Homepage

  • “Às vezes, 15 minutos antes do heat ainda não tínhamos o resultado do teste…”
    03 fevereiro 2021
    arrow
  • O Spartan reconhece que a Austrália vai ser um ponto complicado na temporada e que poderá exigir ainda mais em termos mentais.
  • Michel Bourez foi um dos primeiros surfistas a libertar a sua opinião para o exterior sobre o delicado momento que o surf mundial atravessa. Numa entrevista concedida a um meio taitiano, um dos mais experientes surfistas do WCT fala abertamente sobre a experiência de ter competido no Havai sob altas medidas de controlo, admitindo que foi stressante. Também se mostra desiludido pelos adiamentos de etapas que já se registaram e ainda prevê muitas complicações para a perna australiana, confirmando o cenário de uma quarta etapa no Down Under.

    “Para mim, foi um grande choque, sobretudo em termos mentais, o cancelamento das etapas de Sunset e Santa Cruz”, começa por dizer o surfista natural do Taiti, que passou a representar a França para efeitos olímpicos. “Preparei-me da melhor forma possível em termos físicos para as três primeiras etapas, porque queria ter um bom início de ano. No entanto, não é por não haver competição que podemos parar de treinar e continuei a surfar quase todos os dias em Sunset, enquanto estive no Havai”, explicou.

    Mas o que mais mexeu com ele, foi o stress causado pela incerteza da pandemia em Pipe. “Todas as manhãs tínhamos de fazer o teste Covid. Por vezes, 15 minutos antes da nossa bateria começar ainda nem tínhamos o resultado. Já temos o stress da competição e depois ainda tínhamos estes adicionalmente. E ao menor caso positivo a competição era interrompida. Ninguém queria ser o responsável por isso. Admito que não foi fácil. Se juntarmos a isso o facto de as condições de surf não serem as ideais, então fica muito complicado de gerir tudo”, garantiu.

    O Spartan reconhece que a Austrália vai ser um ponto complicado na temporada e que poderá exigir ainda mais em termos mentais. “Temos teleconferências semanais com a WSL e neste momento eles estão muito positivos em relação à perna australiana. Em termos de protocolo já sabemos que assim que lá chegarmos temos de fazer 15 dias de quarentena. Mais uma vez vamos ter de gerir isso mentalmente. Outra das grandes preocupações é o facto de as viagens entre estados estar altamente regulamentada. Esse será o grande problema que vamos enfrentar”, explicou Bourez.

    “Neste momento ainda estamos em branco, porque não sabemos nem quando nem como vamos retomar as provas. Supostamente iremos começar em Bells Beach, que é o planeado. Mas a WSL está a trabalhar na introdução de uma quarta etapa para compensar o cancelamento de Sunset. Mas ainda não sabemos a ordem em que as coisas vão acontecer. Vai depender das regras de cada estado e da forma como a WSL se vai organizar”, confessa.

    Até lá, Michel Bourez promete continuar a trabalhar, embora com outros métodos. “Por enquanto só quero surfar. Fisicamente tenho trabalhado bem, mas mentalmente vou fazer as coisas de forma diferente. Não me vou colocar numa bolha e em modo competição até que datas concretas sejam anunciadas. Apesar de a WSL estar muito positiva sobre o regresso em abril, nada está ainda confirmado. Não faz sentido desperdiçar energia com algo que não posso controlar. Com a pandemia tudo pode mudar muito rapidamente, por isso, por agora, prefiro recarregar baterias em família”, vincou.

     “Para ir para a Austrália vamos ter de pagar um visto especial, que é muito caro. Só assim poderemos entrar no país. Mas o que me preocupa é estar longe da família. Estamos a organizar as coisas para podermos ir todos juntos, caso contrário passarei dois meses e meio longe deles”, rematou o poderoso surfista taitiano.

     

    Para acompanhar e confirmar live, os dados sobre o estado do mar, podes usufruir da nossa rede de livecams e reports preparada para essa finalidade.

    Visita a nossa Loja Online, encontras tudo o que precisas para elevar o teu nível de surf!

    Segue o Beachcam.pt no Instagram