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  • Medina e a maldição do arranque de temporada
    05 julho 2019
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  • Este é o pior arranque de temporada do brasileiro desde 2015, num ano em que também defendia o título mundial.
  • Em 2018 Gabriel Medina repetiu o feito que já tinha conseguido em 2014, conquistando o segundo título mundial da carreira. Um número que só peca por escasso face ao potencial que o surfista brasileiro mostrou desde o início da adolescência. Aos 25 anos, já poderia contar com mais títulos mundiais no currículo, mas não tem conseguido fazê-lo, sobretudo, por culpa dos arranques de temporada abaixo do expectável. Tal como acontece novamente em 2019.

    O campeão do Mundo em título ocupa apenas o 8.º posto do ranking, após terem sido disputadas as cinco primeiras de onze etapas do circuito. Medina está já a cerca de 16 mil pontos de distância do líder do ranking e grande rival, o havaiano John John Florence. Tem duas eliminações na 3.ª ronda, que o deixam sem margem de manobra para o resto da temporada. A juntar a isso, foi três vezes 5.º classificado, não tendo ainda superado a barreira dos quartos-de-final em 2019.

    Este é o pior arranque de temporada do brasileiro desde 2015, num ano em que também defendia o título mundial e, por esta altura da época, estava a cerca de 17 mil pontos do compatriota Adriano de Souza, que viria a sagrar-se campeão mundial. Estas “falsas partidas” da superestrela brasileira são compensadas por segundas metades de época avassaladoras. Mesmo que nem sempre seja possível recuperar o terreno perdido, a verdade é que desde 2014 que Medina não fica fora do top 3 mundial no final do ano. Não fosse a “maldição” do arranque de temporada e já poderia ter mais títulos na prateleira.

    A exceção à regra em termos de maus arranques foi em 2014, onde começou a temporada logo com um triunfo na Gold Coast, que o lançou para o primeiro título mundial - que também foi o primeiro de um brasileiro. Um feito que deixou um país inteiro aos seus pés e que lhe trouxe bastante fama e muitas amizades mediáticas. Por isso mesmo, no Brasil são muitos os que associam o fraco rendimento de Gabe nos primeiros meses do ano às pré-temporadas regadas de festas com o amigo inseparável Neymar. São apenas rumores, mas a cada época que passa a tendência aumenta.

    No ano passado, mesmo tendo sido campeão mundial, o começo também não foi perfeito. Ainda assim, a diferença para Julian Wilson era de apenas 6 mil pontos, após cinco etapas, acabando por superar o australiano com uma reta final incrível, onde somou três vitórias e foi duas vezes terceiro. Resta perceber se em 2019 o trajeto de Medina será o mesmo, tendo em conta que o único fator a favor dele, neste momento, é o facto de John John falhar o resto da época devido a lesão.

    A próxima etapa do WCT acontece já no início de julho, em Jeffreys Bay. A mítica direita sul-africana não é ideal para os surfistas goofys, que surfam com o pé direito à frente e, por isso, de costas para a onda, mas Medina já quebrou várias vezes esse estigma. O melhor que já conseguiu fazer em J-Bay foi um 3.º lugar e, apesar de nunca ter vencido, também nunca fez pior do que o 5.º lugar.

    Depois, em agosto há os poderosos tubos de Teahupoo, no Taiti, onde é dos melhores em termos de performance e resultados. Segue-se a piscina de ondas de Slater, onde venceu o evento de estreia no ano passado, e a perna europeia, com França e Portugal, que também lhe costuma ser favorável. Isto tudo antes da decisão no Havai. Resumindo, são etapas em que praticamente tudo joga a favor de Gabriel Medina. Mas onde já chega com uma, cada vez mais habitual, desvantagem pontual…   

    Os arranques de temporada de Medina após 5 etapas:

    - No ano passado estava a cerca de 6 mil pontos de distância do líder Julian Wilson. Chegou à sétima etapa com apenas um 3.º lugar, tendo sido 5.º classificado em três ocasiões. Na segunda metade do ano venceu três eventos e foi 3.º duas vezes. Terminou como campeão, com quase 5 mil de avanço.

    - Em 2017 esteve a mais de 12 mil pontos do líder Matt Wilkinson. Começou com um 3.º lugar, mas só ganhou a primeira etapa já perto do final do ano, no antepenúltimo evento. Ainda acabou como vice-campeão mundial, três lugares à frente de Wilkinson.

    - Em 2016 também era Matt Wilkinson o líder após a 5.ª etapa, mas com 32500 pontos. Medina estava a 8.500 pontos de distância. Ganhou o primeiro evento à 5.ª etapa, mas só na quarta etapa tinha conseguido chegar aos quartos-de-final. Ainda terminou em 3.º lugar, dois lugares à frente de Wilkinson.

    - Em 2015 era Adriano de Souza o líder, tendo 28 mil pontos, com mais de 17 mil de avanço para Medina. Só passou dos quartos-de-final à sétima etapa e só ganhou à nona. Apesar de ter sido apenas 3.º no final do ano, Medina ainda lutou pelo título até às últimas rondas da etapa final no Havai.

     

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