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  • Jack Robinson e classe de 2021 contra a maldição dos rookies
    31 março 2021
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  • Se olharmos para todos os rookies desde 2013, apenas encontramos uma exceção de um surfista que entrou na elite mundial e que nos anos seguintes conseguiu subir a pulso.
  • Em vários desportos a expressão “rookie do ano” pode acarretar um grande simbolismo, sobretudo pela esperança futura que pode estar em cima dos ombros desse mesmo atleta. No surf isso não é exceção. Contudo, houve tempos em que os rookies eram sinónimo de uma carreira duradoura e recheada de triunfos. Algo que nos últimos anos tem vindo a mudar, o que denota uma grande dificuldade dos novatos em se integrarem e lutarem lado a lado com os melhores da elite do surf mundial.

    Longe vão os tempos em que nomes como Mick Fanning chegavam com força ao World Tour, ameaçando as classes estabelecidas. Fanning é um belo exemplo de um surfista que chega e marca logo posição. Entrou em 2002 e o 5.º posto obtido na estreia já eram um pronúncio para os três títulos mundiais e a carreira ímpar que viria a ter.

    Seguiram-se outros grandes talentos, que mesmo não tenho chegado a títulos mundiais, se conseguiram impor como crónicos candidatos, andando pelo WCT há vários anos. São os casos de Jeremy Flores, que desde 2007 se estabeleceu como um top 10, Owen Wright, que no segundo ano de WCT lutou pelo título mundial com Kelly Slater, ou mesmo Julian Wilson, que em 2018 foi vice-campeão mundial. Todos eles fazendo ainda parte do elenco do WCT.

    Em 2012 o WCT recebeu outra grande promessa. Depois de ter entrado já a meio da temporada de 2011, no célebre cut do meio do ano, em 2012 John John Florence contou para a classe de rookies e não fez por menos, terminando a temporada no 4.º posto. O melhor registo de sempre para um rookie, embora não fosse um novato em estado puro. Também isso era um sinal para os dois títulos mundiais que viria a conquistar, não se sabendo ainda se o atual número um mundial vai ficar por aí.

    Falamos de uma década dourada para o surf mundial, onde ainda se podem juntar nomes como os de Bruce Irons, Dane Reaynolds ou Bobby Martinez, sufistas talentosos que venceram etapas e bateram os melhores, mas que por razões diferentes deixaram a elite mundial na década passada. O havaiano por opção, depois do melhor ano da sua carreira. Matinez por ter sido expulso, após uma famosa flash interview em 2011, e Reynolds também por opção, ao fim de curtas quatro épocas, dedicando-se ao freesurf.

    De lá para cá tudo mudou. Se olharmos para todos os rookies desde 2013, apenas encontramos uma exceção de um surfista que entrou na elite mundial – e entrou muito bem – e que nos anos seguintes conseguiu subir a pulso, até arrecadar o título mundial. Falamos de Italo Ferreira, atual campeão em título, que teve o condão de nem sequer ter chegado à elite mundial com o hype de outros surfistas como Fanning ou Wilson. Já para nem recuar até um super Taj Burrow em 1998... que no ano seguinte foi vice-campeão mundial!

    Todos os outros, ao invés de um percurso ascendente, tiveram um bom ano de estreia e depois caíram a pique no ranking, com alguns deles a já terem mesmo deixado de pertencer ao WCT. É esse o peso que se coloca às novas gerações. E se em 2021 todos olham para o que pode fazer perante isto o rookie de 2020, o havaiano Seth Moniz, que terminou a época de estreia no 12.º posto, a verdade é que são muitos os que já olham mais à frente, mais concretamente para a geração de 2021, onde se encontra um nome sonante: Jack Robinson.

    Considerado um prodígio desde criança, o surfista do oeste australiano até demorou a chegar à elite mundial face ao futuro que lhe previam. Foi já à beira dos 22 anos que conseguiu segurar uma vaga na elite, mas a pandemia adiou a estreia por um ano. Agora, com 23 anos, Robinson promete ser um dos que vai dar luta aos nomes grandes, tendo que lutar não só contra os outros dois rookies deste ano, Morgan Cibilic e Matthew McGillivray, mas também contra uma malapata que tem perseguido os últimos rookies.

    Basta analisar os dados de um enguiço que se iniciou em 2013 com o norte-americano Nat Young e que só teve a tal excção em 2015 com Italo Ferreira. Tanto Young, que fez logo top 10 mundial, mas que já nem sequer faz parte do Tour, como Caio Ibelli ou Connor O’Leary, além de nem sequer conseguirem melhorar o registo do primeiro ano, acabaram também por cair do Tour. Só que, ao contrário de Young, ambos conseguiram regressar e fazem parte da elite para 2021. E até podemos falar de Dion Atkinson, que acabou por não ser rookie do ano em 2014, porque não conseguiu permanecer no WCT, nunca mais voltando.

    Já em 2018 foi Wade Carmichael o novato a surpreender. E embora seja cedo para avaliar, a verdade é que na segunda temporada teve uma queda de quase 10 posições no ranking, fazendo já prever o mesmo trajeto que os antecessores mais recentes. E mesmo Seth Moniz fará acreditar poucos que possa melhorar o registo de estreia. Culpa também de uma geração que se instalou no Tour desde o início do século e que tem tardado em ceder. Mas a verdade é que tem vindo a faltar sangue novo de classe real. Será Jack Robinson a inverter a tendência?

    Candidatos a rookie 2021: Jack Robinson; Matthew McGillivray e Morgan Cibilic

    Historial dos rookies:

    2019: Seth Moniz (12.º), veremos em 2021 em que grupo se posiciona…


    2018:
    Wade Carmichael (9.º), no ano seguinte desceu até ao 18.º posto;

    2017: Connor O’Leary (13.º), após ter batido Frederico Morais por 50 pontos nesta luta, no ano seguinte caiu do WCT, para consegui regressar no ano seguinte, tal como Kikas;

    2016: Caio Ibelli (16.º), manteve o registo no ano seguinte, mas em 2018 acabou por cair do WCT devido a lesão. Sem vaga garantida, acabou por requalificar-se em 2019 após entrar em grande parte das etapas como suplente;

    2015: Italo Ferreira (7.º), após dois anos irregulares, estreou-se a vencer etapas em 2018, terminando como top 4 e no ano seguinte foi campeão mundial;

    2014: Dion Atkinson (28.º), caiu do WCT nesse mesmo ano, tal como tinha acontecido com Luke Stedman, mas, ao contrário do compatriota, nunca mais regressou;

    2013: Nat Young (8.º), manteve-se perto do top 10 nos dois anos seguintes, caindo da elite em 2016, embora em 2017 ainda tenha feito grande parte das etapas como suplente;

    2012: John John Florence (4.º), bicampeão mundial em 2016 e 2017 e atual líder mundial;

    2011: Julian Wilson (9.º), fixou-se como top 10 mundial e mais tarde como candidato ao título até aos dias de hoje, tendo sido vice-campeão mundial em 2018 e vencendo algumas etapas pelo meio;

    2010: Owen Wright (7.º), no ano seguinte lutou com Slater pelo título mundial, terminando em terceiro, e desde então, salvo em anos marcados por lesões, é um crónico top 10 mundial, vencendo várias etapas pelo caminho;

    2009: Kekoa Bacalso (17.º), no ano seguinte caiu do WCT;

    2008: Dane Reynolds (22.º), no ano seguinte foi top 10 e em 2010 terminou como top 4, decidindo sair do Tour no ano seguinte;

    2007: Jeremy Flores (8.º), mantém-se na elite há mais de uma década, sendo top 10 em várias temporadas e igualando o 8.º posto no ano de 2015, além de somar já 4 vitórias em etapas, duas delas em Pipe e outra em Teahupoo;

    2006: Bobby Martinez (5.º), melhor rookie de sempre, manteve-se mais três anos como top 10, venceu um total de 4 etapas na carreira, até ser expulso do circuito em 2011;

    2005: Fred Patacchia (14.º), obteve a melhor posição em 2008, com um 12.º posto, e permaneceu no Tour até 2015;

    2004: Bruce Irons (23.º), no ano seguinte foi 9.º e deixou o WCT em 2008 por opção, no ano em que venceu a única etapa da carreira, em Bali;

    2003: Luke Stedman (37.º), caiu nesse ano e regressou em 2005, alcançou melhor classificação de sempre em 2008, com o 11.º posto e saiu da elite em 2010;

    2002: Mick Fanning (5.º), foi tricampeão mundial, em 2007, 2009 e 2013 e só saiu do WCT em 2017 por opção;

     

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