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  • O 'grito do Ipiranga' de Carissa Moore: 'É uma das minhas vitórias favoritas'
    01 julho 2022
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  • Depois de tantas e tantas frustrações acumuladas nos últimos meses, a surfista havaiana deu um murro na mesa. De forma dramática, mas com muita classe à mistura, voltou a sair da água em ombros numa etapa do CT.
  • Pese embora envergue a licra amarela e seja a atual campeã mundial e olímpica, o ano competitivo de 2022 não tem vindo a ser nada fácil para os lados de Carissa Moore.

    Os sucessivos resultados frustrantes desde o início de campanha fizeram mossa e de que maneira na simpática surfista havaiana. Em El Salvador, o copo transbordou e a competidora de 29 anos não aguentou mais. Por isso, desabafou publicamente na rede social Instagram sobre o que tem atravessado. E não é coisa leve.

    Emaranhada numa teia com mais sombras do que luzes, foi deste modo que Carissa apresentou-se ao serviço no Oi Rio Pro, etapa que havia vencido na primeira vez que as melhores do mundo ali competiram. Estávamos em 2011, o ano do primeiro título mundial de Riss. Tinha somente 18 primaveras. Se nesse ano, o triunfo em Saquarema foi um passo decisivo rumo ao topo do surf mundial, agora, 11 anos depois dessa incrível façanha, o Brasil tinha de ser novamente território para dar uma pedrada no charco, qual grito do Ipiranga. 

    E as coisas não começaram nada bem para a cinco vezes campeã do mundo na Praia de Itaúna. Esteve irreconhecível na primeira ronda, naquele que terá sido o seu pior heat no CT nos últimos largos anos. Desencontrada com o mar, Moore fez um score combinado de apenas 1,80 pts (!). Caiu para a repescagem, mas aquele fraco desempenho parece ter sido o clique que a campeã olímpica necessitava. Depois, sobreviveu ao primeira 'mata-mata', apesar da jovem peruana Sol Aguirre ter assustado, e desde aí foi sempre a faturar no Maracaña do Surf.

    Nos quartos e meias-finais, desembaraçou-se de Caroline Marks e Tatiana Weston-Webb, respetivamente, duas surfistas que já este ano haviam derrotado a atual número um do ranking mundial. Porém, para a retoma ser completa faltava vergar Johanne Defay, a amiga e companheira neste périplo por El Salvador e o país irmão. Só que amigos, amigos, ondas à parte, como dizia o antigo slogan da Associação Nacional de Surfistas.

    Na final brasileira, a licra nº10 procurava dar a volta à dura estatística de três derrotas consecutivas em finais do CT. Perder significava prolongar a agonia, mas também ceder a licra amarela a Defay. 

    E foi por um triz que Riss não tropeçou novamente nas mesmas pedras, pois a última derrota em finais havia sido diante de Johanne. Numa altura em que estava contra as cordas, Moore puxou do seu orgulho de campeoníssima e sacou um 9,50 pts quando restavam pouquíssimos segundos para a conclusão da final. Foi o tudo ou nada e saiu o prémio máximo. 

    Diante da multidão que encheu o Maracaña do Surf, Carissa deu o seu 'grito do Ipiranga'. Um momento libertador, depois de tantas e tantas frustrações acumuladas nos últimos meses. A campeã havaiana não conteve as lágrimas. "Em toda a carreira, esta é uma das minhas vitórias favoritas. Senti muito apoio e amor durante o campeonato, o que torna tudo ainda mais especial. É fantástico. Sacode alguma da pressão que estava em cima de mim", disse uma aliviada e feliz Carissa Moore.

    "É sempre difícil medir forças com a minha boa amiga Johanne Defay. Este ano é uma das surfistas a ter em conta. Derrotou-me na final em G-Land. Nesta heat, estive sempre atrás. Pensei que ia ficar novamente em segundo lugar. No entanto, as coisas fluíram para o meu lado", explicou.

    Desde setembro de 2021 que a surfista de 29 anos já não saboreava uma vitória. O último triunfo tinha sido conquistado na finalíssima de Trestles e deu direito a título mundial. Agora, venceu no Brasil e carimbou o passaporte para a decisão do título de 2022. Em Trestles, novamente. 

    Uma vitória que não podia ter chegado em melhor altura. Com a temporada a entrar na fase decisiva, as rivais que se cuidem. A boa e velha Carissa Moore está de volta! 

     

     

     

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