Enquanto elemento dinamizador do turismo no nosso país, o surf esteve presente na 36.ª edição da Better Tourism Lisbon Travel Market (outrora Bolsa de Turismo de Lisboa), que decorre até domingo na Feira Internacional de Lisboa (FIL).
No stand da Comunidade Intermunicipal do Oeste (OesteCIM), o Centro de Alto Rendimento de Peniche promoveu a conferência 'Turismo Desportivo de Surfing - Peniche Capital da Onda - Estratégia, Impacto e Futuro'.
Moderado pelo presidente do Peniche Surfing Clube, Paulo Morais Ferreira, o debate aconteceu ao final da manhã da última quinta-feira. Juntou um painel de oradores com ligações à modalidade em Portugal, desde a decisão política à organização de eventos mundiais e inovação privada.
Durante quase uma hora, os presentes efetuaram uma reflexão estratégica sobre o impacto económico e o futuro de Peniche como destino de surf mundial, que está inserida na "Califórnia da Europa". Denominação atribuída ao nosso país e que foi relembrada por José Farinha (ex-CEO da Rip Curl Portugal e consultor de marketing de surf)
Da conversa, saiu a revelação de que haverá um 'rebranding' do famoso conceito 'Capital de Onda', que há mais de uma década está associado a Peniche.
Quem o disse foi Ricardo Rosado, vereador da Câmara Municipal de Peniche com os pelouros do Associativismo, Desporto e Juventude, Turismo e Eventos, Cultura, Comunicação e Imagem. Inicialmente, estava convidado o presidente Filipe Sales, mas devido a uma "carga de reuniões" não pôde marcar presença, conforme explicou o vereador social-democrata.
"Acredito que a marca 'Capital da Onda' caiu um pouco nos últimos oito anos. O município vai fazer um rebranding desta marca. É obrigatório. Há um compromisso muito grande com vários parceiros, entre os quais a World Surf League. Temos condições que muitos poucos territórios têm e a importância do surf é incrível", disse Ricardo Rosado.
Com Peniche a ser um destino primordial para o surf, acolhendo atualmente a única etapa europeia do CT, o vereador não esqueceu o trabalho desenvolvido pelo antigo autarca Tozé Correia. "Há coisas que devem ser ditas e nunca ocultadas. O trabalho foi muito bem feito pelo Tozé Correia. Teve uma visão fantástica para a implementação do surf. Abriu portas e catapultou todo este projeto."
Vai fazer 17 anos que o circuito mundial de surf visitou Peniche pela primeira vez, então debaixo da filosofia 'The Search'.
"Há um surf em Portugal antes e depois de 2009", mencionou Frederico Teixeira (Project Manager da WSL Europa).
'Iko' relembrou os números do estudo de impacto socioeconómico sobre o CT de Peniche. "Acho que ninguém estava muito preparado para o impacto do campeonato. Durante o período de espera, que dura 10 ou 11 dias, o evento movimenta 20 milhões de euros e gera seis milhões de receita fiscal direta. É um case study. Não só se paga, como gera na região e também no país. Como Portugal é tão pequeno, as pessoas não vão só a Peniche. Visitam outros municípios próximos, como a Lourinhã e Óbidos."
Numa conferência em que se falou do passado, presente e futuro, o vereador Ricardo Rosado destacou igualmente a importância do parque de surf que está ser construído em Óbidos, cuja abertura de portas está prevista para dezembro próximo. "Com o projeto da Surfers Cove, o Oeste tem toda as condicões para potencializar cada vez mais esta modalidade."
Precisamente, o debate contou com a presença de elementos ligados à Surfers Cove, como Marcelo Martins (Surf Operations Manager) e Miguel Romero, responsável pelo desenvolvimento do Surf Club.
A complementaridade que a piscina de ondas artificiais oferece em relação ao mar foi exaltada. "É brutal porque o mar não oferece sempre a mesma consistência e variedade. Esta estrutura vai oferecer exatamente isso. Depois, o mar não é um ambiente controlado e nem sempre é um ambiente seguro. Em todas as horas e sessões, esta piscina vai proporcionar esse ambiente seguro. Todos os que têm o sonho de fazer surf podem começar por aqui e muitos vão aperfeiçoar, pois a repetição é que leva à evolução. Existe ainda a hipótese dos surfistas de elite chegarem ao mais alto patamar. Há um potencial enorme desde a formação/iniciação até à competição", referiu Marcelo Martins.
Através da rede de livecams, podes visualizar em direto e em tempo real toda a evolução do estado do mar e da praia.
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