Está quase tudo por contar no CT'2026 - apenas três etapas foram realizadas - mas em dezembro esta será sempre uma das grandes histórias da campanha que celebra o 50.º aniversário do circuito mundial.
Logo à terceira etapa da temporada em que regressou após um grande período sabático (dois anos), a campeoníssima Stephanie Gilmore saiu vencedora, proclamando-se campeã deste inesquecível Gold Coast Pro, dada a qualidade das ondas e das performances que tivemos nos últimos quatro dias.
Tudo ganha contornos mais épicos se olharmos para o contexto em que se deu este memorável triunfo por parte da oito vezes campeã mundial. A laureada surfista australiana chegou a Snapper só com derrotas de primeira neste CT. Como tal, a competidora que mais vezes terminou a época no primeiro posto ocupava um inabitual último lugar da hierarquia.
Dado este cenário mais adverso, Steph iniciou a participação na prova caseira com o humilde objetivo de passar um heat, apesar de no seu íntimo ter o sonho de voltar a reinar no seu feudo. Foi o que confidenciou na conferência de imprensa de lançamento do campeonato. Mal sabia o que estava guardado para si.
Esta segunda-feira, nas fantásticas direitas de Snapper Rocks, Gilmore venceu pela sétima vez (!) a sua etapa favorita do calendário, da qual também é recordista de triunfos a nível feminino. O primeiro foi há mais de 20 anos (!), em 2005. Não é por acaso que é apelidada de Rainha de Snapper Rocks.
"Pensava que este ano não seria capaz de vencer um evento, mas a acontecer teria de ser aqui. É a minha onda favorita no mundo", afirmou 'Happy Steph' no pódio.
Neste memorável dia das finais para o surf australiano, Ethan Ewing conquistou a prova masculina, Stephanie Gilmore não teve vida fácil. Para garantir lugar na final, a consagrada bateu num super heat a rookie basca Nadia Erostarbe, que foi a grande surpresa da competição feminina.
Na grande final, a veterana 'aussie' impôs-se à brasileira Luana Silva, que esta segunda-feira surfou mais um heat do que a sua oponente. Tinha deixado para trás as norte-americanas Lakey Peterson e Sawyer Lindblad.
Apesar do maior desgaste, Lulu ofereceu uma excelente réplica, somando 14,07 pts. Todavia, não conseguiu repetir a vitória de há um mês sobre esta mesma adversária, então em Bells Beach.
Gilmore, como grande campeã que é, elevou o nível na hora de decisão. Rematou a campanha com uns incríveis 17,33 pts em 20 possíveis, pecúlio onde incluiu uma onda de 9,50 pts.
Aos 38 anos de idade - é a decana de elenco feminino - a antiga atleta olímpica somou a 34.ª vitória em etapas da divisão máxima do surf mundial. Já não ganhava desde outro momento épico. A cavalgada na finalíssima de Trestles em 2022, que culminou na conquista do histórico oitavo título mundial.
Com os 10 mil pontos somados, Stephanie Gilmore deu um natural pulo no ranking. Ascendeu 16 lugares de uma assentada. Deixou a lanterna vermelha e passa a ocupar o sétimo posto.
A hierarquia tem uma nova e inédita líder. Com a chegada à final, Luana Silva tirou a licra amarela do corpo da havaiana Gabriela Bryan. Uma bonita e merecida recompensa para a surfista que perdeu a quarta final consecutiva no CT, segunda no espaço de uma semana
Resultado final feminina:
1. Stephanie Gilmore (AUS) 17.33
2. Luana Silva (BRA) 14.07
Resultado meias-finais femininas:
HEAT 1: Stephanie Gilmore (AUS) 15.00 DEF. Nadia Erostarbe (ESP) 14.23
HEAT 2: Luana Silva (BRA) 13.67 DEF. Sawyer Lindblad (USA) 12.73
Resultado quartos-de-final femininos:
HEAT 1: Nadia Erostarbe (ESP) 15.67 DEF. Gabriela Bryan (HAW) 14.33
HEAT 2: Stephanie Gilmore (AUS) 14.73 DEF. Caitlin Simmers (USA) 10.83
HEAT 3: Sawyer Lindblad (USA) 14.76 DEF. Molly Picklum (AUS) 12.50
HEAT 4: Luana Silva (BRA) 16.00 DEF. Lakey Peterson (USA) 10.00
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