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  • Sete momentos que marcaram a temporada regular do CT 2021
    18 agosto 2021
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  • Falta o remate final em Trestles, onde ficaremos a conhecer os novos campeões do mundo de surf. É já em setembro.
  • Depois de um ano sem atividade, o Mundial de 2020 foi cancelado por causa da pandemia do novo coronavírus, a World Surf League (WSL) deitou mãos à obra e conseguiu com muito esforço e dedicação erguer o primeiro Tour da história realizado debaixo de um contexto pandémico.

    Por isso mesmo a palavra de ordem foi imprevisibilidade, uma palavra tão ligada ao surf, mas que desta vez também influenciou o rumo dos acontecimentos fora de água. Desde o primeiro dia até ao último, como bem se viu com o cancelamento à última hora da etapa de Teahupoo. Ia fechar a temporada regular de 2021, mas tudo acabou no México.

    Com muitas trocas e baldrocas em termos de destinos de etapas ao qual juntou-se uma mudança do formato competitivo do World Championship Tour (WCT), a verdade é que os melhores surfistas do planeta voltaram à ação e nós, os fãs espalhados pelo mundo, voltámos a ficar com os olhos colados às transmissões em direto da WSL, muitas das vezes em horários impróprios, como foi o caso da extenuante perna australiana.

    Entre dezembro de 2020 e agosto de 2021 foram realizadas sete etapas. De Pipeline a Barra de le Cruz, passando pela Austrália e o Surf Ranch, estes foram palcos que nos possibilitaram saciar a fome de surf.

    E tudo sem ter sido detetado um único caso de surfistas infetados com o novo coronavírus, isto apesar de vários membros do staff da WSL terem testado positivo à doença no decurso do Pipe Masters, o que obrigou à suspensão temporária da prova. Tirando isso, resultou na perfeição as bolhas criadas pela organização liderada por Erik Logan. Uma importante demonstração de segurança sanitária aquela que foi exibida, depois de um arranque turbulento.

    Falta o remate final em Trestles, onde ficaremos a conhecer os novos campeões do mundo de surf. É já em setembro.

    Para já, ficam sete momentos que marcaram a temporada regular deste Mundial em tempos de pandemia:

    - A história desta temporada começou onde por tradição tudo costumava acabar. Pipeline. A onda rainha do surf mundial. Um destino no qual um dos seus filhos tardava em obter a felicidade plena. Aconteceu em 2020 às portas do Natal, assim manda a tradição do Pipe Masters ou mandava dado o calendário que teremos para 2022. Depois de inúmeras vezes a bater na barra, relembre-se a dramática final de 2017, John John Florence conseguiu finalmente consagrar-se Pipe Master. Estava quebrada a malapata na onda que John John conhece como poucos. Uma vitória conseguida in-extremis diante de Gabriel Medina. Já recuperado da última lesão, John John vestia a licra amarela e posicionava-se como a mais séria ameaça à armada brasileira, sendo mesmo visto por muitos como o principal favorito ao título. Não foi assim. Em plena perna australiana uma nova lesão grave, desta vez nos ligamentos do joelho esquerdo, hipotecou todas as hipóteses de Florence deixar uma marca mais profunda neste Mundial. Para o futuro, fica a questão: conseguirá John John Florence estar de forma contínua ao mais alto nível?

    - Ainda relacionado com Pipeline tivemos a oportunidade de viver algo inédito naquela temida bancada. Pela primeira vez na história do surf de competição as mulheres tiveram a oportunidade de surfar em Pipe uma etapa pontuável para o ranking mundial feminino. Tudo por culpa de um ataque de tubarão em Honolua Bay, tradicional palco do Maui Pro, o que obrigou a WSL a transferir o que restava do campeonato para a tubular onda situada na ilha havaiana de Oahu. Em Pipeline, foram disputadas quatro baterias. Tyler Wright foi a vencedora, tendo ali vivido o zénite da sua campanha. Depois veio um apagão exibicional que desembocou na ausência em Trestles. A presença das senhoras na meca do surf mundial foi sem dúvida um momento histórico e que representa mais um avanço na igualdade de género, que é tão defendida pela WSL. E a aposta nesta fórmula é para manter já no próximo ano. No entanto, apesar deste ar fresco há ainda um importante caminho a percorrer neste capítulo igualitário. 

    - Continuando a escrever caracteres sobre o surf feminino, este continuou a quebrar barreiras na perna australiana. Em Merewether Beach, nas meias-finais da Rip Curl Newcastle Cup, Carissa Moore sacou um air reverse que aterrou com sucesso e deixou a comunidade surfista de boca aberta com o que tinha acabado de fazer. Naturalmente que valeu a pontuação máxima, 10,00 pontos, aquele que é um dos maiores aéreos jamais visto no surf de competição feminino. Numa fase em que vemos o Tour masculino a ser invadido por manobras voadoras, rapidamente pensou-se que Carissa ao protagonizar este arrojado movimento poderia ter dado o mote para algo que se tornasse mais habitual entre as melhores surfistas do mundo. Para já, a verdade é que nas etapas seguintes não vimos ninguém a arriscar aéreos deste calibre. 

    - A interminável perna australiana ficou ainda marcada pelo nascimento de uma estrela, pelo menos assim parece. Morgan Cibilic. Rookie no CT, este australiano aproveitou ao máximo as etapas caseiras para catapultar-se para o estrelato com exibições memoráveis. Em Newcastle, Cibilic saltou para as bocas do mundo quando  eliminou com estrondo o então líder do ranking mundial masculino, John John Florence. Pensava-se que poderia ter sido sorte de principiante, mas a verdade é que diante do mesmo repetiu a gracinha em Narrabeen. Depois, atingiu em Rottnest Island a sua primeira final no Mundial. Morgan palmilhou um caminhou invejável que só terminou ao meter-se na finalíssima de Trestles, onde no seu ano de estreia nestas lides vai lutar pelo título mundial. Pelo meio, já garantiu o sempre importante título de rookie do ano. Uma história de sonho que deu uma nova alma ao surf australiano masculino, que andava pelas ruas da amargura face às sucessivas desilusões dos seus nomes de ponta.

    - Depois da Austrália, a caravana mundialista seguiu para o Rancho do GOAT Kelly Slater, no qual está montada a famosa piscina de ondas artificiais. No setor masculino, este é um território que vinha a ser dominado exclusivamente por Gabriel Medina. No entanto, desta vez tudo foi diferente. E tal como John John em Pipeline, saiu vencedor quem há muito andava a acariciar a vitória naquela latitude, mas ainda não tinha conseguido agarrar a mesma. Filipe Toledo quebrou a hegemonia do compatriota e proclamou-se pela primeira vez campeão da etapa do Surf Ranch. Depois da vitória obtida no Main Break em Margaret River, Filipinho lançou um novo aviso à navegação. É preciso contar seriamente com ele para a disputa do título mundial, ainda por cima tendo Trestles como palco da finalíssima ou não fosse esta a onda que está situada à porta de residência de Toledo.

    - Também no Surf Ranch, mas entre as senhoras, Johanne Defay deu uma masterclass e voltou a mostrar porque razão é considerada a melhor surfista europeia da história. Sempre muito bem adaptada aquela onda, Johanne brilhou na piscina e voltou a vencer no WWT, depois de quase três anos a seco. Suplantou Carissa Moore, o que não está ao alcance de qualquer surfista, e deixou a Califórnia num incrível segundo lugar do ranking mundial feminino. Foi a performance que referendou uma temporada onde desde a primeira hora esta francesa tem estado ao mais alto nível. É verdade que após o México ficou ranqueada na quarta posição, mas numa altura em que é uma lança em África no que diz respeito a surfistas europeias no WWT, Johanne parece mais focada, madura e determinada do que nunca em estar totalmente envolvida na luta pelo título mundial. As sensações que emana é que está atravessar a melhor forma de sempre. Se porventura conseguisse alcançar o heat decisivo em Trestles, seria algo estrondoso! 

    - Por último, a temporada regular de 2021 do CT fica gravada como aquela em que acontece uma importante e significativa mudança geracional no que diz respeito ao setor masculino. Nomes como Adriano de Souza, Jeremy Flores, Julian Wilson e até o próprio Mikey Wright saíram de cena, enquanto figuras como Owen Wright e Michel Bourez não conseguiram a requalificação direta para o WCT de 2022. Por sua vez, jovens emergentes como Morgan Cibilic, Griffin Colapinto ou Jack Robinson romperam com o status quo e gritaram a viva voz que daqui para a frente serão eles os protagonistas ao lado de Medina, Ítalo e companhia. No meio desta denominada troca de guarda, há um nome que continua a estar firme e hirto nesta turma mundialista. De seu nome, Kelly Slater. Vai fazer 50 primaveras no próximo ano. Dá que pensar, não dá? 

     

     

     

     

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