, que também deu espetáculo nas 'bombas' que quebraram em Teahupoo.
Por sua vez, com este incrível triunfo, Kelly Slater lança um sério aviso à navegação. Está em Teahupoo para tentar arrecadar o Tahiti Pro pela sexta vez na carreira, ele que é o recordista de vitórias. Aos microfones da WSL, o lendário norte-americano já disse que acredita no sucesso, naquele que seria mais um momento inolvidável na carreira do mais laureado surfista da história.
Para já, segue-se novo super heat, voltando a dividir o lineup com outro grande tube rider. Trata-se do australiano Jack Robinson, campeão em título do Tahiti Pro e vencedor de duas das três últimas edições.
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