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  • Capitã Dupont e a “segunda casa” em Portugal
    20 março 2018
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  • No currículo, a francesa conta com êxitos em quase todas as disciplinas, domina o mais variados tipos de pranchas e ondas e é em Portugal que tem conseguido os maiores êxitos.
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    A vitória no Longboard Pro Espinho foi apenas mais um êxito para juntar ao vasto currículo que Justine Dupont exibe aos 26 anos. Foi também mais um alcançado no nosso país, onde esta waterwoman francesa de excelência se diz sentir em casa. “Amo Portugal”, garante. Mas a prancha de longboard é apenas a ponta do iceberg.

    Não importa o tamanho da prancha, nem as características da modalidade, pois Justine é capaz de entrar em qualquer competição para figurar entre as melhores. Também bate recordes do Mundo em ondas gigantes. Justine faz tudo dentro do mar e ganha de qualquer maneira. Poucos surfistas se podem orgulhar de serem tão completos como ela.

    Comecemos… pelo início. Justine Dupont tinha apenas 15 anos quase se mostrou pela primeira vez ao Mundo. Apesar da juventude, conseguiu chegar à final do Mundial de Longboard disputado em França e terminou como vice-campeã mundial. Entre ISA e ASP/WSL voltou a figurar no top 3 mundial várias vezes, como em 2009, 2010 e 2013.

    No ano passado terminou o circuito europeu da WSL como vice-campeã e este ano está de regresso à luta. Venceu a primeira prova europeia em Espinho e vai agora para a Caparica tentar repetir a façanha. É provável que a vejamos nas finais mundiais e, estando lá, o objetivo passa sempre pelos lugares mais altos do pódio.

    Os vice-títulos não se ficam por aqui. Em 2016 foi vice-campeã mundial de ondas grandes da WSL, tendo terminado no top 3 em 2017. É uma das mulheres mais destemidas da atualidade e isso é provado pelo recorde mundial para a maior onda surfada por uma mulher. Alcançou-o em 2017 na nossa Nazaré, batendo um registo que já era dela, alcançado em Belharra.

    Mas os “vices” não se ficam por aqui, pois no ano passado sagrou-se vice-campeã mundial da ISA em SUP, provando que versatilidade é o seu nome do meio. A juntar a todos estes galardões, ainda tem no currículo o título mundial da ISA por equipas, no ano passado. Isto para já não falar dos títulos nacionais e europeus de surf e longboard que possui.

    E há mais! Justine também domina a shortboard como poucas, ou não tivesse feito parte da elite mundial em 2012 – manteve-se no WWT apenas nesse ano, pois terminou no 17.º lugar. Entre tantas pranchas e estilos, qual o que mais gosta? “Adoro todas as formas de fazer ondas”, simplifica-nos Justine, para quem as condições do mar nunca parecem ser um problema.

    “Eu tento-me adaptar às condições do dia. Para mim, passa tudo por divertir-me no oceano. Se estiverem ondas grandes quero pegar na minha ‘gun’ e deixo de lado o longboard. Se estiverem tubos pego na shortboard. Cada disciplina ajuda-me a evoluir nas outras”, frisa.

    A relação especial com Portugal

    “Sinto que Portugal é a minha segunda casa”, confessa-nos Justine Dupont. “As pessoas são tão simpáticas, o clima é tão bom. E existem muitos tipos de ondas diferentes”, argumenta. No entanto, a relação especial da francesa com o nosso país não se fica por aí, pois a grande maioria das vitórias que alcançou na carreira aconteceram pelas nossas praias. Espinho foi só uma gota no oceano.

    Quando chegar à Caparica, Justine vai ter de defender o estatuto de campeã do QS1000 feminino, além de tentar ter êxito na prova de longboard. Foi ela a vencedora do Caparica Pro no ano passado, mostrando os seus dotes para a shortboard. Mas já em 2016 tinha vencido o QS1500 dos Açores. Nesse ano também conseguiu vencer um QS1000 em Avoca Beach, na Austrália, naquela que foi a única vitória de shortboard fora do nosso país.

    Mas recuemos ainda até 2012, ano em que Justine fazia parte do Women’s World Tour. Com dificuldades em fazer resultados expressivos no escalão principal, acabou por ser no WQS a sua maior conquista. Em finais de setembro, com o sol a fazer-se sentir em força numa lotada praia de Carcavelos, Dupont levou a melhor sobre a “desaparecida” Nage Melamed e conquistou o EDP Surf Pro Estoril, um QS 6 estrelas.

    Apesar de ser um resultado insuficiente para garantir a requalificação para o WWT, foi o triunfo mais expressivo da carreira da francesa em shortboard. E também o primeiro triunfo em Portugal. Aquele que talvez terá despoletado toda a incrível história que se seguiu e que poderá ter sequência já na próxima semana na Caparica. Caso contrário, é vê-la como uma das mais assíduas nas sessões gigantes da Praia do Norte.

    O que pensa Justine Dupont acerca da igualdade entre homens e mulheres em locais como a Nazaré, por exemplo? “Penso que não é uma questão de seres homem ou mulher”, explica-nos. “É mais sobre o que queres fazer na visa e o que fazes para ter sucesso fazendo isso. Se queres surfar ondas grandes, ser rapariga não é um problema, desde que estejas preparada para isso”, defende.

    “O respeito [dos homens para com as mulheres no lineup] acabará por vir com o tempo que passas na água, com o treino e com a atitude”, conclui Justine, a “surfer girl” e “waterwoman”, como se gosta de definir, mais completa da Europa e, quem sabe, do Mundo.

     

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