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  • Havaianos explodem no adeus português em Ribeira com nível CT
    07 outubro 2021
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  • Dia marcado por inúmeras notas excelentes e com um dia pelo meio!
  • Foi um dos melhores dias que há memória em termos de ondas numa prova internacional em Ribeira d’Ilhas, quase a fazer lembrar os saudosos dias de outubro de 2014 em que Vasco Ribeiro se sagrou campeão mundial júnior. Mas nem só as ondas brilharem, com vários atletas a proporcionarem ao público performances de alto nível e um surf incrível, mostrando estar prontos para a elite mundial. Tudo junto ofereceu um dia de gala e com um nível de CT no MEO Vissla Pro Ericeira, que caminha a passos largos para as finais, mas já sem portugueses em prova.

    À tristeza pela saída de cenas das portuguesas que ainda restavam, sobrepõe-se o facto de esta nova fornada de talento ter brindado o público na praia e os que estão em casa com um nível muito elevado de surf. A frase de Alejo Muniz na flash interview diz tudo sobre esta quinta-feira incrível vivida em Ribeira: “Gosto de surfar todo o tipo de ondas, mas é para surfar nestas ondas que vivemos”. E se hoje foi bom, com tubos inclusivamente pelo meio, para amanhã está mais no horizonte. Isto para gaudio dos havaianos, que têm dominado a ação, tanto do lado masculino como do feminino.

    Tudo começou bem cedo com a ronda 3 masculina, já sem portugueses em prova. Depois de um heat sem o top mundial Deivid Silva, que desistiu de prova por problemas pessoais, o nível foi aumentando aos poucos, à medida que o mar ia acertando cada vez mais. Nat Young foi o primeiro animador de serviço, com um forte ataque de backside às direitas de Ribeira, que lhe rendeu 16,60 pontos. O costarriquenho Carlitos Muñoz, a viver uma espécie de redenção da sua carreira internacional, também gostou das condições e os 16,17 pontos somados, com uma nota 9 pelo meio, são prova disso mesmo.

    O norte-americano Cole Houshmand e os brasileiros Samuel Pupo e Alejo Muniz foram outros dos surfistas em destaque, numa altura em que os jovens promissores em prova iam ficando pelo caminho. Falamos do francês Kauli Vaast, do brasileiro Mateus Herdy, do australiano Jacob Willcox ou do norte-americano Jake Marshall, todos bem cotados para chegar à elite mundial no futuro.

    No entanto, o grande dominador da ação foi o mesmo dos dias anteriores, o havaiano Imaikalani Devault. A viver a sua grande apresentação internacional, este jovem havaiano, que tem como ponto alto da carreira uma final dos Pipe Trials, está onfire em Ribeira d’Ilhas e mostra uma conexão ímpar com a onda desde o primeiro dia. Hoje pincelou a sua exibição com laybacks à John John Florence e terminou a última bateria da ronda com 19,60 pontos e o primeiro 10 da competição. Monstruosa exibição a prometer mais e melhor daqui para a frente!

    A ação prosseguiu com a prova feminina e o nível, tal como na véspera, voltou a ser altíssimo. Tudo começou com um score de 17,20 pontos da veterana brasileira e ex-top mundial Silvana Lima que varreu a australiana e número um do seeding Keely Andrew. Numa das grandes surpresas da tarde a japonesa Shino Matsuda teve uma exibição perfeita no melhor heat da tarde, para eliminar a norte-americana e favorita Alyssa Spencer. Antes disso já a experiente francesa Pauline Ado se tinha tornado na primeira europeia a garantir uma vaga nos quartos-de-final. A ela ainda se juntaria a basca Ariane Ochoa, uma das grandes surpresas em prova.

    No heat 4 Portugal entrava na água com aspirações altas para se manter em prova. Yolanda Hopkins teve pela frente a havaiana Gabriela Bryan, com o draw a mostrar-se mais uma vez infeliz para a surfista algarvia, tal como em Huntington Beach. Apesar de tudo, Yolanda ainda conseguiu contrariar o domínio de Bryan, que vinha de uma final na etapa inaugural na Califórnia. Perto do fim a surfista portuguesa virou mesmo a bateria com uma onda no inside, pontuada com 7,83. Só que a jovem havaiana mostrou muita maturidade e serviu a resposta nos instantes finais, com 8,50 pontos, que a recolocaram na liderança.

    Antes do último heat do dia, onde se jogavam todas as aspirações portuguesas, ainda houve um triunfo sólido da costarriquenha Brisa Hennessy frente à havaiana Keala Tomoda-Bannert, afirmando-se como a última representante do CT em prova – quem diria? E mesmo antes de Teresa Bonvalot entrar em ação, coube ao futuro havaiano brilhar bem alto. Se Devault teve o momento da manhã, o da tarde foi da jovem Bettylou Sakura Johnson, com 18,66 pontos. E ainda se deu ao luxo de descartar uma onda de 9 pontos. Uma performance surreal, com um tubinho pelo meio!

    Por fim, as jovens discípulas da campeã mundial Carissa Moore ainda deram outra prova cabal de que o futuro do surf feminino mundial está bem entregue. Luana Silva Coelho, surfista havaiana, com raízes brasileiras, mostrou também ter um grande nível de surf. Infelizmente, para as cores nacionais. Contudo, apesar da vitória folgada da havaiana, Teresa Bonvalot acabou por ser traída por um incidente muito perigoso junto às rochas. Foram vários minutos de sofrimento e aflição, que felizmente terminou bem, com várias pessoas a saltarem em seu auxílio. De louvar a atitude da jovem surfista portuguesa, que saiu de uma situação extrema e regressou à água com a maior das pressas.

    Infelizmente, Teresa já não foi a tempo de tentar responder à adversária, mas despediu-se de Ribeira de cabeça bem erguida. Teresa e Yolanda terminaram a prova ambas no 9.º posto, com 3500 pontos que ainda as fazem sonhar com a qualificação, numa altura em que ainda restam duas etapas pela frente. E não deixa de ser verdade que as surfistas portuguesas tiveram uma evolução brutal nos últimos anos. O problema é que lá fora essa evolução também é estratosférica...

    Para amanhã fica marcada nova chamada para as 7H35, com o mar a prometer subir, sendo interessante perceber se a qualidade da onda se vai manter. Certo é que o nível dos artistas será garantia de mais um grande dia de ação. Isto com a prova cada vez mais perto do final, que deverá acontecer no sábado. Já sem portugueses em prova, resta admirar todo o talento que continua na luta pelo triunfo. A começar por uns quartos-de-final havaianos entre Bettylou Sakura Johnson e Luana Silva Coelho, que promete ser um dos heats do ano neste circuito Challenger Series.

     

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