Na madrugada desta quarta-feira em Portugal, houve finalmente a estreia lusa no Newcastle Surfest, sétima e última etapa da Challenger Series versão 2025/2026. Foi preciso esperar até ao terceiro dia de competição da prova australiana.
Com a representação cingida ao setor feminino, tivemos de aguardar até à ronda 2, que assinalou a entrada em cena das cabeças de série (top seeds) e à qual Yolanda Hopkins, Francisca Veselko e a campeã nacional Teresa Bonvalot tiveram entrada direta.
Em Merewether Beach, a jornada esteve longe de ser a mais brilhante para as cores portuguesas, contrastando com aquilo que tem sido tendência desta memorável temporada, que caminha a passos largos para o fim. Isto porque apenas Teresa Bonvalot logrou atingir os oitavos-de-final.
No entanto, este desempenho de Bonvalot mantém viva a esperança desta ser uma época perfeita para o surf feminino luso, com a qualificação de três surfistas para o CT deste ano. Teresa continua dentro da luta, procurando juntar-se a Yo-Yo e Kika, que viajaram para os antípodas já com a qualificação para a elite mundial no bolso.
Teresa Bonvalot iniciou o Newcastle Surfest com o requisito de vitória para garantir lugar na divisão máxima do surf mundial. Porém, tal obrigatoriedade poderá não ser necessária. Tudo dependerá da evolução, nos próximos dias, desta decisiva prova 'aussie'. As precoces eliminações da basca Nadia Erostarbe - quinta colocada do ranking - e da jovem brasileira Laura Raupp, que era oitava, são um bom indício.
Neste momento, a seis vezes campeã nacional Open já subiu virtualmente ao 10.º posto do ranking, mas a australiana India Robinson e a nipónica Amuro Tsuzuki, que estavam à sua frente, ainda não debutaram neste Surfest. A goofy de Cascais chegou à Austrália no 13.º lugar da hierarquia e a pouco mais de dois mil pontos da zona de qualificação, que nesta época engloba o top 7 do ranking.
A passagem de Teresa Bonvalot aos oitavos-de-final - o que já não acontecia há quatro etapas (US Open) - foi conseguida às custas da compatriota Francisca Veselko, 'vingando' assim o que aconteceu em Pipeline. As duas portuguesas encontraram-se na quarta bateria da ronda 2 feminina, naquele que foi o penúltimo heat desta quarta-feira.
Nos minutos finais, com toda a garra e determinação, Bonvalot encontrou uma esquerda num mar em que habitualmente predominam direitas, onda que valeu 6,47 pts e foi festejada efusivamente pela protagonista logo após a sua execução, ciente da importância do que estava em jogo. Assim, Teresa destronou Kika do segundo posto e seguiu em frente na competição, com o score combinado de 11,64 pts, ficando atrás da vencedora, a talentosa teenager norte-americana Eden Walla (14,83 pts).
Kika Veselko somou 10,73 pts, pontuação que daria apuramento nos restantes quatro heats realizados, mas neste caso ditou o terceiro lugar e a impossibilidade de renovar o título de campeã do Newcastle Surfest. A tube rider brasileira Anne dos Santos (7,13 pts) também ficou pelo caminho.
Antes, logo na contenda que abriu a ronda, Yolanda Hopkins ficou a uns magros 0,56 pts da passagem. Um resultado com consequências, pois assim a algarvia perdeu a possibilidade de tornar-se na primeira portuguesa a sagrar-se campeã da Challenger Series.
Hopkins começou o evento na liderança do ranking, mas perdeu essa posição para a prodigiosa Tya Zebrowski, que avançou para os oitavos-de-final e automaticamente proclamou-se vencedora da presente edição da Challenger Series. Tudo isto com... 15 anos, que foram completos há dois dias. Atrasada é verdade, mas esta foi uma bela prenda de aniversário para o fenómeno que será rookie no próximo CT.
Nos oitavos-de-final, que poderão ser disputados esta quinta-feira, Teresa Bonvalot vai reencontrar uma velha conhecida destas andanças da Challenger Series. No terceiro heat, a competidora portuguesa mede forças com a australiana Sophie McCulloch. É nada mais, nada menos do que a surfista que tirou a chance de qualificação a Bonvalot na dramática final do Haleiwa Challenger de 2022.
Agora, mais de três anos depois, surge a oportunidade de reescrever a história, num confronto em que é novamente decisivo para ambas. A coisa promete!
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