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  • A repórter portuguesa que está a brilhar nas provas da WSL!
    29 outubro 2021
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  • Depois de uma passagem pela Fuel TV, agora Joana é uma das caras que mais surge durante as transmissões dos campeonatos realizados na Europa…
  • A cada campeonato que passa as suas intervenções dão cada vez mais nas vistas. Tudo começou quase que por brincadeira, mas, aos poucos, a situação foi-se tornando séria. Por ela passam todos os vencedores de baterias dos campeonatos da WSL realizados na Europa. Começou em eventos QS mais pequenos, como o de Santa Cruz ou Caparica, e, recentemente, esteve em grande plano nas etapas Challenger Series, tanto na Ericeira como em Hossegor.

    O inglês fluente pode confundir os menos informados. Contudo, não se enganem… a repórter de praia que está a dar que falar nestas importantes provas é bem portuguesa. Antes de pegar no microfone para entrevistar os surfistas, chegou a trabalhar como “Beach Marshall” nestes mesmos eventos, dando as licras aos competidores. O facto de não ser especializada na área não ofusca a forma assertiva e inteligente com que nos presenteia a cada intervenção.

    A oportunidade de assumir este papel chegou graças a um churrasco, como nos confessa. E já depois de uma primeira experiência em televisão, na Fuel TV. Por agora, sente-se realizada com a oportunidade que está a ter. No entanto, admite que um dia gostaria de fazer as etapas do CT e, mais tarde, quem sabe, chegar à televisão portuguesa. Eis Joana Garnel. A nova estrela do surf nacional, que brilha nos ecrãs dos quatro cantos do Mundo!

    Beachcam - Em primeiro lugar, explica quem é a Joana Garnel em termos profissionais e como tem sido o teu trajeto até aqui?

    Joana Garnel - Não estudei comunicação social e era uma pessoa bastante retraída nas primeiras interações. Após ter feito uma viagem sozinha pela Tailândia, Indonésia e Austrália, sinto que ganhei alguma confiança e à vontade com as pessoas. Quando regressei, um amigo falou-me de uma oportunidade de casting para um canal de TV. Concorri e acabei por ganhar. Para isso talvez tenha contribuído o facto de ter nascido na Irlanda, onde aprendi a falar e escrever em inglês até aos 10 anos. A minha experiência no canal foi bastante enriquecedora. Embora a tolerância e paciência não fosse o forte de alguns membros presentes. Não tinha experiência na área nem recebi oportunidades de formação. Por vezes, enganava-me com o nervosismo e sentia que reviravam os olhos com isso. Ficou difícil desenvolver e ganhar confiança. O descontentamento era evidente. Pensei mesmo que nunca mais ia voltar a este ramo. Até que, um dia, aconteceu um churrasco super divertido no QS em Santa Cruz. 

    B - Como surgiu a oportunidade de trabalhares com a WSL e quando tudo começou?

    JG - Já trabalhava há uns bons anos na Oceans Events como “Beach Marshall”. Fiz vários eventos, desde o CT, passando pelo QS e os do Ondas Grandes. Em 2020, no QS de Santa Cruz conheci o Ben Mondy e o Paul Evans, ambos comentadores do webcast das provas da WSL, e ainda o Wes Shaftenaar, produtor do webcast, num churrasco de equipa. A meio de uma conversa descontraída e divertida eles disseram que andavam há alguns anos à procura de uma mulher para adicionar à equipa. Algo muito necessário num evento onde há uma presença masculina muito marcada. Elogiaram o meu inglês e disseram, em tom de brincadeira, que estava contratada. E eu aceitei. No dia seguinte o produtor veio falar comigo e disse que estavam mesmo a falar a sério e que gostavam de me integrar na equipa como algo experimental para o QS da Caparica. E foi assim que tudo começou.  

    B - Como tem sido o feedback que tens recebido deste teu papel, tanto das pessoas mais próximas como a nível interno?

    JG - Tenho pessoas que entram em contacto comigo através do Instagram ou Facebook. Ou no próprio local do evento, pessoas que trabalham lá e estão atentas ao que estou a fazer. Tem sido bastante positivo, o que me deixa muito feliz e com mais confiança. A nível interno, só o facto de ter sido contratada para mais três eventos após o primeiro experimental foi super positivo e emocionante. E até agora têm gostado do meu trabalho. Falta aperfeiçoar algumas coisas, mas nada como a experiência e pesquisa para melhorar nesses aspetos.  

    B - Este trabalho com a WSL é apenas para as etapas europeias das Challenger Series e QS ou há a possibilidade de fazeres as provas do CT na Europa e também noutros continentes? 

    JG - Ainda só se falou em etapas do QS e Challenger series na Europa. Para já, o último será nos Açores, já na próxima semana. Não há mais nada em vista. Os campeonatos do CT já têm uma equipa internacional que me parece estar fixa. Mas claro que adorava fazer parte dessa equipa. 

    B - O papel de entrevistador de praia é um dos com maior destaque durante as etapas, porque está constantemente a surgir no ecrã, junto dos surfistas. É algo que te deixa nervosa ou sentes-te bem nesse papel?

    JG – Sinto-me bem neste papel, apesar de estar sempre nervosa. Estamos em direto e tudo pode correr mal. Mas na altura da entrevista já tenho algumas perguntas preparadas. Fico atenta aos heats à procura de algum pormenor interessante e muitas perguntas surgem na conversa antes do direto, de entrevistas anteriores ou coisas que vou apanhando. 

    B - Durante as últimas etapas o teu papel foi muito elogiado, desde o modo fluente como comunicas em inglês às perguntas assertivas que colocas aos surfistas. Há um grande trabalho de casa para preparares essas flash interviews ou é mais no momento, durante o heat e consoante quem vence, que te vais adaptando àquilo que vais perguntar?

    JG - Há algum trabalho de casa. Desde que me é cedida a lista dos atletas que vão participar no campeonato, faço um apanhado geral da posição em que estão no ranking, percurso, etc. Mas os eventos são todos diferentes e aquilo que eu pesquiso toda gente já sabe de antemão se também forem pesquisar. Acho mais interessante procurar o que as pessoas querem saber, algo que se passou antes ou durante os heats, o equipamento, o que andam a fazer, algo que tenha reparado durante o evento... 

    B - Quais as tuas grandes referências nesta área, tanto em termos do mundo do surf, como de um modo mais generalista?

    JG - Tenho uma grande admiração pelos meus colegas, Ben Mondy e Paul Evans, que são capazes de falar durante 12 horas seguidas sem nunca deixarem de ser interessantes e divertidos. Passo o dia inteiro com o auricular a ouvir o broadcast e não me canso deles. Não posso obviamente deixar de mencionar a Rosie Hodge, que é a grande representante das mulheres, tanto no surf como na própria WSL e uma grande referência para mim. De um modo mais generalista gosto muito da energia da Cat Deeley [britânica que é estrela na TV norte-americana] como apresentadora. 

    B - Há uma certa ideia de que todos os trabalhos que envolvem o surf e o circuito mundial são de sonho, pois estão muito associados a viajar pelo Mundo. Do ponto de vista do teu trabalho, esta é uma visão verdadeira ou também há muitas dificuldades associadas a este estilo de vida?

    JG - Há algumas dificuldades em deixar a vida presente para poder ausentar-me. Mas tenho uma vida muito estável e já habituada a estes afastamentos temporários. Trabalhei dois anos na aviação, portanto a ideia de viajar e estar longe de casa já é algo à qual estou habituada. 

    B - Numa altura em que é cada vez mais falada a questão da igualdade de géneros, sentes que a WSL está a apostar mesmo a sério nesse combate à desigualdade e que esta tua aparição é também uma das muitas provas disso mesmo?

    JG - Espero que sim, porque uma das razões principais para me contratarem foi o facto de ser um mundo muito masculino, sem grande espaço e holofote nas mulheres. A WSL tem feito bastante para integrar de igual forma as mulheres no circuito. Desde surfar nas mesmas condições que os homens, ao prémio monetário. Para finalizar, espero que outras miúdas olhem para mim e percebam que com força de vontade e trabalho também podem chegar até onde eu cheguei ou ainda mais longe.

    B - Qual a flash interview mais memorável, em teu entender, que já fizeste e quais os surfistas que te deram mais gozo conversar após os heats?

    JG - Memoráveis são todas aquelas em que consigo arrancar uma gargalhada aos atletas. Ah e a do Conor O’Leary também foi épica, porque entrevistei-o ainda às cavalitas do Wade Carmichael e do Cooper Chapman, a celebrar a vitória em Hossegor. A Brissa Hennessy é a pessoa mais amorosa de sempre. Mas a personalidade mais carismática é, sem dúvida, o Jackson Baker, que em qualquer circunstância é sempre divertido e ao mesmo tempo interessante. 

    B - Já agora, por outro lado, qual a experiência mais marcante pela negativa que possas contar...

    JG - Experiência negativa nunca tive! Às vezes posso ter experiências mais difíceis, ao apanhar alguns atletas que respondem só “sim” ou “não”. Mas também não condeno, pois nem toda a gente se sente confortável a falar fora da língua materna ou simplesmente ficam nervosos em frente às câmaras. Nesses casos tento deixá-los o mais relaxados possível para a conversa fluir o melhor que der. 

    B - Qual o teu sonho profissional ou até onde gostavas de chegar neste ramo?

    JG - Baby steps! Por agora estou focada a 100 por cento na WSL, no próximo evento e sem grande pensamento em relação ao futuro. Adorava continuar a minha ligação com eles e um dia chegar ao CT. Se pensar noutros voos maiores, gostava de um dia fazer algo na televisão portuguesa. Who knows!

     

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