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  • Sete notas soltas sobre o Margaret River Pro
    12 maio 2021
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  • Expectativas eram altas, mas acabaram por ser defraudadas por episódios inesperados.
  • O Margaret River Pro terminou há dois dias, mas ainda muita poeira está no ar sobre a primeira etapa do Oeste australiano e a penúltima no Down Under. Esta era uma etapa muito aguardada, sobretudo devido às previsões das ondas. No fim, tudo serviu para baralhar as contas dos favoritos. Ondas grandes, eliminações surpresas, várias deceções e outras tantas confirmações. Pelo meio o nosso Kikas conseguiu um importante 9.º posto, num campeonato que lhe correu dentro da normalidade, ainda que sem o brilhantismo mostrado em Newcastle.

    Foi mais um ano na etapa mal-amada do calendário, que, curiosamente, foi a única australiana a permanecer neste ano atípico. No fim, venceu o Brasil. Graças a Filipe Toledo e Tatiana Weston-Webb. Eis sete apontamentos sobre a quarta etapa do CT 2021.

    - O primeiro é óbvio: O Brasil domina em toda a linha. Em 2017 já tinha acontecido dois brasileiros no pódio. Em Margaret voltou a acontecer. Mas o maior domínio é no masculino. Três vitórias seguidas em etapas, o que já não acontecia desde 2018 e as incríveis sete vitórias seguidas canarinhas; top 3 do ranking exclusivamente brasileiro; e 11 eventos seguidos com pelo menos um brasileiro na final. A última final sem brasileiros tinha sido precisamente em Margaret, em 2019. Desde que a tempestade brasileira chegou “oficialmente” ao Tour, com Gabriel Medina em 2011, a partir de Trestles, disputaram-se 95 etapas, sendo que 37 foram vencidas por brasileiros (0,39 por cento, ou seja, mais de um terço). Mas se avançarmos até 2015, ano em que Italo entrou no WCT e reforçou ainda mais a elite brasileira, então, contamos 30 vitórias em 59 etapas. Trocando por miúdos, nos últimos cinco anos e meio os brasileiros venceram mais de metade das etapas disputadas. É preciso dizer mais alguma coisa?

    - Entre os brasileiros destaque natural para os vencedores. Tatiana Weston-Webb tem-se mostrado a competidora mais regular no campeonato à margem do de Carissa, que impera neste momento no circuito feminino, e foi premiada com um soberbo triunfo, sem espinhas. Os resultados na Austrália parecem prometer top 5 no final da temporada, o que não deixa de ser uma meia surpresa. O mesmo acontece com Toledo, depois de um arranque enguiçado. Só que aqui não há grande surpresa, caso este chegue a Trestles. O top 3 é brasileiro e poucos eram aqueles que no início do ano não colocavam o trio maravilha canarinho dentro dos candidatos à finalíssima. Curiosamente, num palco onde Toledo se tornará ainda mais favorito.  

    - O quarto nome que todos colocariam é o mesmo que chegou a ter uma mão no caneco de 2019, depois de um arranque de temporada temendo. Só que as lesões parecem não ter fim para John John Florence. Depois de um início de campeonato a todo o gás, o havaiano parecia lançado para mais um triunfo no Oeste australiano, com direto a lição para os rivais. Só que o joelho cedeu. São várias as perguntas que ficam no ar. Desde a recuperação a tempo para Tóquio, até à possibilidade de se aguentar no top 5. A verdade é que entre uma e outra, em 2021, a prioridade da grande maioria é os Jogos Olímpicos. Veremos como Florence irá recuperar de mais este contratempo e se chegará em condições de evitar mais um “massacre” brasileiro na presente temporada, tal como em 2019, quando Italo venceu dois títulos mundiais.

    - Uma das grandes surpresas, ou talvez confirmações, foi Griffin Colapinto. O jovem norte-americano despertou e conseguiu uma grande performance em Margaret. Algo que há muito já devia a todos os fãs do surf. Colapinto é dos surfistas mais entusiasmantes do CT fora de baterias e, neste campeonato, conseguiu sê-lo também de licra vestida. Foi por pouco que não chegou à final, prejudicado, talvez, pelo facto de ter entrado nas meias-finais “a frio”, enquanto os rivais já tinha disputado os quartos-de-final. Promete ser um dos nomes fortes para os próximos eventos. Irá ser ele o nome surpresa do top 5 do final de ano?

    - Em sentido inverso, os surfistas que menos em forma estiveram... E pela quarta etapa consecutiva vimos um Julian Wilson irreconhecível. Mais estranho ainda quando precisa de um resultado para inverter o momento que atravessa. Olhamos para Julian e ainda vemos um jovem com carimbo de candidato ao título. Mas depois vemos os seus heats e parece que estamos na presença de um veterano que está na sua época de despedida. O heat frente a Jordy em Margaret é candidato a pior do ano, ou pelo menos, mais entediante do ano. Se no início da época muitos questionavam se havia lugar no top 5 para o australiano, talvez o mais justo, agora, seja questionar se ainda há lugar para Julian Wilson no CT da próxima temporada?

    - Margaret River é, injustamente, a onda menos predileta do CT. Já o é há vários anos, mesmo que mostre ser a mais consistente de todas as paragens australianas, sobretudo em termos de swell e tamanho do mar. Este ano a expectativa era grande, em virtude da ondulação que entrou. Houve fogo de artifício, por vezes, mas no fim fica sempre a sensação de que as canas estavam molhadas. Não ajudou o facto de não termos passado por The Box, é certo. Mas há sempre algo que não ajuda a que esta etapa seja ainda mais explosiva. As ondas chegaram, mas a onda em si parece ter a falta de algo que apimente o espetáculo. Que o digam os regulares que raramente encontraram a parede de onda que necessitavam… Depois, acontecimentos como a lesão de John John também tiraram espetacularidade ao decorrer da prova. Nada parece ajudar na West Oz. Está longe de ser a melhor etapa do circuito. Mas daí a considerarem esta a pior paragem do “antigo” Tour, calma lá…

    - Por fim, o nosso Kikas. Foi um dos prejudicados por essa característica da onda, que muitas vezes oferece uma enorme massa de água e que depois não dá espaço para ser trabalhada. Sinceramente, Frederico não pareceu estar em boa forma em termos de conexão com o mar, sobretudo comparando com as etapas anteriores. Mas quando assim é e mesmo assim se deixa a etapa num 9.º lugar… Nada a dizer. Que fosse sempre assim! Neste momento, o surfista português beneficia do estatuto de top seed e isso faz toda a diferença no caminho, pelo menos, até aos oitavos-de-final, pois os candidatos nem se atravessam no seu caminho até essa fase. É aproveitar, mais que nunca, a posição que tem, pois pode ser extremamente útil para um lugar histórico no final da temporada.

    John John Medina

     

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