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  • Portugal na vanguarda da igualdade de género
    29 junho 2018
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  • Em 2015, o Pro Júnior de Espinho tornou-se no primeiro campeonato com prize-money igual para rapazes e raparigas e a Europa seguiu-lhe o exemplo.
  • A igualdade de géneros é um tema cada vez mais atual e que muita tinta tem feito correr pelos quatro cantos do Mundo. Agora, a “bomba” rebentou no surf. Isto porque uma foto dos vencedores do Pro Júnior de Ballito deu início a um verdadeiro chorrilho de críticas ao evento sul-africano. Em causa está o facto de a vencedora receber metade do prize-money do vencedor.

    Os “queixosos” exigem igualdade nos valores, dando início a uma campanha que já levou a imagem do referido campeonato até às páginas de alguns jornais britânicos, como o “The Guardian” ou o “Mirror”. As críticas são estendidas à WSL, organizadora do circuito, e à Billabong, patrocinadora principal do evento, mas é o Ballito Pro que tem sido “crucificado” como um verdadeiro “prevaricador” da desigualdade dos prize-moneys.

    No entanto, basta fazer uma pesquisa extensa ou seguir com atenção as provas da WSL para se chegar a duas conclusões: a primeira é o facto de o Ballito Pro seguir o exemplo da grande maioria das centenas de campeonatos da WSL, onde os homens são pagos a dobrar em relação às mulheres. Como a final do Mundial de juniores, por exemplo. Há muitos anos que assim é, salvo rara exceção. No surf e em muitos desportos de massas.

    Aliás, existem exemplos de discrepâncias bem maiores do que aquela agora “descoberta” em Ballito. Por exemplo, no recém-criado Circuito Mundial de Ondas Grandes feminino cada etapa tem um prize-money de 30 mil dólares. No circuito masculino é de 100 mil… Outro exemplo é o dos QS6000 australianos do início da temporada (Newcastle e Sydney), onde o prize-money total masculino é de 150 mil dólares, para 50 mil das provas femininas.

    Apesar da total validade das críticas e das exigências por prémios iguais, é importante salientar que é injusto que essas se centrem num pequeno campeonato júnior, que apenas segue o exemplo de tantos outros eventos maiores. Aí entra a WSL como responsável. Contudo, resta frisar que o organismo tem pautado pela evolução do prize money do Women’s World Tour, que, embora se mantenha pela metade dos homens, tem vindo a aumentar de ano para ano.

    Podemos recorrer ainda a outros circuitos, como o de Longboard, onde a diferença também se estabelece pelo dobro entre mulheres e homens. Desde o Japão ao Brasil, passando pelo Havai ou África do Sul, como é o exemplo de Ballito, esta diferença de valores é quase regra - tendo em conta campeonatos com estatutos idênticos. No entanto, é aqui que entra a segunda conclusão: Portugal é uma exceção à regra, apresentando-se como pioneiro nesta igualdade de géneros.

    Em 2015 o Pro Júnior de Espinho esteve na vanguarda, ao anunciar-se como o primeiro campeonato com prize-money igual para rapazes e raparigas. No ano seguinte a Caparica seguiu o exemplo, depois de um “pedido especial” do presidente da câmara local, Joaquim Judas. Atualmente, ambos os campeonatos têm um prize-money de 5 mil euros em cada uma das categorias.

    O resto da Europa seguiu os passos portugueses e neste momento o Circuito Pro Júnior Europeu é totalmente igualitário para homens e mulheres no que a prémios diz respeito, pois as etapas espanholas e francesas também pagam o mesmo. Igual acontece no circuito de Longboard, onde as etapas portuguesas de Espinho e Caparica mantiveram essa política de igualdade, a par das restantes etapas europeias.

    Contudo, no circuito WQS o cenário já é diferente e a Caparica apresenta-se como exemplo único desta política de igualdade – Espinho não conta com prova Open -, a par do Boardmasters, que se realiza na Cornualha, no Reino Unido. A título de exemplo, grande parte dos restantes campeonatos europeus são de categoria QS1500 e o prize-money total na prova masculina é de 25 mil dólares, para 15 mil na prova feminina – ainda assim, acima de metade.

    O mundo do surf está, assim, a acordar agora para a questão da igualdade de géneros e para as críticas adjacentes ao tema. Enquanto isso, Portugal leva três anos de avanço, dando o exemplo em termos de prémios monetários iguais independentemente do sexo. Os louros têm de ir para Espinho e, posteriormente, Caparica, que estiveram na vanguarda desta realidade.

     

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