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  • Sete apontamentos sobre o Corona Open México
    14 agosto 2021
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  • Foram quatro dias seguidos de muito surf, sempre com condições de Dream Tour. Melhor era impossível!
  • Era a penúltima etapa da época regular, mas abruptamente passou a ser a último. Tentou aconteceu após o anunciado cancelamento da etapa do Taiti, devido às medidas impostas pela França para combater a pandemia. De repente, já com alguns competidores fora de prova, todos perceberam que era em Barra de la Cruz que todas as contas seriam finalizadas. Injusto, diriam muitos, mas irreversível.

    À parte de tudo isto, as famosas direitas de Barra iam proporcionando um espetáculo incrível, naquela que foi, sem dúvida, a melhor etapa do ano. Mesmo perante o imenso rol de surpresas que foram acontecendo. Foram quatro dias seguidos de muito surf, sempre com condições de Dream Tour. Melhor era impossível, de forma a corrigir a injustiça de uma suspensão inesperada da etapa final.

    Feitas as contas dos vencedores e vencidos, Stephanie Gilmore somou mais um título ao seu longo historial, enquanto no outro oposto Jack Robinson estreou-se a vencer. Ambos com a coincidência de serem australianos, naquele que foi um pequeno frito de revolta do surf aussie. Eis sete notas sobre o Corona Open México e as implicações que teve em toda a temporada.

    - Comecemos pela onda, que, em ano de pandemia, foi das melhores coisas que aconteceu ao Tour. Pena que não esteja no calendário do próximo ano. Ainda existe um espaço nesse calendário, para a grande final, mas não seria justo fazer numa onda que não oferecesse direitas e esquerdas. Ainda assim, com tanta incerteza causada pela pandemia, não sabemos se o Tour não volta lá após a supressão de outra qualquer etapa. Só o futuro o dirá… Mas é certo que a WSL saberá melhor que ninguém como lidar com a situação. Aliás, há que saudar o trabalho feito pela organização que lidera o surf mundial. Mesmo perante todas as críticas, seria difícil fazer melhor frente a tamanha incerteza instalada pela pandemia. Alguém faria melhor? E mesmo perante todos os imprevistos e inconvenientes, será sempre melhor ver surf a acontecer do que ficar mais um ano a salivar… Parabéns!

    - Nos homens triunfou Jack Robinson. Infelizmente, porque significou que deixou Kikas pelo caminho. Felizmente, para o talento emergente do Tour e, sobretudo, para os australianos que veem a sua armada cada vez mais diluída. Robo confirmou finalmente todo o seu talento em competição. É normal que isso aconteça quando a ação sucede em condições incríveis. Talvez o facto de se ter juntado ao treinador Leandro Dora, pai de Yago, tenha feito também muita diferença. Resta perceber se Jack tem vontade de assumir uma bandeira à deriva, entregue basicamente à sua juventude e órfã de referências, com Owen Wright e Julian Wilson a serem os últimos pregos nesse caixão. Além de Robinson, Ethan Ewing e Morgan Cibilic – pelo meio ainda há Ryan Callinan – têm a palavra em 2022.

    - Mateus Herdy reacendeu a chama dos wildcards letais, fazendo lembrar os tempos de Bruno Santos no Taiti. Não falamos daqueles locais que são convidados e beneficiam da experiência na onda para ir derrubando algumas estrelas. Falamos de um jovem talento que chegou ao México e colocou todos em sentido. Faltou a experiência da idade no dia final para chegar ainda mais longe, depois de ter proporcionado aquele que pode bem ser considerado o momento do campeonato e até a manobra do ano. Só mesmo um desatento poderia questionar aquele incrível aéreo frente a Italo, depois de um bottom insano. O mais incrível disto é um talentoso surfista como Mateus Herdy não se ter qualificado para as Challenger Series. Deem-lhe já um wildcard para as CS, pois é disto que há falta no Tour. Não interessa se é brasileiro ou dinamarquês. Aqui é o talento que fala mais alto!

    - Do outro lado, foi Stephanie Gilmore a vencer. E convencer. Há muito tempo que não víamos Steph sorrir. Curiosamente, desde a última vez que o Tour passou por uma direita tão perfeita, como a de Honolua Bay. Após uma temporada atribulada e um falhanço olímpico, Gilmore surgiu revigorada no México. Um triunfo que a pode embalar para Trestles. E ninguém duvida da sua capacidade. Mas será Stephanie capaz de superar três adversárias e ainda ter de enfrentar Carissa Moore, pelo menos, mais duas vezes – três, no pior dos cenários -, num só dia? Este novo formato de final (afinal) não é assim tão injusto para os primeiros do ranking. Lembram-se do último surfista a fazer seis/cinco heats num só dia? E acreditando que em Trestles os heats não terão só 30 minutos… Uma tarefa hercúlea para quem corre atrás do prejuízo. Só ao alcance de predestinados. Como Steph, por exemplo.

    - Conner Coffin e Morgan Cibilic garantiram no México uma espécie de prémio carreira. Tiramos o chapéu pela temporada regular que tiveram. E era previsível que o surf de Coffin rebentasse nestas direitas. Contudo, poucos são os que acreditam que possam fazer estragos em Trestles. A não ser quando se enfrentarem logo no primeiro heat. Já agora, permitam esta dúvida: qual a vantagem do quarto do ranking sobre o quinto na finalíssima? Começa com prioridade? Brincadeiras à parte, a rifa calhou ao norte-americano e ao australiano, depois de uma etapa cheia de surpresas, em que beneficiaram, sobretudo, da incompetência de Kanoa Igarashi e Griffin Colapinto. Mas o surfista que colocou em causa as contas até final foi o nosso Frederico Morais. E isso diz bem da temporada que Kikas fez, terminando num histórico 10.º posto, que por pouco não foi bem mais alto. Que venha 2022!

    - Por falar em Trestles, apesar de Toledo lá viver e muitos olharem para a onda como sendo à medida do surf do número três mundial, é difícil não ver o título mundial entregue a Gabriel Medina ou Italo Ferreira, com vantagem para o primeiro, até pelo ranking que ocupa e as vantagens que isso dá na etapa final. Mesmo com Toledo a beneficiar do local, a diferença destes dois para os outros é enorme. Seria uma surpresa se assim não fosse. Mas praticamente certo mesmo é que o título vai para o Brasil, que acaba com três surfistas no top 3. Na luta final logo se vê quem ganhará, mas, neste momento, Medina parece capaz de tirar mais coelhos da cartola em situações delicadas. Embora Italo ainda guarde consigo o balanço olímpico. Vai ser giro de ver. (Quase) Como aconteceu no ano passado em Pipe….

    - Por fim, nota para a despedida de Adriano de Souza. Uma personagem única no surf mundial, que veio do zero ao topo, com muita ambição e abnegação, mostrando a todos que é possível. Mesmo depois de um momento que o poderia derrotar, após lutar anos e anos sozinho e ver Medina ser o primeiro brasileiro campeão do Mundo, Mineiro renasceu das cinzas e respondeu com o título de 2015. Algo que muitos, especialmente anglo-saxónicos, nunca imaginariam. Foi feita justiça a uma carreira ímpar, com uma bela despedida, que outros não souberam ter. Mas o mais importante a retirar daquele ato foi a incrível união brasileira, retratada perfeitamente naquele momento. O talento canarinho tem feito a diferença nos últimos anos. Mas não é só isso…

    John John Medina

     

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