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  • Sete apontamentos em relação ao Rip Curl Narrabeen Classic
    20 abril 2021
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  • Gabriel Medina e Caroline Marks proclamaram-se vencedores do Narrabeen Classic, mas muito mais aconteceu nos últimos dias.
  • Ufff!!! Terminaram quatro madrugadas consecutivas com o melhor surf do mundo a chegar-nos dos antípodas. As olheiras são algumas, mas valeram cada minuto quando somos brindados com manobras incríveis, incerteza, emoção, surpresas, reviravoltas e alguma polémica à mistura. Pelo meio, até houve um avistamento de tubarão para dar um ar mais dramático à coisa.

    Neste Rip Curl Narrabeen Classic, terceira etapa do World Championship Tour de 2021, só faltaram ondas com um pouco mais de qualidade, mas as coisas são o que são. No final, Gabriel Medina e Caroline Marks proclamaram-se vencedores na esquerda de Narrabeen que desde 1997 não recebia uma etapa do Mundial. 

    Concluída a ação aqui ficam algumas notas soltas sobre o que se passou nos últimos dias em Narrabeen:

    Frederico Morais - Temos inevitavelmente de começar pelo nosso representante entre a elite do surf mundial. "Mais motivado do que nunca", segundo palavras do próprio, Kikas repetiu em Narrabeen a receita aplicada com tão bons resultados em Merewether Beach. Estratégia irrepreensível, correta escolha de ondas, surf de rail afiadíssimo e uma exemplar gestão das prioridades (aqui ainda melhor do que em Newcastle). O resultado foi um saboroso terceiro lugar, tendo vencido quatro dos cinco heats que disputou, entre os quais uma vitória histórica sobre Filipe Toledo. Tal como em Merewether, a sua marcha triunfante só foi travada pelo endiabrado Gabriel Medina. A época ainda nem atingiu o seu equador, mas a requalificação para o WCT de 2022 parece estar bem encaminhada.

    Gabriel Medina - Quando recentemente anunciou a sua separação do padrasto Charles para associar-se a Andy King ao mesmo tempo que juntou os trapinhos com a modelo brasileira Yasmine Brunet, muitos terão vaticinado que o bicampeão mundial poderia perder o foco e mergulhar numa senda de resultados mais discretos. Porém, não é nada disso que temos visto. 2021 trouxe um Medina a manejar muito bem os tempos dos heats, mais concentrado e muito seguro de si em especial nos momentos de aperto. Vimos isso na perfeição no seu duelo diante de Morgan Cibilic. Aos 27 anos, o surfista sul-americano parece estar a atingir a maturidade plena enquanto desportista de alto rendimento. E os resultados tendem naturalmente a acompanhar. A temporada já leva três etapas disputadas e Medina esteve sempre no heat decisivo. Agora, chegou a vitória que já há muito perseguia. Certamente tirou de cima dos seus ombros este fardo que carregava, o que poderá trazer ainda mais confiança ao novo licra amarela do WCT.

    Morgan Cibilic - Na primeira olhada para a classe de rookies de 2021, confesso que quando olhei para este jovem australiano veio-me de imediato o pensamento que seria um daqueles surfistas que entrava no WCT com o bilhete de ida e volta tirado. Erro garrafal! Depois um arranque descafeinado em Pipe, Cibilic tornou-se subitamente no novo menino bonito do surf australiano nesta perna aussie. Em dois eventos consecutivos, este estreante afastou de prova o bicampeão mundial John John Florence (!), o que só por si já é digno de um aplauso de pé. Morgan tem surfado como um veterano, acumula notas de excelência, descobre o caminho para tubos quando estes parecem pouco prováveis e em cada heat no qual está inserido transporta a vibe de que tudo é possível. Bem, quase tudo. Esta bolha onde está inserido ainda não chegou para derrotar Gabriel Medina. Três eventos e três derrotas às mãos do surfista brasileiro. Outro grande ponto de interrogação reside na forma que irá apresentar quando o Mundial sair da Austrália. Será Morgan Cibilic capaz de surfar ao mesmo nível fora da sua zona conforto? Uma questão para ser respondida lá mais para a frente.

    Ítalo Ferreira - Depois de cinco campeonatos consecutivos onde terminou com a vitória ou no segundo lugar, o campeão do mundo em título voltou a sentir o amargo sabor de uma eliminação precoce. Conner Coffin, finalista vencido, foi o autor da gesta que deixou Ítalo fora de si. A prancha que esteve dentro de água consigo que o diga. Com ou sem polémica à mistura, o surfista de Baía Formosa já tem experiência suficiente para saber gerir melhor este tipo de frustrações por muita razão que possa a vir a ter. Dentro e fora de água, Ítalo Ferreira é um agregador de massas, um caldeirão de emoções, mas para o futuro esta é uma componente que convém ser melhor domada. Emoção sempre, mas não em doses exageradas sob pena de vermos o surfista brasileiro a perder o discernimento. E no alto rendimento isso a longo prazo pode vir a ser prejudicial.

    Mick Fanning - É impossível falarmos dos destaques do Narrabeen Classic e não ter uma palavra para Eugene. Pela primeira vez em competição desde que abraçou a reforma após Bells Beach 2018, Fanning conseguiu dar umas pequenas pinceladas do que sempre saberá fazer com uma prancha debaixo dos pés. Venceu o heat da repescagem, gerou buzz, ajudou o evento a captar uma maior audiência e deu um saltinho aos comentários no broadcast da WSL. Uma aposta ganha este wildcard atribuído pela Rip Curl. As lendas querem-se sempre por perto, pois muito do que surf de competição é hoje em dia deve a contributos de figuras como Mick Fanning. Quanto ao resultado final fica a curiosidade de ter sido eliminado pelo surfista que já havia estragado a sua despedida há três anos: Ítalo Ferreira. Cada um carrega a sua cruz.

    Caroline Marks - Vice-campeã mundial em 2019 com apenas 17 anos, esta surfista norte-americana começou com o pé esquerdo a perna australiana e ainda nem sequer tinha aterrado no país oceânico. Foi infetada com o novo coronavírus, o que atrasou a sua preparação para esta exigente fase da época. Mas esse foi um percalço que já lá vai. Em Narrabeen, Caroline esteve intratável agarrada ao seu power surf. Se há dois anos, Caroline poderia ser vista como alguém que fez um brilharete, agora a ameaça é muito séria. Com uma grande margem de progressão ao nível do seu surf, esta jovem mostra que está pronta para continuar a dar muitas dores de cabeça às veteranas do WWT. Ao mínimo descuido, Caroline Marks vai estar à espreita. Não vai desarmar, até porque aparenta ter aquela garra que define as grandes campeãs. Tem o mundo à frente para conquistar!

    Stephanie Gilmore e Carissa Moore - As duas senhoras que são o rosto do surf feminino de competição nos últimos largos anos sofreram desilusões em Narrabeen. Carissa transportava consigo uma aura de quase invencibilidade, depois de todo o festival plasmado em Merewether. Só que como a própria tão bem sabe, tudo pode mudar de um momento para o outro. Veja-se o exemplo de Isabella Nichols. De finalista vencida em Newcastle a perder de primeira em Narrabeen.

    Com Carissa Moore a derrota não foi tão precoce, mas também acabou por surgir para mal dos pecados da havaiana. Eliminação inesperada nas meias-finais diante de Tatiana Weston-Webb, o que certamente levará a tetracampeã mundial a retirar ilações do sucedido e a estar ainda mais alerta para os desafios futuros. Nada está ganho por decreto.

    Já a lendária Stephanie Gilmore tarda em entrar no trilho das finais e das vitórias nesta temporada de 2021. Há sempre qualquer coisa que está falhar e o resultado disso são três quintos lugares em outras tantas etapas. Não é motivo para alarme, mas Steph não pode assobiar para o lado em relação ao que está a acontecer. A concorrência é cada vez mais feroz e não vai ter qualquer espécie de piedade por momentos de fraqueza por parte da heptacampeã mundial. Como aliás, temos visto.

    Alex Slater

     

     

     

     

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