O surf feminino europeu exerceu uma superioridade jamais vista na história da Challenger Series.
Na temporada de 2025/2026, cujo epílogo ocorreu em Newcastle (Austrália) no último domingo, cinco das sete vagas femininas foram conquistadas por competidoras do velho continente, entre as quais estão as portuguesas Yolanda Hopkins e Francisca Veselko.
No entanto, além de Portugal, haverá mais uma nação estreante entre as senhoras, sendo que neste caso trata-se mesmo da primeira aparição a nível absoluto no CT. É algo que há uns anos muito poucos imaginariam que pudesse acontecer. Israel tem uma surfista na elite mundial!
A autora desta enorme proeza foi Anat Lelior, de 25 anos. A competidora orientada pelo ribatejano Manuel Gameiro ficou com o sétimo e último bilhete mundialista.
O feito ganha ainda maior relevo se atentarmos que Lelior qualificou-se à primeira tentativa na Challeger Series. Até junho do ano passado, a natural de Telavive nunca tinha participado numa etapa deste competitivo circuito. Segundo a própria, o objetivo inicial passava 'apenas' por ficar no top 15 no final da época, mas a verdade é que acabou por arrecador o maior prémio.
Anat Lelior momentos após qualificar-se para o CT'2026
WSL/Hannah Anderson
Os fortes desempenhos na reta final da longa temporada foram decisivos, com destaque para o terceiro posto na Ericeira e o quarto lugar em Pipeline, onde a goofy fez uma histórica final. Nas duas últimas etapas, ascendeu 10 (!) lugares na hierarquia.
Anat até chegou ao Surfest abaixo da zona de qualificação (top 7), mas o nono posto alcançado revelou-se suficiente, isto aliado ao que foi acontecendo às adversárias diretas. Nos quartos-de-final, três oponentes foram eliminadas de rajada e as portas do CT abriram-se. Anat Lelior não conteve as lágrimas em Merewether Beach, sendo de imediata abraçada por Manuel Gameiro, que também contribuiu decisivamente para esta grande façanha.
"É surreal. Esperar que estas raparigas perdessem foi das coisas mais difíceis que já fiz. Não sabia que uma rapariga de Israel poderia conseguir isto. Não sabia que era possível cumprir sonhos", disse com a mesma simplicidade com que no pódio de Pipeline confidenciou que só soube quem era Kelly Slater aos 13 anos .
Anat Lelior aprendeu a surfar de uma forma pouco convencional, nas águas do Mar Mediterrâneo. Tinha sete anos. "Nunca surfei no oceano enquanto crescia." Essa condicionante não impediu que fosse progredindo na modalidade, numa carreira que tem outra particularidade. Já teve de interromper a atividade para cumprir serviço militar obrigatório.
No meio deste enquandramento menos favorável, a atual líder do QS regional europeu tem levado a bandeira israelita ao mais alto patamar do surf mundial. Antes da qualificação para o CT, Anat Lelior esteve sempre presente nas provas olímpicas de surf (Tóquio'2020 e Paris'2024).
Anat Lelior nos Jogos Olímpicos de Paris'2024
ISA/Pablo Jimenez
Tudo isto numa altura em que tanta controvérsia existe à volta da participação de desportistas israelitas nas competições por causa do quadro geopolítico que o país vive. Anat nunca deixou de participar nos campeonatos, seja da WSL ou da ISA, embora recentemente já tivesse competido não debaixo do estandarte israelita, mas sim da sigla 'World'.
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