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  • Brasileiros dominam jornada épica a caminho das finais em J-Bay
    14 julho 2022
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  • Eliminação de Toledo foi uma das surpresas dos oitavos-de-final.
  • Enfim, um dia daqueles por que todos esperam! Dos fãs às estrelas do surf mundial. Jeffreys acordou com a aquela luz especial e com ondas épicas que nos fazem imediatamente lembrar do propósito do Dream Tour. Uma jornada em cheio, com overlapping heats, três rondas recheadas de drama, algumas surpresas e performances de elevado requinte. Dos tubos profundos às linhas mais clássicas e belas, passando pelo power desmedido dos goofys. Pelo meio, o número um mundial sucumbiu, mas o Brasil saiu na mesma por cima de um dos dias mais memoráveis de surf da temporada.

    Com duas longas rondas masculinas disputadas e com os quartos-de-final femininos a rematar uma maratona de surf de excelência, daquele que dá gosto ficar a ver em frente ao ecrã, ficaram definidos os finalistas do J-Bay Open. Tudo se deverá decidir esta sexta-feira, em condições que dificilmente poderão superar as de hoje. Antes das decisões, aqui ficam sete notas sobre este dia épico, com direito a 11 ondas excelentes na prova masculina e 2 na feminina, onde o menu só não foi completo porque pelo meio faltou a nota 10 e também os carves irrepreensíveis do “nosso” Frederico Morais. Ok, imaginem tudo isto também com Medina e John John à mistura.

    Yago Dora – Desculpem os outros, mas comecemos pelo melhor surfista do momento. Yago Dora veio transfigurado da lesão e apresenta-se a cada etapa numa forma impressionante, com uma linha refinada e cheio de estilo. Até no bigode que usa. Já no Rio de Janeiro, Yago foi o melhor entre os humanos, porque Toledo esteve num nível intergaláctico. Desta vez, Toledo baixou a guardou, num dos locais em que mais domínio exerceu nos últimos anos, e Dora mostrou que o compatriota é de carne e osso. O número um caiu de forma precoce, mas a seu favor tem o facto de ter tido pela frente um dos surfistas em melhor forma no momento. Apontem aí: Neste nível, Yago Dora é candidato ao título mundial no próximo ano e, certamente, estará no top 5. O freesurfer deu lugar a um competidor feroz. A juntar a isso ainda goza do facto de ter caído na graça dos anglo-saxónicos, fruto do efeito perverso da relação amor-ódio de Gabriel Medina com estes. Tal como Italo beneficiou em 2019, no ano do título mundial. E isso acontece por dois motivos: porque tem, realmente, um surf e um estilo incrível, e porque… ainda não não ganhou nem entrou no lote dos campeões mundiais brasileiros, que varrem sem dó nem piedade os adversários internacionais.

    Italo Ferreira – Os números podem mostrar que este é um Italo muito diferente daquele que dominou o Mundo de 2019 até 2021. Há muito que um surfista da classe do campeão olímpico não vence uma etapa e o seu surf também tarda em convencer. Contudo, em J-Bay, mesmo demorando um pouco a aquecer, nos oitavos-de-final serviu a prestação do dia. Um ataque brutal e animalesco de backside às secções mais verticais, muitas vezes a desafiar a lógica da física, caindo seguro lá do alto, quase a pique, como se tivesse os pés colados na prancha. Foi uma prestação surreal. Somou 17,64 pontos, descartou uma nota excelente, que muitos desejavam ter feito, e deixou Nat Young, que até fez uma bela prestação, em combinação. Antes disso, sem grande brilhantismo, venceu o wildcard Luke Thompson. Um jovem que deixou envergonhados muitos dos wildcards que têm surgido este ano nas etapas do CT.

    Samuel Pupo – O terceiro brasileiro na equação é o rookie Pupo. Um surfista que está a evoluir cada vez mais e que atravessa um momento de enorme conexão. Depois da final em Saquarema, segue a todo o gás em J-Bay. As suas performances não estão a ser as mais mediáticas, porque tem compatriotas a ofuscarem o seu trajeto. Contudo, o nível apresentado é muito alto. Capaz de ainda colocar em cheque o título de rookie do ano que parecia destinado a Callum Robson. Até o irmão parece estar a surfar mais à boleia do mais novo da família Pupo. Não vai ser nada fácil para Jack Robinson ter de levar com Samuca nos quartos-de-final. E fica difícil perceber até onde pode chegar.

    Jack Robinson – É certo que os brasileiros dominaram em performance, mas em número os australianos conseguiram equilibrar, pois também têm três representantes nos quartos-de-final. Ainda assim, Connor O’Leary parece de longe o menos creditado de todos. E com condições idênticas dificilmente não será presa fácil para Yago. Depois, há um cada vez mais conectado Ethan Ewing, que mantém sempre a bitola média alta e que parece cada vez mais dentro do top 5 mundial. Por fim, a grande arma aussie para contrariar a tempestade brasileira é Jack Robinson, o número dois mundial, que pode aproximar-se de Toledo, mas que sabe que já não o pode passar nesta etapa. Mas com Teahupoo pela frente, Robo certamente acredita que pode colocar pressão para assaltar a licra amarela antes de Trestles. Posto isto, num dia em que Robinson eliminou o rei Kelly Slater, que esteve q.b. neste regresso, o que há a dizer sobre a performance do jovem australiano não é tanto o facto de ter feito uma das exibições do dia. É mais o facto de estar a conseguir essas notas altas etapa após etapa, mostrando ser já uma certeza. Tanta coisa mudou na carreira de Jack desde o triunfo no México no ano passado. Será que com Medina e John John era igual?

    Jordy Smith – Eis um dos surfistas que mais têm dececionado ao longo da temporada. Este ano Jordy voltou a falar em ataque ao título mundial e numa preparação diferente a pensar em tal. Sinceramente, parece já conversa fiada para patrocinadores e fãs. A verdade é que Jordy não teve uma temporada propriamente feliz. Não está longe daqueles veteranos que dão a volta de despedida, como no último ano de Parko ou Taj no Tour, por exemplo. Contudo, hoje, Jordy decidiu mostrar que, afinal, ainda há ali um pouquinho de chama no seu surf. Já não é o eterno candidato ao título mundial. Mas voltou a brilhar na onda em que carimbou o primeiro triunfo da carreira. Quem sabe se amanhã não arrecada o último. É verdade que teve uma performance muito forte, incluindo nas repescagens, onde fez o melhor score. No entanto, se analisarmos o resto da temporada, este mais parece o canto do cisne do gigante sul-africano, de imagem eternamente jovem, mas que já está nos 34 anos. Chagarão os bons sinais mostrados, finalmente, nesta jornada suficientes para escrever um belo guião de sonho na “sua” onda de eleição e perante os sul-africanos? Talvez nem sequer chegue para ultrapassar a linha perfeita de Ethan Ewing na próxima fase, perante a irregularidade com que nos tem brindado nos últimos tempos...

    Stephanie Gilmore – É um tratado assistir a Stephanie Gilmore surfar. E é um prazer ainda maior quando se junta o talento da surfista com a qualidade do mar. É daquelas combinações vencedoras. Como o gelado no calor do verão ou a lareira no frio do inverno. Não há quem resista, não há quem negue. Mesmo a caminhar para a veterania e já com poucos a acreditarem que consiga mais títulos mundiais, a verdade é que ela por cá vai andado a brindar-nos com algo que vai muito para lá da alta performance. E é assim que está cada vez mais perto de Trestles, onde tudo pode acontecer. Resumindo, pontuações à parte, não trocava mil exaustivas repetições dos desenhos artísticos de Steph nas direitas de J-Bay por uma só repetição do 9,27 de Tatiana Weston-Webb. São estilos. E ainda está para nascer alguém que consiga graciosidade tão grande em cima de uma prancha de surf.

    Carissa Moore – Esta não é a versão mais dominadora de Carissa, mas é suficiente para estar segura na liderança do ranking e, provavelmente, a caminho de mais um título mundial. Esta tarde, nem o susto que apanhou no início da bateria impediu que somasse mais um triunfo robusto a caminho das meias-finais. O triunfo no Brasil ajudou a libertar alguma pressão acumulada pela falta de triunfos, mas que nem assim lhe tirava o topo do ranking. É ela quem lidera o espetáculo numas meias-finais que têm o condão de juntar aquelas que são as quatro melhores surfistas da última metade de década no circuito. Entre elas, Tyler Wright, que regressou motivada para ainda lutar por Trestles e que atirou para fora de prova a número dois mundial Johanne Defay, que já carimbou a segunda vaga, sobrando agora três. Serão para Steph, Tatiana e Tyler? É J-Bay a colocar as coisas no lugar delas.

    Corona Open J-Bay Men’s Elimination Round 2 Results: 
    HEAT 1: Filipe Toledo (BRA) 14.33 DEF. Joshe Faulkner (ZAF) 6.76
    HEAT 2: Miguel Pupo (BRA) 12.30 DEF. Seth Moniz (HAW) 11.66
    HEAT 3: Italo Ferreira (BRA) 13.34 DEF. Luke Thompson (ZAF) 11.84
    HEAT 4: Caio Ibelli (BRA) 14.07 DEF. Jake Marshall (USA) 11.83
    HEAT 5: Griffin Colapinto (USA) 15.00 DEF. Jadson Andre (BRA) 11.03
    HEAT 6: Kelly Slater (USA) 12.26 DEF. Barron Mamiya (HAW) 9.23
    HEAT 7: Callum Robson (AUS) 12.93 DEF. Jackson Baker (AUS) 10.40
    HEAT 8: Jordy Smith (ZAF) 16.93 DEF. Kolohe Andino (USA) 14.80

    Corona Open J-Bay Men’s Round of 16 Results: 
    HEAT 1: Yago Dora (BRA) 15.17 DEF. Filipe Toledo (BRA) 12.83
    HEAT 2: Jack Robinson (AUS) 15.77 DEF. Kelly Slater (USA) 12.87
    HEAT 3: Samuel Pupo (BRA) 16.94 DEF. Callum Robson (AUS) 11.00
    HEAT 4: Italo Ferreira (BRA) 17.64 DEF. Nat Young (USA) 14.74
    HEAT 5: Kanoa Igarashi (JPN) 16.26 DEF. Caio Ibelli (BRA) 11.77
    HEAT 6: Connor O'Leary (AUS) 12.77 DEF. Miguel Pupo (BRA) 11.97
    HEAT 7: Jordy Smith (ZAF) 16.77 DEF. Griffin Colapinto (USA) 7.27
    HEAT 8: Ethan Ewing (AUS) 15.76 DEF. Matthew McGillivray (ZAF) 14.00

    Corona Open J-Bay Men’s Quarterfinal Matchups: 
    HEAT 1: Jack Robinson (AUS) vs. Samuel Pupo (BRA)
    HEAT 2: Italo Ferreira (BRA) vs. Kanoa Igarashi (JPN)
    HEAT 3: Yago Dora (BRA) vs. Connor O'Leary (AUS)
    HEAT 4: Jordy Smith (ZAF) vs. Ethan Ewing (AUS)

    Corona Open J-Bay Women’s Quarterfinal Results:
    HEAT 1: Tyler Wright (AUS) 14.00 DEF. Johanne Defay (FRA) 11.76
    HEAT 2: Stephanie Gilmore (AUS) 16.26 DEF. Gabriela Bryan (HAW) 12.17
    HEAT 3: Carissa Moore (HAW) 14.50 DEF. Caroline Marks (USA) 8.93
    HEAT 4: Tatiana Weston-Webb (BRA) 17.20 DEF. Brisa Hennessy (CRI) 13.67

    Corona Open J-Bay Women’s Semifinal Matchups:
    HEAT 1: Tyler Wright (AUS) vs. Stephanie Gilmore (AUS)
    HEAT 2: Carissa Moore (HAW) vs. Tatiana Weston-Webb (BRA)

     

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