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  • Ítalo Ferreira: 'Coxos passou a ser uma das minhas ondas de eleição'
    21 janeiro 2020
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  • O campeão mundial de surf em 2019 esteve de passagem por Portugal, país no qual efetuou a preparação para a nova época.
  • Ítalo Ferreira viveu em 2019 um ano inesquecível. Em três meses, leia-se setembro a dezembro, o surfista brasileiro conseguiu a rara proeza de vencer dois títulos mundiais (World Surf League e ISA). 

    No entanto, apesar das conquistas estarem ainda bem vivas na mente de Ítalo, o que lá vai lá vai. Chegou novamente o momento de cerrar fileiras, pois exigentes desafios estão aí à espreita. 

    Precisamente de modo a preparar o que aí vem, o surfista brasileiro escolheu o país irmão, Portugal, para realizar a sua pré-época. 

    Dias intensos onde Ítalo teve a oportunidade de surfar pela longa e desafiante costa portuguesa, que incluiu o 'baptismo' no mágico Canhão da Nazaré e a descoberta de um novo 'amor'.

    Com o atual campeão mundial de surf por cá, o MEO Beachcam teve a oportunidade de estar à conversa com o de Rio Grande do Norte. Tudo aconteceu, em Cascais, durante um evento promovido pela Polen Surfboards, marca de pranchas que está associada a Ítalo Ferreira. 

    Depois de uma muito requisitada sessão de autógrafos e fotografias, em plena Polen Surfshop, lá conseguimos um 'tempinho' para falar com a personagem central de toda esta história. 

    Beachcam - Para preparares a temporada de 2020 decidiste vir até Portugal. Como surgiu a possibilidade desta viagem até ao nosso país?

    Ítalo Ferreira - Escolhi Portugal devido ao facto de ser inverno, ter boas ondas e uma costa diferenciada. Desta forma, consigo surfar todos os tipos de ondas e manobras. O meu foco, nesta viagem, esteve em melhorar a minha performance nos tubos e em ondas mais fortes. Por isso trabalhei bastante numa onda que é muito especial para mim. Falo de Supertubos.

    Passei também pela direita dos Coxos, que é uma onda muito forte e com um slab incrível. Especialmente a onda próxima da pedra, mais ao canto, que se estiver grande é muito desafiante. Também surfei na Pedra Branca, que é uma onda muito boa. Andei à procura das melhores ondas em busca de evolução.

    Estive pouco tempo em Portugal, mas deu para sentir melhorias no meu surf. Num balanço final acho que a minha pré-temporada foi muito boa. A água estava bastante fria, mas sei que no fim do dia todo este esforço irá valer a pena. Agora é tempo de voltar para casa e retomar o trabalho físico. Já faz alguns dias que estou só a surfar.

    B - Em Portugal qual é a onda que mais gostas de surfar? Supertubos, por toda a relação afetiva que tens com o local?

    IF - Gosto muito de Supertubos, mas agora também os Coxos. É uma onda na qual gostei muito de surfar de backside. Precisava de aprender um pouco mais sobre fazer tubos de backside. Surfei uns bons tubos e esta é uma onda que entrou na minha lista de eleição em Portugal.

    B - Durante estes dias, tiveste a oportunidade de fazer a estreia no Canhão da Nazaré. Qual foi a sensação?

    IF - A aventura no Canhão foi uma adrenalina extra. Fui ver a onda e entretanto alguns amigos desafiaram-me a entrar dentro de água. Acabei por surfar umas três 'ondinhas', que não são nada quando comparadas com aquelas que os big riders enfrentam. No entanto deu para sentir o quão forte e perigosa pode ser a Natureza. Senti-me muito bem dentro de água e deu para ver, no olhar dos outros atletas, o desejo de surfar a maior onda possível. Foi uma experiência marcante.

    B - Ficaste com vontade de repetir a experiência ou preferes resguardar-te em relação ao perigo das ondas grandes?

    IF - Acho que quando o mar estiver mais pequeno dá para entrar e tentar surfar uma onda grande. Preciso, no entanto, de ter o equipamento adequado à minha pessoa. Cheguei à Nazaré e nem sabia mexer no colete de salva-vidas. Peguei numa prancha na qual a base era gigante. Estava tudo errado! (risos). Não tenho experiência nenhuma e preciso de ir com calma. Se tiver uma prancha adequada às minhas medidas acho que posso fazer algo melhor naquela onda.

    B - Pela primeira vez, na tua carreira, estiveste envolvido na luta pelo título mundial. Durante a etapa final, no Havai, demonstras-te uma grande frieza em todos os momentos. Qual foi o segredo?

    IF - Acho que procurei em Deus a calma necessária. Ajoelhava-me na banheira. Essa era o local onde conseguia relaxar, ficar tranquilo e rezar. Era ali onde conseguia esquecer tudo para depois entrar na água e fazer aquilo que mais gosto. Foram dias incríveis e ainda hoje tenho na cabeça todos aqueles momentos. Acho que quando regressar ao Havai e à casa da Billabong vou novamente reviver tudo o que passei nesse evento. Foi incrível! Foram os dias em que consegui encontrar o meu maior equilíbrio entre tranquilidade e performance.

    B - Há muitos anos que tens como treinador o Luiz Campos 'Pinga' e em Pipeline tiveste a ajuda do Shane Dorian. Qual a importância dos dois para a conquista deste título?

    IF - Na última etapa, no Havai, trabalhei com o Shane Dorian. Foi um trabalho mais na base da performance em Pipeline e Backdoor. São ondas na qual não tenho muita experiência, pelo que foi importante ter alguém que me pudesse ajudar. No entanto durante o ano só contei com o 'Pinga', meu amigo e confidente. Trabalhámos em conjunto e com muita vontade de vencer. Ao trabalhar com o 'Pinga' e o Shane encontrei o meu equilíbrio.

    B - Agora que já passou praticamente um mês, como viste a situação da interferência do Gabriel Medina?

    IF - Acho que foi um acesso. Preocupou-se demais com um adversário, mas tudo isto faz parte do jogo. É difícil falar. Por vezes fazemos coisas dentro de água que nem nós sabemos. Acho que, no geral, tudo estava direccionado para mim. Deus escreveu a melhor história. Como não era favorito, tiveram de acontecer algumas coisas para que conseguisse alcançar aquela grande conquista.

    B - És um surfista com uma imagem positiva em todo o lado. Já o Gabriel é um atleta que parece dividir muito as opiniões. Achas que acabaste por beneficiar um pouco desse sentimento generalizado para com o Medina?

    IF - É difícil falar sobre isso. O Gabriel é um surfista que possui muitos fãs espalhados pelo mundo. Quando entra na água é alguém que transforma-se. É uma máquina de competir. Acho que conquistei o meu público pelo surf que apresento, carisma e o respeito que tenho pelas pessoas. É isso que tento transmitir a todos. Limito-me apenas a surfar e as pessoas penso que gostam disso.

    B - Em 2020 temos novamente Portugal entre a elite do surf mundial através do Frederico Morais. Como olhas para o seu regresso a tempo inteiro ao World Championship Tour?

    IF - O Frederico é um bom surfista e bastante dedicado. Tem um power surf muito forte e é um atleta que tem vindo a crescer. Já fui derrotado pelo Kikas algumas vezes. Penso que é alguém que pode representar muito bem Portugal no CT.

    B - A época foi longa e intensa. Tiveste algum momento, em especial durante o ano, onde sentiste que esta poderia ser a tua temporada?

    IF - Olhando em retrospectiva, acho que esse momento aconteceu quando estive na final em França. Pensei: estou dentro da luta e agora vou até ao fim. Foi um momento que deu aquele boost extra. Mal acabou essa etapa, arrumei as minhas coisas e vim imediatamente treinar para Portugal. Quando vi a oportunidade, não a deixei fugir. Claro que temos sempre receio que algo corra mal, mas se não tentarmos nunca iremos saber o que sucede.

    B - Conquistaste dois títulos mundiais num só ano e agora chega 2020, onde representarás o Brasil na estreia do surf dos Jogos Olímpicos. Dado esse peso simbólico, uma medalha de ouro no Japão teria um maior significado do que os títulos que obtiveste recentemente?

    IF - É difícil falar sobre isso, pois trata-se de uma competição gigantesca e que sai fora do que é habitual. Porém, penso que o CT é muito mais difícil. Isto porque enfrentamos diversos surfistas e muitas das vezes em condições bem difíceis. Claro que conquistar uma medalha olímpica seria algo de incrível. Estou a trabalhar nesse sentido e foi por isso que comecei mais cedo a trabalhar nesta pré-época.

     

     

     

     

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