Este ano, o calendário do surf internacional será marcado por uma situação extremamente invulgar, quiçá inédita.
Teremos a realização em simultâneo de uma etapa do circuito mundial de surf, no caso o estreante Philippines Pro, e do Mundial ISA de 2026, que será levado a cabo no Peru.
O evento de Cloud 9, que está debaixo da égide da World Surf League (WSL), tem o período de espera de 31 de outubro a 10 de novembro, enquanto o certame promovido pela Associação Internacional de Surf (ISA) disputa-se entre os dias 6 e 15 de novembro.
Esta concomitância de datas deixava antever que os surfistas do Championship Tour da WSL não conseguiriam estar presentes na prova de Punta Lobos. Isto porque a competição de Cloud 9 surge numa altura decisiva da corrida ao título mundial, embora o Campeonato do Mundo ISA do Peru assinale o início do processo de qualificação olímpica para Los Angeles’2028, atribuindo duas vagas coletivas às formações vencedoras (homens e mulheres).
Na imprensa especializada, muito se escreveu nas últimas semanas sobre esta bizarra situação, que volta a trazer a relação da WSL e da ISA à berlinda, como se já não chegasse tudo aquilo que está para trás.
Pois bem, já foi encontrada uma solução, na qual a ISA parece mais uma vez ceder aos interesses da WSL, tal como fez com a revisão final do sistema de qualificação olímpica.
Isto apesar de deixar uma alfinetada à entidade norte-americana, que só recentemente colocou o Phillipines Pro no calendário do CT. “As datas do Mundial ISA’2026 foram determinadas e publicadas antecipadamente, baseada numa janela do calendário internacional que estava disponível.”
Bicada à parte, através de ‘insta story’ a entidade liderada por Fernando Aguerre anunciou como irá integrar todos os surfistas do CT que pretendam competir no Mundial ISA’2026. Estes terão entrada direta na ronda 3 do quadro principal. Abre-se aqui uma exceção, pois regra geral nos Mundiais ISA todos os competidores iniciam o trajeto na ronda 1. Este procedimento parece estar a ganhar hábito no seio da ISA, pois na próxima prova olímpica os nomes do CT qualificados via World Surfing Games também só entram em cena na terceira rodada.
A realização da ronda 3 no Mundial do Peru está agendada para 11 de novembro, precisamente um dia após o fecho da janela de espera em Cloud 9.
A ISA poderá estar confiante de que o campeonato filipino terminará antes ou então poderemos estar perante um hipotético transtorno logístico, pois obrigará os tops mundiais a uma longa viagem intercontinental em sensivelmente 24 horas. Isso ou simplesmente teremos alguns atletas do CT a abdicar do evento peruano ou a iniciarem a aventura na repescagem, que a ISA não detalhou quando é que será realizada a ronda que absorverá os derrotados da ronda 3 do quadro principal.
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