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  • Brasil faz história em dia de julgamento perfeito no Oi Rio Pro
    27 junho 2022
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  • Pela primeira vez na história o Brasil chegou com seis surfistas aos quartos-de-final. E com quatro avançou para as meias-finais.
  • Foi uma segunda-feira histórica e memorável para o surf brasileiro! Com o Oi Rio Pro de regresso à água para definir os finalistas da etapa brasileira do CT 2022, a oitava da temporada regular, os surfistas brasileiros agigantaram-se e ofereceram um registo nunca antes feito aos milhares que fizeram a festa no areal de Saquarema. Após a realização dos oitavos-de-final e quartos-de-final da prova masculina, sobraram apenas quatro brasileiros para discutir o triunfo na etapa.

    Dessa forma, além de conseguir algo nunca antes atingido, ao colocarem seis surfistas entre os oito que entraram em cena nos quartos-de-final e a totalidade dos participantes nas meias-finais, o Brasil já sabe que vai ter um vencedor da prova masculina do Oi Rio Pro. Mas a festa pode ser ainda maior, pois na prova feminina ainda há Tatiana Weston-Webb, a surfista que é brasileira para uns, havaiana para outros, mas que representa as cores de Vera Cruz e que se chegar ao mais alto do pódio amanhã será, certamente, unânime para todos.

    Com o vento a dar tréguas, depois de dois dias de pausa, a ação regressou novamente em grande para mais um dia recheado de emoção no Maracanã do surf. Tudo começou de forma perfeita e acabou ainda melhor para os brasileiros. O triunfo do wildcard Mateus Herdy frente ao número 2 mundial Jack Robinson já era um sinal dos deuses do que estava para vir, com Filipe Toledo a abrir, mais tarde, o caminho para uma liderança do ranking cada vez mais incontestada, ou não fosse, de longe, o melhor surfista do CT 2022.

    Pouco interessa se o triunfo de Herdy deixou dúvidas no ar, a verdade é que a partir daí a tempestade brasileira tornou-se um verdadeiro festival harmonioso do país de Tom Jobim. Apenas duas notas fora da pauta, com as eliminações de Caio Ibelli e Michael Rodrigues, mas em embates frente a compatriotas. Ibelli, depois de brilhar com nota 10 no início do campeonato, saiu com combinação dada pelo mais novo dos irmãos Pupo. Por seu lado, Rodrigues não teve andamento para um Italo Ferreira em recuperação.

    Depois de três triunfos, Miguel Pupo fez o quarto frente a Nat Young e Filipe Toledo o quinto sobre o wildcard Miguel Tudela, que já tinha eliminado Gabriel Medina. Mais tarde foi a vez de Yago Dora vencer um super heat frente a Ethan Ewing, com apenas 0,10 pontos a fazerem a diferença. Com seis brasileiros nos quartos-de-final, restou aos australianos ficarem com as outras duas vagas em jogo. Primeiro por Connor O’Leary, que venceu Matthew McGillivray, e, por fim, com Callum Robson que bateu o compatriota Jackson Baker.

    Com um clima apoteótico a invadir a torcida brasileira presente em Saquarema, a organização avançou para os quartos-de-final, oferecendo mais um par de horas de grande espetáculo. Com a certeza de o Brasil ter pelo menos um finalista, na metade cimeira do quadro Samuel Pupo começou por bater Mateus Herdy. E só não marcou encontro com o irmão Miguel nas meias-finais, porque Italo Ferreira decidiu voar para conseguir precisamente o requisito que necessitava para virar uma disputa em que pareceu sempre atrás do adversário. No final deu empate, mas com a nota mais alta a decidir a contenda a favor de Italo.

    Restavam dois brasileiros frente a dois australianos. Primeiro foi Toledo a entrar na água e a deixar em combinação Connor O’Leary, confirmando o grande momento de forma que atravessa e também a qualificação mais que antecipada para a etapa final de Trestles. Com os brasileiros a beneficiarem de um empolgamento enorme, seria difícil travar o ímpeto, ainda para mais quando a resistência australiana ficou dependente de somente dois outsiders. A fechar o dia, colocando a cereja no topo da festa brasileira, Yago Dora dominou completamente Callum Robson e fez aquilo que parecia impensável.

    O dia final do Oi Rio Pro deverá acontecer já esta terça-feira, com oito surfistas ainda em prova. De um lado, o feminino, quatro surfistas de nações dispersas, com as havaianas em maioria, mas com França e Brasil também pelo meio, e com a liderança do ranking ainda em disputa. Do outro, o masculino, vai ser algo ao nível de uma final do campeonato nacional brasileiro. Dois candidatos ao título, como Italo e Toledo. Um rookie, como Samuel Pupo. E ainda um wildcard, como Yago Dora, que apresenta-se como grande ameaça a inverter a lógica no dia final, pois será ele o adversário do número um mundial nas meias-finais. Não é, de todo, descabido a vê-lo a vencer esta etapa.  

    É o enredo ideal para o fã brasileiro de surf. Um dia de julgamento perfeito, em que, finalmente, as notas respeitaram os desígnios e colocaram um ponto final em toda a cabala universal e ancestral de que os surfistas brasileiros vinham a ser alvo. Resolvido todo o problema do julgamento no CT - o mesmo julgamento que nas últimas sete temporadas valeu cinco títulos mundiais ao Brasil, três deles nas últimas três épocas -, falta apenas alinhar ali algum enviesamento do heat draw, pois com jeitinho teriam sido oito brasileiros nos quartos-de-final. E, aí sim, se faria justiça divina no surf mundial. Poucos acreditavam que a solução para o julgamento no surf demorasse apenas um dia a surgir... 

    Após esta jornada de sonho, amanhã regressa tudo ao normal. Vai ser preciso explicar que nem sempre os astros se alinham. Até porque o dia final do Oi Rio Pro já não promete um julgamento tão perfeito. Isto porque entre paulistas, catarinenses e os potiguares, alguém não vão ficar satisfeito. Tal como os de Itanhaém não deverão ter ficado assim tão felizes após aquele "empate" que derrotou Miguel Pupo. E os australianos também têm direito a queixar-se após a escassa eliminação de Jack Robinson? Ou foi só a lei da compensação a funcionar?

    Ironias à parte, a verdade é que aconteça o que acontecer amanhã, esta está a ser a melhor etapa da segunda metade da temporada do CT. Independentemente dos intervenientes que vão vencendo. Falamos do surf. Puro e duro. Das ondas. Da emoção. Toledo e companhia deram hoje uma lição ao surf mundial. Mas não só. Foi também um banho de humildade a todos os que têm trazido até ao CT o lado mais desprezível do futebol. Todos eles também julgados - e muito bem! - pela rainha hipocrisia. Hoje podem encharcar-se em alegria desmedida. Que seja imensa e que os ajude a deixar de lado por muito tempo aquilo que falta nenhuma faz ao surf mundial. 

    Oi Rio Pro Presented by Corona Men’s Round of 16 Results: 
    HEAT 1: Mateus Herdy (BRA) 11.74 DEF. Jack Robinson (AUS) 11.67
    HEAT 2: Samuel Pupo (BRA) 17.00 DEF. Caio Ibelli (BRA) 8.50
    HEAT 3: Italo Ferreira (BRA) 14.17 DEF. Michael Rodrigues (BRA) 8.10
    HEAT 4: Miguel Pupo (BRA) 15.00 DEF. Nat Young (USA) 9.94
    HEAT 5: Filipe Toledo (BRA) 13.56 DEF. Miguel Tudela (PER) 9.44
    HEAT 6: Connor O'Leary (AUS) 15.94 DEF. Matthew McGillivray (ZAF) 12.44
    HEAT 7: Yago Dora (BRA) 14.10 DEF. Ethan Ewing (AUS) 14.00
    HEAT 8: Callum Robson (AUS) 13.40 DEF. Jackson Baker (AUS) 13.17
     
    Oi Rio Pro Presented by Corona Men’s Quarterfinal Results:
    HEAT 1: Samuel Pupo (BRA) 12.80 DEF. Mateus Herdy (BRA) 8.83
    HEAT 2: Italo Ferreira (BRA) 13.34 DEF. Miguel Pupo (BRA) 13.34
    HEAT 3: Filipe Toledo (BRA) 15.10 DEF. Connor O'Leary (AUS) 8.94
    HEAT 4: Yago Dora (BRA) 14.17 DEF. Callum Robson (AUS) 7.00
     
    Oi Rio Pro Presented by Corona Men’s Semifinal Matchups:
    HEAT 1: Samuel Pupo (BRA) vs. Italo Ferreira (BRA)
    HEAT 2: Filipe Toledo (BRA) vs. Yago Dora (BRA)

    Oi Rio Pro Presented by Corona Women’s Semifinal Matchups:
    HEAT 1: Johanne Defay (FRA) vs. Gabriela Bryan (HAW)
    HEAT 2: Carissa Moore (HAW) vs. Tatiana Weston-Webb (BRA)

     

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