É uma notícia devastadora. Um impiedoso soco no estômago da comunidade surfista. Esta terça-feira, soube-se que o britânico Arran Strong é o jovem que ontem desapareceu ao largo da Arrifana, em Aljezur, enquanto praticava stand up paddle (SUP).
A triste notícia foi avançada, esta manhã, por José Maria Pyrrait nas redes sociais, pois Arran Strong, de 27 anos, acompanhava-o durante esta parte da travessia em SUP, em plena Costa Vicentina. "[O Arran] desapareceu da sua prancha quando estávamos mais ou menos a uma milha ao largo da Arrifana."
Pyrrait fala numa "dor" e "tristeza profunda", afirmando que são "praticamente nulas" as possibilidades de Arran Strong estar vivo neste momento. Isto numa altura em que decorrem as buscas no mar.
Desde há um mês que José Pyrrait, surfista e remador de longa data, está a atravessar a costa continental portuguesa em SUP, numa ligação de sensivelmente 900 quilómetros entre Moledo (Caminha) e Vila Real de Santo António. Nos últimos dias, o sexagenário local da Ericeira tinha a companhia de Arran Strong para fazer a travessia entre o Monte Clérigo e a Carrapateira.
Num emotivo texto publicado na manhã desta terça-feira, José Maria Pyrrait relata o que aconteceu na água.
"Resumindo: parámos ao largo da Arrifana para beber água e tirar umas fotos. Estivemos ali uns minutos a conversar. Quando recomeçámos, deixei-o ir à frente. Como o meu ritmo é mais rápido, fazia sempre isso, quando o apanhava e ganhava um curto avanço, parava e esperava por ele. Dessa vez não foi diferente, mas quando parei para esperar, vi a sua prancha à deriva a uns 100 metros de distância. Remei o mais rápido que consegui até lá, mergulhei vezes sem conta à sua procura, mas estávamos numa zona muito profunda e a visibilidade era muito curta. Pedi ajuda ao meu parceiro em terra, que automaticamente acionou os meios de salvamento. Um pescador local recolheu-me. Estivemos perto de duas horas e meia a bater toda a área envolvente com a sonda do barco."
José Maria Pyrrait diz que Arran Strong é como se fosse um "filho" para si, conhecendo-o desde os 10 anos. "Treinava comigo, passava os fins de semana e férias comigo. Era como mais um filho que a vida me deu. Curiosamente, sempre me disse que morreria novo.”
Apesar de sentir-se "vazio" e "cansado", Pyrrait refere que irá continuar com a travessia em SUP, pese embora vá "parar por uns dias" de modo a restabelecer-se. A retoma deverá acontecer no próximo domingo, com a memória de Arran Strong bem presente. “Chegarei ao fim, se Deus quiser."
De nacionalidade britânica, mas há muito radicado na Ericeira, Arran Strong é o atual número 6 do ranking nacional, sendo presença assídua na Liga MEO Surf, a competição que define os títulos máximos do surf português.
Este ano, no Allianz Ericeira Pro, Arran tinha chegado pela primeira vez a uma final de etapa da Liga MEO Surf. Neste trajeto no surf de competição, também constam várias participações no QS da World Surf League (WSL) e no Mundial ISA, onde representou a seleção da Grã-Bretanha. Era igualmente reconhecido o seu talento por condições tubulares pesadas, conforme demonstram os vários vídeos de free surf publicados na sua página no Instagram.
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