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  • É tudo deles! Triunfos brasileiros no Margaret River Pro
    10 maio 2021
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  • Em três etapas na Austrália, três brasileiros saíram como vencedores do lado masculinos. Os três estão na frente do ranking.
  • Foi um dia final emotivo em Margaret River, com o amanhecer no oeste australiano a trazer a notícia chocante da perda de Jack Macaulay, talentoso surfista local, filho do ex-top mundial Dave Macaulay e irmão de Bronte Macaulay. A ação arrancou com uma singela homenagem ao jovem australiano, cujas causas da morte não foram reveladas, e seguiu depois a grande ritmo para coroar os campeões.

    Com Bronte ainda em prova e a decidir competir na sua meia-final para homenagear o irmão, a história prometia ter uma pitada extra de emoção. Contudo, a tempestade brasileira voltou a surgir no canal e levou tudo atrás. Desta vez, levou mesmo tudo. Vitória na prova masculina, como aconteceu em todas as etapas australianas até ao momento. E vitória também na feminina. Filipe Toledo e Tatiana Weston-Webb foram os reis em Margaret.

    Depois de excluída a hipótese de a competição passar por The Box, o Main Break ofereceu ondas bem limpas para este dia final, sem o tamanho dos dias anteriores, mas com potencial de sobra. Tudo começou com o heat 2 dos quartos-de-final, depois de John John Florence ter abandonado por lesão e ter colocado Griffin Colapinto automaticamente nas meias-finais. Na primeira bateria do dia, houve muito equilíbrio entre Ryan Callinan e Jordy Smith, mas o gigante sul-africano acabou por vencer por uma diferença de apenas 0,10 pontos.

    No heat seguinte houve duelo de outsiders, com o rookie sul-africano Matthew McGillivray a continuar a surpreender com um belo surf, para vencer o rookie de 2019, Seth Moniz. Uma bateria de sentido único que servia para lançar o heat mais aguardado do dia: Italo Ferreira contra Filipe Toledo, com a liderança do ranking em jogo.

    Italo entrou no modo destruidor rapidamente e parecia destinado ao triunfo, mas Toledo acabou por virar a contenda na última onda, para felicidade de Gabriel Medina, que continua de amarelo vestido, mas também para bem próprio, pois conseguiu, assim, partir, finalmente, para uma grande performance esta temporada. Um momento que cimentou nas meias-finais com um triunfo sólido, mas nada fácil frente a McGillivray.

    Na outra meia-final Jordy Smith tinha pela frente o surfista do campeonato, o norte-americano Griffin Colapinto, que fez a melhor onda da disputa, com 8,83. Ainda assim, o sul-africano reinventou-se, depois de no início da prova ter oferecido um dos heats mais entediantes da temporada, frente a Julian Wilson, e venceu um heat que parecia quase impossível.

    Só que na final, apesar de todos os esforços e de até ter começado mais forte, Jordy não teve ritmo para Toledo. Aliás, poucos teriam, pois o surfista brasileiro já estava no modo melhor surfista do Mundo em mar pequeno e calmo. Uma exibição portentosa coroada com uma nota de 9 pontos e um total de 17,40. Mérito para Jordy que perante isto não terminou em combinação e ainda teve ondas no final para tentar o impossível: uma nota de 9,40.

    Quando tudo parecia apontar para uma bicefalia entre Italo e Medina no ranking, sobretudo depois da lesão de John John, eis que Toledo resolveu fazer um statement no Oeste australiano, com o nono triunfo da carreira em etapas do CT, mostrando que afinal também ele pode entrar nestas contas. Para já, sobre ao 3.º posto e coloca-se em boa posição para ser top 5 no final da época e conseguir estar em Trestles. Depois de três triunfos brasileiros na perna australiana e com esses três surfistas na frente do ranking, a pergunta que se coloca é a seguinte: há mais alguém por aí?

    Do lado feminino, também houve tempestade brasileira, imposta por uma das surfistas mais regulares deste arranque de temporada e que, apesar de não surgir entre as grandes candidatas ao título mundial, está a impor-se de uma forma incrível, sendo a única capaz de perseguir a impiedosa Carissa Moore – está a pouco mais de 3 mil pontos da havaiana. Tatiana começou por vencer as meias-finais frente à heroína local Bronte Macaulay, marcando encontro na final com Stephanie Gilmore, que deu em Margaret River o grito do Ipiranga, ao vencer Carissa nas meias-finais.

    Após um triunfo emocionante frente à campeã mundial em título, decidido por apenas 0,24 pontos, Stephanie parecia lançada para a primeira vitória da temporada, mas Weston-Webb tinha outros planos. E não só venceu a bateria decisiva, como ainda o fez de forma contundente. Assertiva, Tatiana somou 16,23 pontos, contra os 15 da sete vezes campeã mundial. Um desfecho que colocou o Brasil em dominância no pódio. Depois de um segundo e um terceiro esta temporada, a surfista brasileira de origem havaiana conseguiu o triunfo, o segundo da carreira. Foi a primeira vitória em quase cinco anos, depois de ter conquistado o US Open, em 2016. Uma vitória que a deixa bem lançada para Trestles.

     

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