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  • Sete notas sobre o histórico Sydney Surf Pro
    24 maio 2022
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  • A segunda etapa das Challenger Series 2022 foi pródiga para o surf feminino nacional. Ao contrário do que aconteceu no masculino…
  • Ainda estamos na “ressaca” de um dos maiores feitos da história do surf nacional, mas é hora de fazer o balanço do Sydney Surf Pro, a segunda etapa das Challenger Series 2022. Uma prova vencida por surfistas fora dos padrões normais dos países que dominam o surf mundial, sendo que no feminino foi Teresa Bonvalot a festejar, enquanto Rio Waida fez história para a Indonésia do lado feminino.

    Manly Beach ofereceu uma das provas mais emocionantes dos últimos tempos, mesmo que o mar por vezes não tivesse ajudado. É certo que falamos de “barriga cheia” porque, certamente, vibrámos mais por estar na luta pelo triunfo até ao fim. Mas, patriotismos à parte, este Sydndey Surf Pro confirmou a fórmula certeira criada para este circuito, onde arestas vão sendo limados até à chegada a um produto final cada vez mais eficiente.

    Feita a festa, chegou a hora de tirar sete notas sobre aquilo que de mais importante se passou na água.

    - É inevitável falar do triunfo de Teresa Bonvalot. Nada caiu do céu para a surfista portuguesa. Teresa exibiu-se em grande nível heat após heat, mostrando inteligência e uma técnica acima da média. Foi uma performance de luxo, dominando as adversárias e sabendo, inclusivamente, superar os momentos de maior tensão, como nas meias-finais. É o confirmar daquilo que todos víamos. Era uma questão de tempo, muitos dizem. O CT também o será. Esta vitória deixa-a cada vez mais perto desse objetivo. Mas há muito trabalho pela frente. Teresa Bonvalot não pode embandeirar em arco, pois a qualificação feminina é muito mais exigente que a masculina. Há apenas 5 vagas em disputa e oito etapas. Se existirem 8 vencedoras diferentes, é fácil perceber que nem todas vão estar no CT 2023. A partir daqui já não é pedido a Teresa que vença mais etapas. Mas a regularidade será chave para a tão aguardada qualificação.  

    - Faça-se justiça a Rio Waida. O triunfo de Teresa Bonvalot tirou muito espaço mediático ao jovem indonésio, pelo menos no nosso país. Mas Waida, que foi o primeiro indonésio a vencer uma prova desta importância, também foi autor de uma performance soberba nas ondas de Manly Beach. Começou a dar espetáculo desde muito cedo e protagonizou os scores mais elevados e as disputadas mais espetaculares, eliminando nomes que pareciam destinados ao sucesso, como o brasileiro Michael Rodrigues. Na final fez aquilo que parecia impossível, ao travar Ryan Callinan. Waida parecia um veterano, mostrando-se infalível a cada onda surfada e abrindo as portas do surf mundial a outras paragens. Sai de Sydney com o momentum ideal para enfrentar os melhores do Mundo em G-Land.  

    - Vasco Ribeiro e Yolanda Hopkins são os surfistas portugueses que surgem a meio da escala. Ambos já com uma presença em oitavos-de-final a contar, mas com resultados menos conseguidos em Sydney. Algo que os deixa na metade superior do ranking, mas em posições distintas. E é aqui que se nota bem a diferença do processo de qualificação masculino para o feminino. Vasco é 19.º, mas está somente a 2215 pontos do cut, que se situa no top 10. Ou seja, está bem dentro da luta. E aqui será mais importante ser regular do que propriamente vencer uma etapa, embora quem o faça fique praticamente garantido. Mas nem todos os qualificados vão precisar de fazê-lo. Do lado feminino, Yolanda também ocupa o 19.º posto, mas já a 4045 pontos do cut, que se situa no top 5. É praticamente o dobro, o que faz sentido sendo que há metade das vagas. Isto dá para ter muita noção da dificuldade que vai ser ter lugar no CT feminino para as surfistas em prova. Será altamente provável que as cinco surfistas qualificadas tenham conseguido chegar ao fim do ano com vitórias em etapas. É praticamente esse o requisito a que Yolanda – e todas as que correm atrás – tem que apontar…

    - Do outro lado da contenda, a armada lusa tem Frederico Morais, Kika Veselko e Mafalda Lopes, que apesar de não ter avançado muito em Sydney, já mostrou uma melhor versão do seu surf. É certo que este trio não está na posição mais favorável. Todos necessitam de pontuar com urgência, não só para manter o sonho da qualificação, mas também para evitarem ficar fora da etapa final, em Haleiwa, no Havai. Contudo, é muito cedo para dramas. Das oito etapas, apenas os cinco melhores resultados contam para o ranking final. Vendo as coisas pelo lado negativo, estes surfistas já têm dois resultados para deitar fora. Mas se olharmos de um lado mais positivo, ainda têm margem para falhar mais uma vez. O pior é o calendário que vem pela frente, com Ballito e, depois, Huntington Beach, onde historicamente os portugueses se dão menos bem, no menu. É hora de esquecer este arranque de temporada e focar no que está pela frente, pois talento não falta a este trio e a recuperação ainda está bem a tempo. Nada, mas menos nada, está perdido nesta altura do campeonato.

    - A prova masculina ofereceu-nos uma meia-final entre Ryan Callinan e Leo Fioravanti, os dois últimos “despromovidos” do CT ainda em prova, enquanto da parte de cima do quadro foi a juventude a dominar. Mais do que dois amigos em ação, num heat de grande nível, esta foi a retoma para Richard “Dog” Marsh, depois de uma primeira metade de temporada fora do normal para um dos melhores técnicos da atualidade. Só falta Kikas inverter a maré, mas a avaliar pela prestação dominante do australiano e do italiano, está para breve a hora do português. No entanto, nem todos os ex-tops se estão a dar bem neste circuito. E isso só prova a enorme qualidade dos surfistas que foram selecionados pelos circuitos regionais. Tudo começa a encaixar neste sistema qualificativo.

    - Em traços gerais, os australianos voltaram a dominar, embora tenham falhado o triunfo nas finais. Talvez por estarem a competir em casa, ou não, isso só saberemos nas próximas etapas. Além dos experientes Nikki van Dijk e Ryan Callinan, vimos ainda outros nomes mais jovens a repetirem as boas performances da Gold Coast, como Dylan Moffat, por exemplo. É por isso natural que do lado masculino estejam quatro australianos dentro do cut, enquanto no feminino tenham duas representantes no top 5. Também a nova geração norte-americana voltou a dar cartas, com Caitlin Simmers firme na liderança feminina, com Alyssa Spencer a recuperar bem do tombo na Gold Coast e com Jett Schilling a ser a surpresa do lado masculino. Em sentido inverso, o Brasil continua em dificuldades. Desta vez, já com um representante nos quartos-de-final. Mas Deivid Silva não conseguiu ir mais longe que isso. Feitas as contas, apesar de haver um trio à porta do cut masculino, a verdade é que se o circuito terminasse agora não haveria qualquer brasileiro qualificado. Ainda assim, com Ballito e Huntington pela frente, este é um cenário que vai mudar. É praticamente impossível não mudar…

    - Por fim, de realçar o facto de os dois únicos tops mundiais presentes no draw inicial, os rookies Samuel Pupo e Callum Robson, terem saído de prova em cima da hora. Fez mesmo diferença não ter qualquer surfista do World Tour em prova? Não! Certamente, muitos fãs nem notaram. Finalmente, as Challenger Series tiveram uma etapa assente no propósito original. O objetivo passa por selecionar as futuras estrelas do surf mundial e nada melhor que tê-las frente a frente em competição, sem obstáculos pelo meio. Todos os surfistas em prova estavam com o mesmo desejo e motivação e isso refletiu-se num dos campeonatos mais intensos e espetaculares dos últimos tempos. WSL, esta foi a mensagem do futuro do surf mundial e é uma boa deixa para esquecerem essa coisa de surfistas do CT a estorvarem e a inverterem a verdade desportiva num dos circuitos mais bem idealizados do surf mundial. Ponham de lado a regra da obrigatoriedade ou os eventuais prize moneys de participação – sim, como no ténis! O surf, os surfistas e os fãs agradecem. Haverá assim tanta diferença nas audiências?

     

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