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  • Carissa Moore, número um mundial, desabafou após novo resultado frustrante: 'Perdemos mais do que ganhamos neste jogo imprevisível'
    21 junho 2022
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  • A atual liderança do ranking feminino "apenas" está a maquilhar um ano difícil de digerir. Ainda não venceu qualquer etapa. A regularidade tem sido a chave para vestir de amarelo e sobretudo a resiliência que esta grande campeã tem demonstrado.
  • Numa altura em que faltam três etapas para o fim da presente temporada regular do Championship Tour (CT), Carissa Moore lidera o ranking mundial feminino. É a detentora da licra amarela. Sem surpresa, para muitos. 

    Está lá na frente, depois de ter vivido um 2021 inesquecível. Não só alcançou o quinto título mundial da carreira, mas também mordeu o ouro em Tóquio'2020. A par de Ítalo Ferreira é o único ser humano à face da Terra que junta o título mundial e olímpico de surf no espólio pessoal.

    Perante tal conjunto de sucessos, tudo parece um mar de rosas para a consagrada surfista havaiana. Na verdade, as coisas não são bem assim. Este ano, Carissa perdeu fulgor nitidamente, talvez evidenciando saturação competitiva após um ano tão sobrecarregado em termos físicos e psicológicos. 

    Até ao momento, nas sete etapas já disputadas, Moore ainda não conheceu o sabor da vitória. Desde 2017 que não estava há tanto tempo sem vencer. Aí foram oito campeonatos sem sair da água em ombros. Não foi campeã do mundo.

    Este ano, leva três vice-campeonatos. Numa só temporada de CT, nunca havia perdido tantos heats decisivos de forma consecutiva. Contas feitas, são três finais perdidas para três surfistas diferentes, entre as quais Moana Jones Wong, que nos tubos de Pipeline serviu uma combinação à conterrânea. Tem sido pancada atrás de pancada ao qual junta-se uma ou outra derrota em fases mais precoces dos campeonatos, o que também era raríssimo nos últimos anos. Sete diferentes surfistas já levaram a melhor sobre Carissa Moore esta época. 

    Imaginem tudo isto a entrar na cabeça de um competidor ao mais alto nível por mais laureado que seja. Certamente, não é fácil. A atual liderança do ranking "apenas" está a maquilhar um ano difícil de digerir, onde a regularidade tem sido a chave para vestir de amarelo e sobretudo a resiliência que esta grande campeã tem demonstrado. A luta contra si própria é uma constante.  

    Depois da eliminação nos quartos-de-final do El Salvador Pro, a regressada Caroline Marks foi quem fez a desfeita, Carissa Moore meteu-se à escrita na sua página oficial na rede social Instagram e abriu o coração. Junto dos seus milhares de seguidores, que têm na simpática havaiana uma fonte de inspiração, desabafou após mais um resultado frustrante. Ela, como nós, também é feita de carne e osso, ainda que muitas das vezes pareça uma máquina de competição insaciável. 

    "Levo 20 anos a competir e perder continua a ser uma porcaria. Gosto de pensar que estou a melhorar e tento encontrar os aspetos positivos. São cada vez menos os dias em que estou sentada a chorar num quarto escuro durante dois dias consecutivos", confessou a surfista de 29 anos.

    E prosseguiu: "Perdemos mais do que ganhamos neste jogo imprevisível. Por isso, temos de encontrar uma maneira de aprender com os erros, fazer as pazes com o incontrolável e redefinir o sucesso nos nossos próprios termos", afirma. Até porque as derrotas deixam marca: "O meu caráter tem sido moldado pelas derrotas", explica.

    No momento após tocar a buzina e estar consumada a eliminação, Carissa Moore revelou qual é uma das situações mais difíceis com que tem de lidar, assim que volta para terra. "Alguns dos momentos mais duros são quando temos de meter um sorriso na cara em frente às câmaras televisivas e dar a entrevista pós-heat quando só queremos é fugir dali e escondermo-nos."

    Tudo isto são sentimentos que abalam a vida de alguém, que é uma das melhores de sempre naquilo que faz diariamente. A havaiana tem a perfeita noção de que é uma privilegiada. "Sei que tudo está a acontecer como tinha de ser. Este desporto incrível tem sido o meu melhor professor. Estou honrada por vestir a licra e fazer algo que amo junto das melhores surfistas do planeta", concluiu. 

    Ninguém sabe qual será o desfecho desta temporada lá em Trestles. Riss tem abanado, mas não quebrou. Só que a sua fragilidade já foi topada pelas rivais, que querem roubar a coroa à rainha do surf mundial desde 2019. No ar, pode ficar a seguinte pergunta: será que Carissa Moore vai continuar nesta vida em 2023 à procura do recorde de títulos mundiais ou se por sua vez vai abraçar novos desafios, como a maternidade? 

    Em 2020, o plano passava por ter um ano sabático. Só que por causa da pandemia, o período sabático não foi só para si, mas sim para todas as surfistas da elite mundial...

     

     

     

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