Na madrugada desta segunda-feira em Portugal, houve vitória brasileira em ondas neozelandesas, que voltaram a apresentar toda a sua qualidade. Italo Ferreira conquistou o New Zealand Pro, quarta etapa do CT'2026.
Foi o regresso às vitórias do ex-campeão do mundo e olímpico no circuito mundial, o que já não sucedia há mais de um ano. Desta forma, Italo assumiu a liderança do ranking masculino, tomando o lugar que no início da etapa era do compatriota Gabriel Medina e foi ocupado provisoriamente pelo veterano Miguel Pupo durante parte do campeonato. Para o surfista de 32 anos, as coisa não poderiam ter corrido melhor.
Em Manu Bay, que pela primeira vez recebeu a elite mundial, o dia das finais não começou da melhor maneira, pois um fotógrafo da World Surf League (WSL) foi atacado no mar, precisamente quando Italo Ferreira e o campeão mundial Yago Dora mediam forças na segunda meia-final masculina. A ação esteve interrompida um punhado de horas, tendo sido retomada mais tarde após decisão conjunta da WSL, surfistas e parceiros, com o fotógrafo a encontrar-se em situação estável de saúde no hospital.
IAssim, Italo retomou o seu embate com Yago, dois goofys do país irmão. Dora vinha a ser o surfista da prova masculina - fez uma nota 10 na véspera - mas desta feita esteve uns furos bem abaixo, pagando com isso com a eliminação. Em sentido inverso, o goofy da Baía Formosa apresentou a sua melhor versão e não deu hipóteses, servindo uma combinação ao adversário catarinense.
Na eletrizante final, onde estava obrigado a vencer para chegar à licra amarela, Italo Ferreira encontrou o outsider australiano Morgan Cibilic, que na primeira meia-final tinha surpreendido ao derrotar o vice-campeão mundial Griffin Colapinto. Tratou-se de um duelo regular vs goofy nas esquerdas de Manu Bay, que teve um alto nível. Um fecho de campeonato à altura destes últimos dias de competição.
Em busca da primeira vitória em etapas do CT, Morgs esteve muito bem, agarrado a um forte surf de backside. Assim demonstra o expressivo score combinado de 15,80 pts. O único senão é que Italo Ferreira mostrou-se imparável com o seu surf de frontside. Em comparação com a meia-final, Italo elevou a fasquia e garantiu o triunfo com uns impressionantes 17,50 pts em 20 possíveis, num pecúlio em que incluiu uma onda de 9,33 pts. Estava selado o 11.º sucesso em eventos da divisão máxima do surf mundial e o primeiro debaixo do comando técnico do conceituado Leandro Dora, com quem trabalha desde o Margaret River Pro.
"Estou muito feliz por vencer uma competição numa verdadeira esquerda. No passado, tivemos algumas esquerdas grandes como Teahupoo e Pipe, mas não uma onda tão perfeita. Sabia que este podia ser o meu campeonato porque tenho vindo a surfar muito, a dedicar-me bastante", disse o primeiro campeão olímpico da história do surf.
Numa jornada memorável para os surfistas com filhos - a mamã Carissa Moore venceu a prova feminina - Italo Ferreira relembrou a família, que por questões profissionais teve de ser relegada para um segundo plano. Este foi igualmente o seu primeiro sucesso desde que é papá.
"Estou na estrada há dois meses, sem a minha mulher e o meu filho. Pensei que era a altura de colocar toda a minha energia neste evento. Esta é a minha energia. Agora, estou a criar uma nova vida e tem sido incrível."
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