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  • Dia épico de tubos e aéreos em Supertubos na retoma dos candidatos
    06 março 2022
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  • Nos homens há um novo líder mundial, mesmo estando já fora de prova. Nas mulheres a licra amarela também está à beira de mudar.
  • Supertubos ofereceu, este domingo, um dos dias mais épicos de competição dos últimos tempos no nosso país, com os melhores surfistas do Mundo a responderem de forma positiva ao equilíbrio entre a ondulação e os outros elementos preponderantes da natureza, com supremacia do vento. Tubos, muitos tubos, de grande potencial quebraram durante mais de metade do dia. Depois, entraram as rampas e os aéreos, com os principais candidatos a assumirem-se, numa jornada que terminou com uma nota 10, a primeira do campeonato e também do circuito em 2022.

    Pelo meio houve muita emoção, com um novo líder do ranking masculino já confirmado e com duas surfistas de olhos postos na liderança feminina. Um total de 23 heats em que Supertubos mostrou tudo o que se pode exigir, ajudando a performances de altíssimo nível. Desta vez, com a garantia de que regressou a ordem natural ao surf mundial, sem surpresas à mistura e com os principais nomes a chegarem-se à frente na luta pela etapa e pelo topo dos rankings. Pelo quarto dia consecutivo, e ainda sem qualquer dia de pausa desde o início da janela de espera, houve ação no MEO Pro Portugal. Desta feita, a valer, depois de três dias menos espetaculares, em que o mar complicou a vida à maioria dos surfistas.

    Tudo começou pelas 7H30 com um heat em que Frederico Morais bateu o havaiano Zeke Lau, garantindo aí o melhor resultado da temporada. Talvez a única bateria da manhã que não se decidiu com tubos, mas, sim, com o power surf de Kikas. Depois disso, foi um verdadeiro desfile de tubos, com Supertubos a mostrar-se consistente em termos de perfeição, como já não víamos neste campeonato desde, muito provavelmente, a histórica edição de 2011, em que os tubos rolaram grandes e perfeitos durante três dias a fio, até coroarem Adriano de Souza numa final frente a Kelly Slater.

    Nat Young, com uma onda de 9 pontos e um score de 15,60, foi dos primeiros a brilhar, ainda o relógio estava pelas 8 horas de uma manhã solarenga e apelativa. John John Florence foi outro dos que não perdeu tempo a exibir toda a sua técnica a entubar, avançando facilmente para a ronda seguinte, enquanto nos bastidores Kelly Slater se mordia para entrar na água e provar também ele as condições. Algo que faria minutos depois, fechando a ronda com um belo tubo já na casa do excelente, que lhe valeu um triunfo suado frente a Caio Ibelli. Antes desse momento, tinham sido Jackson Baker, Kolohe Andino e Griffin Colapinto a dar nas vistas, sempre com scores altos.

    A ronda 3 masculina chegou rapidamente ao final, devido à opção de heats sobrepostos, e a organização não perdeu tempo em colocar na água logo os oitavos-de-final masculinos. Enquanto Slater batia Ibelli, já Italo começava o seu espetáculo particular, para vencer o compatriota Miguel Pupo. Mas o melhor da ronda estava guardado para o heat 2, onde Jordy Smith passeou elegância nos tubos de Peniche, ou não fosse ele o surfista em prova que mais vezes ali competiu. A uma onda de 9,17 pontos, o sul-africano somou outra de 8,17, conseguindo um total de 17,34 pontos, rumo a um aguardado duelo nos quartos-de-final frente a Italo.

    A partir daqui a ação arrefeceu um pouco. Primeiro, porque no heat seguinte Filipe Toledo garantiu cedo o triunfo, em virtude de uma lesão do rookie Jake Marshall, que foi obrigado a sair da água. De seguida, Conner Coffin e Callum Robson protagonizaram um heat bem agitado, mas com pontuações mais baixas, uma vez que os tubos com saída começavam a escassear. No heat 5 as emoções voltaram a elevar-se, com Frederico Morais a enfrentar Kanoa Igarashi. Tudo isto, sempre aliado à eficiência do sistema de overlaping heats.

    Kikas esteve ativo e entrou forte no heat, mas Kanoa Igarashi mostrou a razão de ser um dos candidatos ao título, virando a bateria a seu favor em duas ocasiões. Houve desilusão na praia com a saída de prova do português. Assim como mais tarde também houve com a derrota, sobretudo estratégica, de Kelly Slater frente a Griffin Colapinto. Um desfecho que acabou por garantir a liderança do ranking ao japonês, que já sabe que vai vestir de amarelo na perna australiana. Isto porque assim que chegou aos quartos-de-final já só Kelly o poderia superar no ranking.

    Entre os dois resultados mais desapontantes para as centenas de pessoas que preencheram o areal de Supertubos, houve ainda espaço para mais um show de John John Florence, com um tubo de 9,13 pontos, e também para o triunfo de Kolohe Andino frente a Jackson Baker, que foi o último dos rookies a cair, ainda nos oitavos-de-final. Algo bem diferente do que se passou nas duas primeiras etapas do ano. Em Supertubos não houve lugar a surpresas. Foi nessa toada que seguiram para a água os quartos-de-final femininos.

    Também aqui as principais candidatas ao título fizeram questão de recuperar terreno perdido, de forma a tentaram aproveitar a eliminação da inesperada líder do ranking, a costarriquenha Brisa Hennessy. A sete vezes campeã mundial Stephanie Gilmore mostrou que sabe entubar com estilo e bateu Johanne Defay no primeiro heat feminino do dia, sacudindo muita da pressão do cut que tinha em cima. Na bateria seguinte foi Lakey Peterson a vencer o duelo norte-americano frente a Courtney Conlogue. Estava, assim, encontrada a primeira meia-final feminina.

    De seguida, Carissa Moore venceu o heat mais esperado da ronda, frente à australiana Tyler Wright. Sete títulos mundiais na água – cinco da havaiana e dois da australiana -, num duelo que acabou por cair para o lado de Moore, apesar dos esforços de Wright em apanhar os maiores tubos. Com 16,17 pontos, a campeã mundial e olímpica garantiu passagem às meias-finais e juntou-se a Peterson como as duas surfistas que ainda podem mirar a liderança de Brisa Hennessy. Pela frente na segunda meia-final Carissa vai encontrar a brasileira e vice-campeã mundial em título Tatiana Weston-Webb, também ela em recuperação nos rankings, depois de ter vencido a rookie India Robinson numa verdadeira lição de power surf feminino.

    Com o mar já mais pequeno, mas com paredes bem levantadas a apelar ao surf progressivo das estrelas ainda em prova, chegava a altura de serem os homens a discutir a passagem às meias-finais. E se os favoritos retomaram a ordem normal das operações, também o Brasil voltou àquilo que nos habituou nos últimos anos: domínio. Primeiro com Italo Ferreira, depois com Filipe Toledo. Com o mar a ficar mesmo ao jeito de ambos, Jordy e Conner Coffin acabaram por ser presas fáceis para o reportório técnico dos dois melhores surfistas brasileiros de um Tour que está órfão de Gabriel Medina. Ambos vão discutir a primeira meia-final, com a certeza de que quem ganhar o duelo será o grande candidato a vencer esta edição do MEO Pro Portugal. E se for Italo vai fazê-lo pela terceira vez consecutiva.

    Mas a história desta épica jornada não terminava por aqui. No penúltimo heat do dia um duelo de candidatos, com John John Florence a mostrar que a lesão no joelho que o prejudicou na época passada já ficou bem longe. O havaiano deu igualmente um espetáculo de surf progressivo, com os seus snaps layback marca registada, para infelicidade de Kanoa Igarashi. O japonês sai de Peniche na liderança do ranking mundial, mas sabe que a concorrência pesada está já à porta.

    Quando parecia que o pináculo da ação estava ultrapassado, uma vez que na última bateria do dia os norte-americanos Kolohe Andino e Griffin Colapinto discutiam o estatuto de outsider do evento, eis que magia aconteceu. Apesar de ter o heat dominado, Colapinto decidiu aproveitar uma bela rampa à moda de Peniche para elevar ainda mais a fasquia e voar bem alto. Desta vez, a tempo da buzina. Uma rotação completa que rendeu um 10 unânime e pincelou de perfeição um dia já de si incrível. Com 17,83 pontos, o jovem californiano deixou Andino em combinação e ainda conseguiu o melhor score do dia. Que melhor forma para fechar a festa?

    A ação só não se prolongou porque o sol já caía no horizonte e não havia tempo necessário para coroar os campeões neste domingo gordo em Peniche, que mereceu ter essa coroação. Condições épicas que ajudaram a definir os oitos surfistas – quatro homens e quatro mulheres – que vão lutar pelo triunfo final em Supertubos, numa altura em que restam pouco mais que três horas de prova por realizar. Do lado masculino, só Colapinto nunca o fez – nem em Portugal, nem no circuito. Do lado feminino Carissa parece ter o alvo nas costas.

    A próxima chamada está marcada para as 6H50 de segunda-feira. Mesmo sabendo que o mar vai cair, o objetivo será que este seja o dia final. Com ondas menores, é certo. Mas com a certeza de que este domingo rendeu por todo o resto. Já tinha sido assim em 2009, depois de vários dias de tempestade e incerteza, com a famosa “terça-feira mágica” a convencer, inclusivamente, todos a manter por cá o circuito em definitivo. Hoje fez-se novamente história. Há dias que têm o poder de apagar toda a imagem de um evento que fica para trás. Este foi um deles. E ficará por muito tempo na memória. Não só dos fãs do surf mundial, como dos melhores surfistas do Mundo, que não se cansaram de elogiar as condições durante as flash interviews. Que venham daí, então, as finais!

    Remaining MEO Pro Portugal Presented by Rip Curl Men’s Round of 32 Results:
    HEAT 10: Frederico Morais (PRT) 11.67 DEF. Ezekiel Lau (HAW) 10.73
    HEAT 11: Nat Young (USA) 15.60 DEF. Ethan Ewing (AUS) 12.00
    HEAT 12: John John Florence (HAW) 14.43 DEF. Ryan Callinan (AUS) 8.50
    HEAT 13: Jackson Baker (AUS) 15.43 DEF. Seth Moniz (HAW) 13.27
    HEAT 14: Kolohe Andino (USA) 15.77 DEF. Lucca Mesinas (PER) 9.83
    HEAT 15: Griffin Colapinto (USA) 14.33 DEF. Jadson Andre (BRA) 8.77
    HEAT 16: Kelly Slater (USA) 14.57 DEF. Caio Ibelli (BRA) 13.37

    MEO Pro Portugal Presented by Rip Curl Men’s Round of 16 Results:
    HEAT 1: Italo Ferreira (BRA) 14.17 DEF. Miguel Pupo (BRA) 12.84
    HEAT 2: Jordy Smith (ZAF) 17.34 DEF. Connor O'Leary (AUS) 12.33
    HEAT 3: Filipe Toledo (BRA) 15.33 DEF. Jake Marshall (USA) 8.10
    HEAT 4: Conner Coffin (USA) 13.50 DEF. Callum Robson (AUS) 10.50
    HEAT 5: Kanoa Igarashi (JPN) 15.17 DEF. Frederico Morais (PRT) 13.56
    HEAT 6: John John Florence (HAW) 15.30 DEF. Nat Young (USA) 6.93
    HEAT 7: Kolohe Andino (USA) 14.33 DEF. Jackson Baker (AUS) 7.60
    HEAT 8: Griffin Colapinto (USA) 13.57 DEF. Kelly Slater (USA) 7.86

    MEO Pro Portugal Presented by Rip Curl Men’s Quarterfinals Results:
    QF 1: Italo Ferreira (BRA) 14.67 DEF. Jordy Smith (ZAF) 11.33
    QF 2: Filipe Toledo (BRA) 14.00 DEF. Conner Coffin (USA) 5.00
    QF 3: John John Florence (HAW) 12.93 DEF. Kanoa Igarashi (JPN) 10.37
    QF 4: Griffin Colapinto (USA) 17.83 DEF. Kolohe Andino (USA) 10.34 

    MEO Pro Portugal Presented by Rip Curl Women’s Quarterfinal Results:
    QF 1: Stephanie Gilmore (AUS) 12.50 DEF. Johanne Defay (FRA) 11.76
    QF 2: Lakey Peterson (USA) 12.84 DEF. Courtney Conlogue (USA) 10.33
    QF 3: Carissa Moore (HAW) 16.17 DEF. Tyler Wright (AUS) 9.00
    QF 4: Tatiana Weston-Webb (BRA) 14.66 DEF. India Robinson (AUS) 9.73

    Upcoming MEO Pro Portugal Presented by Rip Curl Men’s Semifinals Matchups:
    SF 1: Italo Ferreira (BRA) vs. Filipe Toledo (BRA)
    SF 2: John John Florence (HAW) vs. Griffin Colapinto (USA)

    Upcoming MEO Pro Portugal Presented by Rip Curl Women’s
    Semifinal Results:

    SF 1: Stephanie Gilmore (AUS) vs. Lakey Peterson (USA) 
    SF 2: Carissa Moore (HAW) vs. Tatiana Weston-Webb (BRA)

     

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