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  • Teresa e Yolanda resistem a uma ronda inaugural de grande nível em Snapper Rocks
    08 maio 2022
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  • Nos poucos heats que se disputaram na prova masculina Kelly Slater deu um brilho especial e tubular à festa.
  • Snapper Rocks ofereceu mais um dia de ação de sol a sol, este domingo, abrilhantado com ondas de qualidade e com performances de grande nível, numa jornada em que foi dado início à prova feminina. Um arranque agridoce para as cores nacionais, com Mafalda Lopes e Kika Veselko a ficarem pelo caminho logo na ronda inaugural, mas com Teresa Bonvalot e Yolanda Hopkins a conseguirem compensar essas eliminações, seguindo ambas para a ronda 2.

    Tal como tinha acontecido na primeira ronda masculina, a armada lusa ficou reduzida a meio, depois de Vasco Ribeiro ter conseguido superar essa fase, enquanto Frederico Morais foi eliminado. Algo que no caso feminino acaba por não ser assim tão negativo em virtude da forte presença de surfistas da elite mundial, que dominaram por completo este segundo dia de ação da etapa inaugural do circuito Challenger Series 2022. E algumas delas, por capricho do draw, cruzaram-se com surfistas portuguesas.

    A ação na Gold Coast até arrancou com a prova masculina e a realização dos seis heats que ficaram em falta na véspera para fechar a ronda 1. Seis baterias que começaram logo com o regresso em grande de Julian Wilson, em contrapartida com a eliminação surpresa de Ryan Callinan, colega de treino de Kikas, que, tal como o português, também ficou fora do cut do CT e tenta aqui a requalificação para 2023. Em sentido inverso, Zeke Lau e Leo Fioravanti iniciaram o seu trajeto em Snappers com performances convincentes, de forma a vingar essa saída do CT a meio do ano.

    No 24.º e último heat de uma longuíssima ronda inaugural masculina esteve em prova uma das grandes atrações deste campeonato, o 11 vezes campeão mundial Kelly Slater. Carimbado na segunda metade da temporada de 2022, Slater aproveitou as boas previsões para Snapper Rocks para cumprir com uma obrigação que os surfistas da elite mundial têm de estar presentes em algumas etapas deste circuito. Mas Kelly não se limitou a passear, mostrando o seu apetite voraz por tubos e conseguindo uma boa performance a caminho da ronda 2, numa disputa que foi vencida de forma convincente pelo francês Jorgann Couzinet.

    Depois disso teve início a prova feminina, com as tops mundiais a dominarem a ação. Com 12 vagas em jogo para o circuito mundial de 2023 no caso dos homens nestas Challenger Series, mas com apenas 6 no caso feminino, as surfistas que acabaram de cair do Tour no cut de meio da temporada, mostraram que não vai ser nada fácil a quem está de fora conseguir uma dessas vagas. E para dificultar ainda mais as surfistas que têm garantido o lugar na segunda metade da época, mas que decidiram ir a Snapper Rock também estiveram a um nível altíssimo, desvirtuando ainda mais a verdade competitiva desta luta pela qualificação.

    A havaiana Gabriela Bryan deu logo a receita no heat inaugural, com um triunfo de 16,50 pontos. Acima disso, apenas os 16,67 pontos da líder mundial Brisa Hennessy, os 16,77 de Molly Picklum, os 18,60 pontos de Malia Manuel e ainda os 18,77 da sete vezes campeã mundial de Stephanie Gilmore. Pelo meio, destaque também para os 16,43 pontos de Tyler Wright. Curiosamente ou não, três destes nomes enfrentaram surfistas portuguesas. Sally Fitzgibbons e Luana Silva foram as outras “despromovidas” a superar esta ronda, com a vice-campeã mundial em título Tatiana Weston-Webb a também conseguir fazê-lo. Entre as estrelas que começaram o CT 2022, apenas a rookie India Robinson ficou pelo caminho.

    Em relação à prestação da armada lusa, tudo começou no heat 5, com Mafalda Lopes a assistir de perto à enorme performance da havaiana Malia Manuel, que ficou fora do cut por apenas um lugar, depois de ter feito uma final na primeira metade da época no CT. Motivada por essa situação, Malia somou 18,60 pontos e não deu hipótese à concorrência, com a australiana e ex-top mundial Nikki van Dijk a segurar a segunda posição, com 15,80 pontos. Apesar de ter dado uma boa resposta, com 11,73 pontos, Mafalda não conseguiu melhor que o 3.º posto da bateria, à frente da japonesa Rina Matsunaga (8,10).

    O mesmo sucedeu com Kika Veselko na bateria 8, sendo que o heat da campeã nacional até poderia ser considerado o menos exigente dos quatro que envolveram surfistas portuguesas. O triunfo foi para a atual líder mundial, a costarriquenha Brisa Hennessy, que esteve um nível acima da concorrência. O quarto posto também ficou logo entregue à indonésia Kailani Johnson, que fez uma interferência. Na disputa pela qualificação os 7,04 pontos de Kika acabaram por ser insuficientes para contrariar os 10,67 da jovem australiana Sierra Kerr, que trouxe o balanço obtido com o triunfo nos trials locais. Kika e Mafalda ficaram, assim, logo fora de prova, mas com ainda mais sete etapas para inverter esta situação, sendo que no final do ano apenas os cinco melhores resultados contam para definir o ranking.

    Depois das duas primeiras baixas, coube a Teresa Bonvalot e Yolanda Hopkins inverterem esta situação, elas que beneficiaram da experiência de já terem competido neste circuito no ano passado, para absorver este impacto inicial causado pelo elevado nível do elenco feminino. No heat 10 Teresa viu a havaiana e ex-top mundial Coco Ho dominar a disputa e terminar com 15,27 pontos, mas a surfista portuguesa soube controlar a situação, garantido o segundo posto, com 11,17 pontos, à frente da japonesa Mahina Maeda (10,37) e da havaiana Moana Wong (8,50), que foi a vencedora da primeira etapa do CT 2022, em Pipeline. Além de seguir para a fase seguinte, Bonvalot ainda vingou a eliminação dos quartos-de-final do Mundial júnior de 2014, que acabou por ser vencido por Maeda. Uma surfista que prometia muito durante a fase inicial da carreira, mas que acabou por estagnar.

    Com a organização a definir o heat 13 como o último do dia, acabou por ser já sob o pôr-do-sol que Yolanda Hopkins entrou na água. E para a derradeira bateria estava guardada a melhor performance do dia, com Stephanie Gilmore a dar uma verdadeira aula de como se surfa em Snapper Rocks, com direito a tubos e quase um aéreo completado. Foram 18,77 pontos, com duas notas excelentes pelo meio, um 9 e um 9,77 pontos, e ainda um 7,93 descartado. Quem não ficou inebriada com a performance da australiana foi Yolanda, que limitou-se a fazer o suficiente para também seguir em frente, somando 12,54 pontos e controlando na perfeição a aproximação da norte-americana Sawyer Lindblad e da peruana e olímpica Daniella Rosas.

    Feitas as contas, Portugal segue com duas surfistas para a ronda 2, onde restam 32 surfistas em prova, isto numa altura em que ainda ficaram por disputar três heats desta ronda inaugural, o que faz com que Yolanda ainda não conheça as adversárias na próxima fase, apenas que vai ficar inserida no oitavo e último heat. Já Teresa Bonvalot está no heat 6, onde terá uma bateria muito equilibrada pela frente. As australianas Kobie Enright e Molly Picklum, surfista que foi relegada pelo cut do CT, e ainda a japonesa Amuro Tsuzuki serão as adversárias da campeã europeia em título, que está, assim, a um passo, tal como Yolanda, de chegar a uma fase em que já se obtém pontos valiosos para o ranking.

    A ação em Snapper Rocks regressa esta segunda-feira na Austrália, ou seja, pelas 22 horas de domingo em Portugal Continental, sendo esperadas condições idênticas às que temos visto até aqui. Ondas bem divertidas e com espaço para performances de elevado nível técnico. Um grande desafio para os três surfistas portugueses ainda em prova.

     

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