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  • Sete apontamentos sobre a Rip Curl Newcastle Cup
    10 abril 2021
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  • Carissa, Italo, Morgan Cibilic, Kikas e muito mais...
  • Chegou ao fim uma semana intensa do melhor surf mundial. Newcastle recebeu um evento em que as ondas não colaboraram muito, em que os vencedores foram um pouco anunciados, mas que, apesar de toda essa previsibilidade, soube oferece emoção q.b. após quatro meses de pausa devido à pandemia.

    Italo e Carissa saíram como campeões de Merewether, cada um dominando à sua maneira, mas houve mais nomes em destaque. Entre as várias surpresas, as muitas certezas e alguns momentos “assim assim”, eis sete apontamentos sobre a prova australiana, que serviu de lançamento para uma perna que ainda terá mais quatro etapas.

    - Carissa Moore. Começamos pela surfista do evento. Não só pelo aéreo reverse histórico, que correu o Mundo, mas por toda a performance ao longo da prova, mostrando que está num patamar só seu. Duas combinações no dia final fecharam uma semana quase perfeita. Neste momento, a havaiana não tem adversárias à altura e parece mais provável ameaçar o registo de sete títulos mundiais de Stephanie Gilmore e Layne Beachley do que alguém conseguir retirar-lhe este ano o quinto. Embora, todos saibamos que este ano as coisas mudaram em termos de formato... A verdade é que se Carissa não dominar os próximos eventos será mais por culpa própria, por eventual desmotivação ou desconcentração, do que eventualmente por mérito das restantes surfistas. Está, provavelmente, na melhor forma de sempre!

    - Em termos de sensação/revelação do evento não há dúvida que todos os holofotes estiveram sobre o rookie local Morgan Cibilic. Com história pelo meio, devido à lesão que o ia fazendo desistir do evento, Cibilic foi eliminando favoritos, sempre com altas performances. É certo que no dia final pode ter sido puxado pela famosa “máquina” de criar novos heróis, num heat algo polémico em que terminou empatado com Ryan Callinan. Mas há que enaltecer as performances do jovem australiano nos dias anteriores. A questão que se levanta é se toda esta semana mágica foi puramente fruto do local knowledge e se nas próximas etapas vai acusar a pressão do momento ou se estamos mesmo perante a nova coqueluche do surf australiano, sabendo a WSL, certamente, construir-lhe o guião melhor que ninguém. Tem a palavra Narrabeen. Neste capítulo de surpresas, menção honrosa para Isabella Nichols, com uma performance muito madura para quem está pela primeira vez no WWT.   

    - Pelo meio tivemos Frederico Morais, que só não foi ao dia final por ter tido pela frente Gabriel Medina e por ter cometido pequenos erros táticos. Contudo, Kikas mostrou-se muito sólido nas primeiras rondas, fazendo prever um resto de perna australiana positiva. As pranchas parecem ser as adequadas, o mindset também está no sítio e tudo parece alinhado para mais resultados positivos nas próximas semanas. Poucos surfistas apresentam uma maturidade competitiva tão grande e foi o próprio Gabriel Medina a frisar isso mesmo na flash interview após o heat entre ambos. Não foi uma performance brilhante do português, mas foi bem positiva.

    - Em termos de desilusões talvez a maior seja Julian Wilson. Ainda não encontrou um resultado digno de candidato ao título ou somente ao evento final. E para piorar, pelo meio, ainda teve de ir à repescagem. O surf de Julian entusiasma a espaços, mas não tem chegado para mais que isso. E a verdade é que parece muito mais próximo de um final de carreira do que conseguir lutar por um título mundial. Isto entre os favoritos, porque depois há a juventude que tarda em singrar. Ethan Ewing e Jack Robinson também desiludiram à sua maneira. Sobretudo, porque o sucesso de Morgan Cibilic teve o condão de ainda ofuscar mais estes dois. Numa altura em que o surf australiano precisa de renovar os seus ídolos, Ewing tarda em mostrar todo o seu talento em competição e Robinson, apesar de ninguém duvidar que vai chegar longe, ainda tem dificuldades em ondas banais.

    - Gabriel Medina pode parecer o grande derrotado neste arranque de temporada, sobretudo por ter perdido uma final frente a John John em Pipe e outra frente a Italo em Newcastle, logo com os seus dois atuais grandes rivais. Contudo, é necessário ver o copo meio cheio. Fazer duas finais no arranque de época, é de longe o melhor arranque de sempre para um surfista que nos habituou a vacilar imenso no início, para depois ter segundas metades de época sensacionais. A verdade é que Medina já superou aquilo que era o seu calcanhar de Aquiles, parecendo um surfista novo, sobretudo em termos de concentração. Fruto, quem sabe, do novo estado civil e da mudança de técnico. Medina já não tem aquela espetacularidade dos 18 anos, mas é cada vez mais competitivo. Pode não parecer bonito e não agradar a todos, mas algo nos diz que o bicampeão mundial pode ficar cada vez mais letal.

    - Para contrariar a tendência mundial de criticar a atuação da WSL – por vezes merecida -, a verdade é que temos de tirar ao chapéu à organização que lidera o surf mundial. Soube promover o evento melhor que nunca, tanto nas redes sociais, como na comunicação do mesmo. O que não era fácil, sobretudo perante um mar que não colaborava. A isto junta-se o anúncio de mais etapas para o circuito. Aquilo que parecia mais uma temporada destinada ao fracasso e condenada pela pandemia, será uma época com 10 eventos. É triste a saída de Portugal, mas a verdade é que até Setembro seria impossível encontrar ondas para realizar um WCT por cá. E o regresso ao México, a um palco que deixou saudades a todos, é uma grande cartada. Talvez não tenha sido a gestão perfeita do momento, e se duvide um pouco desta perna australiana, mas, aos poucos, a WSL está a fazer as coisas acontecerem dentro da normalidade possível. E não há dinheiro que pague as imagens de fãs do surf a assistirem livremente e sem máscaras ao melhor surf do Mundo!  

    - Por fim, o surfista que atualmente define o jogo em termos masculinos. Incrível a forma como determinou o julgamento e tudo o que se seguiu a partir do momento em que voou na secção final do shore break de Newcastle, fazendo aquilo parecer a coisa mais fácil do Mundo. Italo é provavelmente o campeão mundial com o início menos mediático de todos. Chegou ao WCT como o rapaz da desconhecida Baía Formosa que parecia destinado a ser “mais um” e acabou essa época como rookie e top 10 mundial. Subiu a pulso, bottom to top, ao contrário de todos os outros que aos 16 anos já eram verdadeiras estrelas. Ninguém lhe ofereceu nada e mesmo assim soube transformar-se e reinventar-se como uma máquina de vencer. Pelo meio conseguiu um patrocínio de uma das marcas mais importantes do meio, algo que parecia impossível de obter para um surfista brasileiro… E à forma como se exibe no mar junta a atitude fora de água, que faz dele um campeão em todas as dimensões. Por mais etapas e mundiais que ganhe, a maior vitória de Italo Ferreira foi ter conseguido fazer com que um surfista brasileiro fosse idolatrado em todo o Mundo – ou, pelo menos, respeitado, vá… Algo que Medina e os antecessores nunca conseguiram. Ao contrário do compatriota, que foi colecionando antipatias em todos os cantos do globo e galvanizando essa rivalidade Brasil vs países de expressão inglesa, Italo é um verdadeiro ídolo do povo, como comprovam os minutos seguintes ao triunfo em Newcastle.

     

    João João Medina

     

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