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  • Aos 18 anos, Afonso Antunes cumpriu dois sonhos de uma assentada. Estreia no CT e defrontar Kelly Slater: 'Foi surreal!'
    08 março 2022
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  • O jovem surfista luso diz que não sabe bem "descrever esta experiência". Ao mesmo tempo não esconde que foi "difícil lidar com a pressão" e que daqui para a frente tem de "trabalhar mais a parte mental", tudo para estar mais forte quando surgir nova oportunidade deste calibre.
  • No setor masculino, o MEO Pro Portugal teve 36 surfistas em prova. Entre eles, um competidor, português por sinal, que pela primeira vez teve o seu nome num heat draw de etapas do Championship Tour (CT). No caso, Afonso Antunes.

    Aos 18 anos, o vice-campeão nacional Open de 2021 recebeu o wildcard do MEO para medir forças com os melhores do mundo e logo em Supertubos, o "Pipeline português" como denomina e uma das duas ondas que mais gosta no mundo. A outra é naturalmente Pipe, por onde andou em expedição até há bem pouco tempo.

    Nesta sua primeira incursão mundialista, Afonso Antunes não só cumpriu o sonho da estreia como teve a oportunidade de realizar um outro sonho, conforme nos havia confidenciado na conferência de imprensa de lançamento do evento português. Dividir o line-up com o lendário Kelly Slater, a figura que idolatra desde muito pequeno. "Foi surreal!". É assim que Afonso define esse momento.

    Com tanto a acontecer num tão curto espaço de tempo, Afonso Antunes viveu muitas emoções no CT de Peniche. Um verdadeiro caldeirão de sentimentos. Da euforia à tristeza, passando pelos sorrisos e lágrimas, aconteceu um pouco de tudo. Quiçá tenha sido violento demais para um jovem de 18 anos, mas são também estas as experiências que fazem crescer, amadurecer e dar um passo em frente.

    Em termos competitivos, fica para a história o facto de ter vestido a licra do CT por duas vezes. O vice-campeão europeu júnior da WSL em 2020 foi eliminado na ronda de repescagens, no tal compromisso com KS, que também teve o aussie Connor O'Leary dentro de água.

    O jovem surfista português cresceu a ouvir e a ver os feitos do GOAT, sonhando um dia mais tarde repetir essas façanhas. Desta vez, os papéis inverteram-se. Foi KS que testemunhou um feito inédito na carreira de Afonso Antunes. A primeira onda que surfou numa etapa do CT.

    Com as memórias de tudo o que viveu ainda bem frescas, Afonso contou ao MEO Beachcam como foram estes dias inesquecíveis.

    Beachcam (BC) - Afonso, como descreves esta experiência que viveste no MEO Pro Portugal?

    Afonso Antunes (AA) - Não sei bem como descrever esta experiência. Tive momentos muitos bons e outros muito maus. Durante esta semana, aprendi imenso com os melhores surfistas do mundo. É um sonho tornado realidade só o facto de ter tido a oportunidade de observá-los de tão perto. Estou um pouco triste com o resultado obtido, que não era o que desejava. Fico com um sabor algo amargo, mas aconteceram coisas que não consegui controlar. Nunca tinha competido num evento assim e foi difícil lidar com a pressão. Se voltar a ter esta oportunidade nos próximos anos, talvez já venha a lidar melhor com essa pressão.

    BC - O que aconteceu naquele teu primeiro heat, onde não surfaste qualquer onda?

    AA - Durante os 10 primeiros minutos dessa bateria, o mar esteve muito parado. Era só close outs. A organização fez o restart do heat, mas os 10 minutos seguintes voltaram a ser muito parados. Achava que iam parar o campeonato. Só que o Callum Robson conseguiu apanhar uma onda e isso deixou-me um pouco desconcentrado. Porém, isso não serve de desculpa. A responsabilidade do que aconteceu é exclusivamente minha. Os nervos tomaram conta de mim. Tenho de trabalhar mais a parte mental, que é o mais difícil . Neste momento, esse é o especto principal, pois em termos de surf e físico estou bem. Ter tido a oportunidade de participar num campeonato desta envergadura deu para perceber o quão forte tenho de ser mentalmente para competir. Há milhares de pessoas a ver e mesmo na praia, todos dão-me força. Depois, dentro de água começo a pensar nisso. É preciso uma grande força mental para gerir tudo isso. Neste momento, admito que ainda não tenho capacidade para tal. 

    BC - Depois, tiveste na mesma bateria que o Kelly Slater. Como foi esse momento?

    AA - Foi surreal! Foi incrível! No dia em que foi eliminado, o Kelly estava um pouco triste. No entanto, consegui que me assinasse a licra que usei no heat contra ele. 

    BC - Anteriormente, já tinhas estado com o Kelly?

    AA - Sim. Conheci-o no Havai, quando por lá andei em janeiro e fevereiro. É uma pessoa super acessível, cinco estrelas mesmo, tanto dentro como fora de água. Aqui foi igual. Só tenho a agradecer a inspiração que foi para mim ao longo de todos estes anos e a pessoa que tem sido para comigo.

    BC - Começaste a temporada de 2022 em Peniche e agora que objetivos tens para o resto do ano?

    AA - Esta época, a base de treino vai ser a Liga MEO Surf, que é um dos melhores campeonatos nacionais do mundo, senão mesmo o melhor. Os principais objetivos passam por tentar a qualificação para o circuito Challenger Series e tentar ser campeão europeu do Pro Júnior.

     

     

     

     

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