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  • Sete apontamentos sobre a “perna havaiana” e o arranque do CT 2022
    20 fevereiro 2022
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  • Após duas etapas, o wildcard Barron Mamiya e Brisa Hennessy são os líderes dos rankings mundiais, com Sunset a contribuir bastante para um ranking virado do avesso.
  • Em menos de um mês, os melhores surfistas do Mundo disputaram já duas etapas na nova temporada de 2022. O Havai recebeu as duas primeiras paragens, com as icónicas ondas de Pipeline e Sunset Beach a servirem de palco de festas. Com ondulação em força, os tubos de Pipe e as massudas paredes de Sunset acabaram por oferecer duas etapas bem distintas. Mas ambas marcadas por muitas surpresas.

    Se em Pipe a lógica do favoritismo já tinha sido um pouco beliscada, sobretudo no lado feminino, em Sunset foi a derrocada final nos estatutos dos principais candidatos. Resultados inesperados e desfechos surreais, com momentos de muita emoção pelo meio. Anteriormente decisivo por receber a etapa final, agora, colocado logo no arranque da época, nem por isso o Havai pode ter deixado de ser importantíssimo para o que resta da temporada.

    Antes de a elite mundial rumar a Portugal, aqui ficam sete notas possíveis sobre esta imprevisível perna havaiana.

    M-a-m-i-y-a – Se em Pipe foi Moana Wong a vencer, o que não constituiu uma surpresa assim tão grande em virtude do domínio que já demonstra numa onda tão específica, em Sunset o espanto foi maior, depois do sucesso de Barron Mamiya. O jovem talento havaiano, que estava a demorar a confirmar todo o seu potencial em competição, fê-lo na altura certa, frente aos melhores do Mundo. Em Pipe já tinha dado nas vistas, perdendo nos últimos segundos para Slater. Em Sunset dizimou a concorrência. Por incrível que possa parecer, é ele o novo líder do ranking mundial. Algo que, com praticamente toda a certeza lhe vai valer uma vaga em Peniche. O resto é matemática. E essa mostra-nos que os 13320 pontos que já tem vão ser suficientes ao fim de cinco etapas para se garantir dentro do cut. No ano passado, por exemplo, o cut para o top 22 mundial no final da temporada e após 7 etapas fixou-se em 14045 pontos. Este ano o cut de meio da temporada é de 24 surfistas e acontece após cinco etapas. Dúvidas? Mamiya vai estar na segunda metade da temporada e discutir o top 5 que vai a Trestles e vai ser membro da elite mundial em 2023! Outra certeza é que depois desta histórica performance nunca mais lhe vamos trocar o i pelo y no nome…

    Rookies – A nova classe de 2022 está a dar água pelas barbas aos veteranos do Tour. Foi muito sangue novo a entrar de uma só vez, o que se mostra fruto da revolução no processo de qualificação com o começo das Challenger Series. Se nos homens houve nomes já em destaque, como João Chianca em Pipe ou Jake Marshall em Sunset, nas mulheres assistiu-se a um verdadeiro ataque ao poder. Sunset foi o palco perfeito para mostrar ao que estas jovens vêm. Nos quartos-de-final cinco das oito surfistas presentes eram rookies e duas delas conseguiram chegar às meias-finais. Para já, as havaianas Gabriela Bryan e Bettylou Sakura Johnson são as que melhor se fixam no ranking, no 6.º posto, após essas meias-finais em Sunset. Mas todas as outras novatas mostraram muito potencial para passarem o ano nesta vida de tomba gigantes. India Robinson, Luana Silva e Molly Picklum perfazem as restantes rookies e todas elas estão atualmente dentro do top 10, ou seja, dentro do cut. E à frente de consagradas como Stephanie Gilmore, Sally Fitzgibbons, Courtney Conlogue ou Tatiana Weston-Webb. As Challenger Series já tinham mostrado o talento emergente que ia chegar ao CT. E não é por acaso que até a surpreendente líder do ranking, a costarriquenha Brisa Hennessy também está ligada a isso, pois foi a única surfista a conseguir intrometer-se entre estas cinco rookies no lote de qualificadas no ano passado.

    Favoritos, mas pouco – Este surreal início de temporada teve o início de baralhar as contas e mostrar muitas surpresas. Há muito boa gente que ficou mal na fotografia. Ainda há tempo de recuperar. Mas não se iludam. São somente três etapas até ao cut. E os pontos não chegam para todos. Com Portugal e Austrália, com duas etapas, pela frente, haverá certamente nomes sonantes a cair após Margaret River. Não há muitas voltas a dar em relação a isso. É só olhar para o ranking e ver onde andam nomes como Owen Wright, que já no ano passado foi salvo por um wildcard de temporada, Ryan Callinan ou Morgan Cibilic. Embora a favor deles esteja a perna australiana, onde competem em casa. Do lado feminino acontece exatamente ao mesmo. É verdade que a WSL fica com wildcards que poderão salvaguardar algumas estrelas, mas com tanta gente mal posicionada não vai dar para todos. Até porque depois há as lesões, com nomes como Yago Dora e Caroline Marks metidos ao barulho nessas contas. E, quem sabe, se a WSL não terá de encontrar também um espaço para um eventual regresso de Medina na segunda metade da temporada? Suposições à parte, parece-nos que vamos ter uma segunda edição das Challenger Series com um elenco fortíssimo!  

    Candidato Ewing – Uma das agradáveis surpresas desta perna havaiana foi ver a confirmação da afirmação de Ethan Ewing. Foi algo que já se tinha visto no final da temporada passada e que lhe valeu a requalificação limpa. Mas em 2022 Ewing surgiu disposto a mostrar a todos que afinal ninguém anda enganado e que o jovem australiano consegue colocar todo o seu talento à prova também em competição. Depois de ter caído na ronda 3 em Pipe, em Sunset ofereceu-nos um tratado de como se surfa ali. Foi até às meias-finais, perdendo para Kanoa Igarashi, mas foi dele o título oficioso de melhor surfista do evento. Tal como também foi dele a melhor onda de todo o evento, mesmo que não tenha tido a melhor nota de todas. Fora de subjetividades, aquela exibição frente a Toledo nos oitavos-de-final foi das melhores performances recentes no CT. Culminada com uma onda de 9,67 pontos a poucos segundos do fim e com uma frieza que lhe é rara. A segunda manobra é daquelas emoldurar num quadro na parede do nosso quadro. Está em 6.º do ranking após o Havai, mas o mais importante é que parece ter mostrado que estamos, finalmente, na presença de um candidato aos primeiros lugares do ranking. Deem-lhe parede de onda que ele faz o resto!

    O Rei está vivo – Uma das melhores histórias do surf recente foi escrita em Pipeline, com o triunfo histórico de Kelly Slater a dias de completar 50 anos. Foi algo único em todo o desporto mundial que ali se presenciou e que teve o condão de fazer o rei acreditar que ainda é possível. O facto de ter vestido de amarelo em Sunset reanimou-lhe os sonhos de lutar, quem sabe, por um eventual 12.º título mundial. E foi sincero em admitir que, pelo menos, quer lutar por estar em Trestles. Já não parece ser um Slater com muitos mind games. A derrota inesperada na ronda 3 em Sunset mostrou toda a sua frustração, o que prova o quão determinado está em lutar pelos primeiros postos do ranking. Sem lesões, sem ausências misteriosas. Portugal vai ser um bom local para retomar os bons resultados. E também vai ser um bom local para nos deliciarmos a vê-lo em ação. Até porque, desta vez, não há aquela conversa do não saber se vem a Portugal. Ele já disse que vem e mais determinado que nunca em ir transformando o sonho em realidade.

    Frederico – Foi uma perna havaiana difícil de digerir para as cores nacionais e também para Kikas, tal como já o demonstrou publicamente. Talvez por as expectativas estarem demasiado altas, sobretudo para Sunset Beach. Em Pipe, o resultado final, acaba por ser dentro do esperado, pois cada ronda que passa é um bónus para o ranking. Já em Sunset era visto como um dos favoritos, embora tudo tenha acabado cedo demais. Não foi só o perder na ronda 3, foi também a forma como perdeu e para quem perdeu. Um erro tático custou-lhe um resultado melhor, num heat em que foi mais perdido por si do que vencido pelo adversário. Mas só erra quem lá está. E a verdade é que ninguém estará mais frustrado que o próprio Kikas. Felizmente, vem aí Portugal, onde poderá mostrar toda a sua garra. Frederico tem três etapas para mostrar aquilo que vale e para fugir ao cut de qualificação. A guerra por uma vaga no top 24 mundial prevê-se muito equilibrada e para os surfistas que estão fora, por agora, não há muita mais margem para falhas. Não se trata apenas de Kikas ter de remediar a situação em Peniche. Teremos de ser também todos nós a fazer de força extra para empurrá-lo heat após heat para as rondas finais. Que venha a festa do surf mundial que a pandemia nos tira há dois anos. Marquemos presença em peso. O Frederico fará o resto!

    Volta, Medina – Sim, o campeão mundial não esteve no Havai. Surpreendeu o Mundo do desporto com a confissão de estar a lutar contra a sua mente. Mas, indiretamente, Medina mexeu com a ordem das coisas no Havai. Basta olhar para as performances de Toledo e Italo, que não se conseguiram elevar nas rondas decisivas. Ou até de John John que não conseguiu chegar às finais de duas etapas onde era claro favorito. E o que isso tem que ver com ausência de Medina? Claramente, faltou o melhor competidor da atualidade a elevar o nível para que os outros o seguissem. Não há dúvidas que Gabriel Medina faz muita falta ao Tour. E até os que o “odeiam” terão noção disso. É bom para todos que volte totalmente recuperado. Para ele, para os fãs e, sobretudo, para os adversários. Esta onda de resultados surpreendentes é também consequência da sua ausência. Que volte rápido. E, com isto tudo baralhado, quem sabe se não virá ainda a tempo derevalidar o título. Já vimos coisas mais inesperadas acontecerem. E nem é preciso recuar mais que as últimas semanas para encontrar esses exemplos.

    John John Medina

     

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