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  • Dylan Groen e a volta ao Mundo em 5 meses
    09 julho 2019
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  • Apesar de se apresentar tão ativo em 2019, Dylan, que ocupa atualmente o 233.º posto do ranking do WQS, sabe que a estratégia pode não ser perfeita.
  • O sonho de qualquer viajante passa por percorrer os quatro cantos do Mundo, em busca de novos conhecimentos e paisagens. E quem não gostaria de pisar todos os continentes da terra em apenas uma mão cheia de meses? Os surfistas profissionais apresentam-se como um dos casos em que isso pode acontecer. Mas, talvez, nunca antes tenha acontecido algo como aquilo que Dylan Groen está a fazer em 2019.

    O surfista que nasceu alemão, mas que cresceu nas ondas portuguesas, está a levar a cabo uma verdadeira epopeia no circuito WQS, sendo, de longe, o competidor com mais campeonatos feitos até ao momento na época. São já 16 provas em apenas 5 meses. Tudo começou no final de janeiro, em Sydney, na Austrália. Seguiu-se Tenerife, Austrália novamente, Florida, Senegal, uma rápida visita a Portugal, País Basco, Chile e África do Sul, onde já está a competir desde final de maio - sim, faltou ir à Ásia, embora na WSL Austrália e Ásia estejam unidas como Australasia.

    Apesar de se apresentar tão ativo em 2019, Dylan, que ocupa atualmente o 233.º posto do ranking do WQS, sabe que a estratégia pode não ser perfeita. “Fazer tantos campeonatos não é a melhor forma de evoluir, mas sendo este o meu primeiro ano a tempo inteiro no WQS queria fazer o máximo possível de provas. No próximo ano também vou fazer muitos campeonatos, mas talvez um pouco menos em relação a este ano”, prevê.

    Para se ter noção, Jorgann Couzinet, que é o primeiro surfista do ranking exclusivamente do WQS – o líder do ranking é Jadson Andre, que faz parte do WCT -, fez apenas 10 campeonatos até ao momento na temporada. Por sua vez, Kanoa Igarashi venceu o WQS no ano passado com apenas oito eventos disputados. Ou seja, num circuito onde apenas contam os cinco melhores resultados é a consistência e não a quantidade que fazem a diferença.

    É certo que os resultados não estão a ser aqueles que Dylan talvez ambicionasse, tendo como melhor registo um 17.º posto no Senegal, no campeonato que elege como o que lhe deu mais gozo fazer, e um 13.º em Port Elizabeth, na África do Sul, mas há que reconhecer o mérito a um jovem que – qual capitão Nemo – decidiu lançar-se sozinho em busca do sonho. Nem que para isso tenha de passar semanas após semanas em escalas de avião ao redor do Mundo.

    Mas num desporto onde são cada vez menos os surfistas a terem apoios sérios para competirem ao redor do Mundo e onde os patrocínios escasseiam, como é que Dylan Groen consegue viajar bem mais do que um surfista de topo do WQS? “Só consigo fazer estas viagens todas com ajuda dos patrocinadores e dos meus pais”, começa por admitir. “É difícil organizar tudo, mas com ajuda dos meus pais fica mais fácil. Tem valido muito a pena”, assevera.

    No entanto, a Federação alemã também tem sido preponderante para esta “montanha russa” de viagens. Isto porque os germânicos incluíram o surfista da Linha num ambicioso projeto olímpico para os Jogos de Tóquio’2020. “O apoio da federação alemã começou o ano passado e tem em vista os Jogos Olímpicos. Tenho um budget para ter treinador, pranchas de surf e viagens. Se ultrapassar o budget tenho de pagar do meu próprio bolso. Trata-se do maior apoio que já tive e ajuda-me imenso para viajar e fazer os campeonatos que ando a fazer”, revela-nos o jovem surfista, de 19 anos.

    Na segunda metade do ano não irá estar tão ativo. Ainda assim, embora não tenha certeza por onde irá continuar este percurso frenético, deverá ir ao Panamá e Martinica, voltar aos Estados Unidos e também ambiciona ir ao Havai, a grande meca do surf, além de fazer a perna europeia. Entre tantas viagens, Dylan Groen só lamenta uma coisa: “Infelizmente não há muito tempo para viagens de freesurf, mas, ainda assim, tem sido um ano muito divertido”.

    Depois de ter estado em destaque na Liga MEO Surf 2018, onde foi o melhor júnior e terminou no 11.º posto, este ano Dylan ainda não competiu dentro de portas. Diz que só o fará quando a sua estadia por cá coincidir com as etapas. Algo que tem sido praticamente impossível. O foco de Dylan está mesmo lá fora, sobretudo depois do plano que traçou com o treinador. “Tenho um plano para chegar ao WCT dentro de 3 a 5 anos. Este plano foi feito com o meu treinador, que é da África do Sul”, assegura-nos.

    Com uma agenda tão preenchida é perfeitamente natural que enquanto o leitor estiver a passar os olhos por estas linhas Dylan esteja na água de licra vestida a fazer aquilo que mais tem feito durante este ano. É que o jovem luso-germânico, que vem de uma participação nos trials do Ballito Pro, o primeiro QS10000 da temporada, está já a preparar a chegada das provas da perna europeia de verão, sendo um dos inscritos para o QS1000 de Newquay, que se disputa no início de agosto. Se Dylan Groen não chegar ao topo, certamente que não foi por falta de tentativas.

     

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