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  • Carissa Moore, o que é mais surreal: O surf ou os números apresentados?
    04 maio 2021
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  • É preciso recuar até Julho de 2018, em J-Bay, para encontrar a última vez que falhou os quartos-de-final.
  • A história recente do surf feminino faz-se de fenómenos precoces que desde muito cedo se impuseram entre a elite mundial, não só com triunfos em etapas, mas também com títulos mundiais. Se Stephanie Gilmore bateu todos os recordes, dominando o circuito com o seu estilo único e apaixonante, mais tarde surgiu Carissa Moore, com um power e progresso que aproximou o surf feminino do masculino como nunca havia acontecido antes.

    Carisa e Stephanie têm sido as grandes dominadoras, à vez, do surf feminino nos últimos 15 anos. Entre elas dividem 11 títulos mundiais. Sete para a australiana e quatro para a havaiana. E só Tyler Wright se conseguiu meter duas vezes pelo meio desde 2007… São cinco anos a separá-las – 33 para Steph e 28 para Carissa – e apenas três títulos de diferença. Numa altura em que Gilmore pretende superar o registo de sete títulos mundiais, que a mantém igualada com Layne Beachley, é Moore que parece estar mais forte que nunca, mostrando que ainda tem uma palavra a dizer para alcançar o Olimpo.

    Depois de um arranque de temporada tremendo, em que conseguiu um triunfo, um segundo lugar e um terceiro, Carissa está novamente no dia final em Margaret River, parecendo lançada para a vitória. Mesmo que tal não aconteça, não deixa de ser verdade que foi ela que dominou as primeiras rondas da prova feminina. Sempre à frente da concorrência, sempre com um surf de altíssimo nível, sempre com as maiores pontuações. É ela que marca o ritmo atualmente no WWT. E já o é há alguns anos…

    Mas se o power e o surf progressivo impressionam – na memória está o aéreo impressionante em Newcastle -, o que dizer dos números? Contas feitas, aos quatro títulos mundiais, Carissa junta 24 vitórias em etapas – a primeira delas ainda como wildcard, aos 17 anos, em pleno Havai. Já participou em 96 etapas, o que significa que ganhou um quarto das etapas em que entrou. A juntar a tudo isso, Carissa fez um total 402 heats. E é aqui que os números mais impressionam, pois saiu vencedora em 279 ocasiões, o que dá uma taxa de vitórias de 69,4%.

    Em termos de finais, a havaiana junta 15 finais perdidas às 24 vencidas, o que dá uma soma de 39 finais nos tais 96 campeonatos, ou seja, foi às finais de mais de um terço dos campeonatos em que entrou, mais precisamente em 41% das ocasiões – destaque para o ano de 2011, em que apenas falhou a final em Huntington Beach, onde foi terceira...

    A surfista que mais a travou em finais foi Sally Fitzgibbons, que saiu a sorrir em quatro ocasiões, contra as mesmas quatro derrotas. Sally foi também a surfista que mais vezes eliminou Carissa Moore de etapas, o que aconteceu por treze vezes. Por outro lado, Tyler Wright foi a surfistas que mais vezes perdeu para Carissa no derradeiro heat, o que aconteceu por sete vezes.

    Com altos e baixos na carreira, como todos os desportistas, Carissa parece atravessar agora a melhor fase. Isto porque há uma temporada inteira que não falha a presença em meias-finais. A última vez que isso aconteceu foi em Bali, em 2019, precisamente em Maio, na terceira etapa do ano – em 2020 não houve circuito. Desde então, somou quatro terceiros, um segundo lugar e duas vitórias, mais os resultados já referidos na presente temporada.

    É preciso recuar até Julho de 2018, em J-Bay, para encontrar a última vez que falhou os quartos-de-final. E é preciso ir até, curiosamente, Maio de 2017, no Rio, para encontrar a última vez que não conseguiu superar a repescagem – algo que só aconteceu por duas vezes na sua já longa carreira, sendo a outra no ano de rookie. Curiosamente, tanto em J-Bay, como no Rio de Janeiro, foi Bianca Buitendag a responsável pela eliminação. Apenas por 35 ocasiões (36,46%) Carissa falhou o top 3 das etapas e apenas em 13 dessas vezes (13,54%) não chegou aos quartos-de-final.  

    Em termos de posição final do ranking, desde que entrou na elite mundial, apenas por uma vez ficou fora do top 3 final. Foi 5.ª classificada em 2017, sendo que nas outras nove temporadas ou foi campeã (4) ou foi terceira (5). Curiosamente, nunca foi vice-campeã mundial. E só em 2012 não venceu etapas, tendo sido segunda por duas vezes. A maior sequência de vitórias em etapas, é de três triunfos. Algo difícil de repetir, mas não impossível. Sobretudo quando falamos de uma surfista como ela.

    Mas há mais. Em sete das temporadas realizadas conseguiu ter como score máximo do ano, uma pontuação acima de 19 pontos e noutras duas épocas esse máximo ficou acima de 18 pontos. Este ano está com o máximo de 17,74 pontos. Só por uma vez, nesse invulgar ano de 2017, fez o melhor score na casa dos 17 pontos: 17,64. Números impressionantes, que demonstram bem que quando Carissa entra na água não é para brincar.

    É certo que em termos de registos históricos, Carissa Moore ainda tem de pedalar para apanhar Stephanie e Beachley, mas, caso decida continuar no Tour por mais anos, isso é algo natural de acontecer. São três títulos mundiais de diferença, que só não dizemos já que serão somente dois no fim da época, porque o novo formato competitivo torna tudo mais imprevisível. Em relação ao número de vitórias em etapas, Carissa está apenas a três das 27 de Layne Beachley e a sete das 31 de Gilmore. Uma questão de tempo para a dona e senhora do trono do surf competitivo feminino mundial!

     

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