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  • Após o fosso, Raoni Monteiro regressa ao topo
    03 outubro 2017
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  • Surfista brasileiro saiu de forma inglória da elite mundial, acabando suspenso por ter sido apanhado nas malhas do doping, mas regressou da melhor forma três anos depois.
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    Aos 35 anos, Raoni Monteiro está de regresso ao topo, após um percurso atribulado, marcado por triunfos, lesões graves e doping. No final de 2014 Raoni deixou o World Tour pela porta pequena e alguns meses depois foi-lhe aplicada uma suspensão de 20 meses. Três anos depois regressou às competições e parece determinado em mostrar que o pior foi ultrapassado.

    Estamos a falar de um surfista que começou muito a dar nas vistas, embora tenha demorado a afirmar-se na elite mundial. Na última semana quebrou um hiato de sete anos sem vencer uma prova da WSL, conquistando a Siargao Cup nos míticos tubos de Cloud 9, uma prova de estatuto QS3000, onde o português Nic von Rupp também brilhou com um 3.º posto.

    “Não consigo nem explicar o quanto estou feliz neste momento. Logo no final, vi a onda vindo e sabia que era aquela e que eu podia fazer os pontos necessários. Esse foi um evento incrível para mim. É a primeira vez que venho para as Filipinas e as ondas estavam tão boas, nós todos estávamos muito amarradões com as condições do mar. Todos estavam quebrando e eu me sinto muito sortudo em ter terminado no topo”, afirmou Raoni Monteiro após a vitória.

    Foi em 2004 que Raoni chegou pela primeira vez à elite mundial e por lá manteve-se até 2007, embora sem resultados expressivos – nunca fez melhor que 5.ºs lugares. Passou os anos seguintes em “luta” no WQS, até que em 2010 fez história e foi premiado por isso, requalificando-se para o World Tour de 2011.

    Um triunfo na O’Neill World Cup, na mítica onda de Sunset Beach, valeu a qualificação e também o feito de ser o primeiro brasileiro em 19 anos a vencer ali. Seguiu-se novo período de quatro anos no WCT. Voltou a não ter resultados de relevo, as lesões atrapalharam-no e foi através do WQS que se foi mantendo na elite – em 2013 chegou à final em Haleiwa. Pelo meio, algumas histórias ligadas ao álcool, drogas e noitadas.

    Após o Pipe Masters de 2014 viu ser confirmado o adeus ao Tour. Em maio de 2015, a WSL anunciou a suspensão por 20 meses, depois de ter sido apanhado com doping na última etapa do ano no Havai. “Cometi um erro sem querer, mas as regras são feitas para serem seguidas e quebrei-as. Vou trabalhar forte neste tempo longe das competições, para retomar o meu melhor e competir novamente no ano que vem”, afirmou.

    No entanto, apenas no início deste ano Raoni regressou lentamente às competições. Após algum tempo em casa, no Brasil, onde se dedicou à família e à recuperação, o surfista brasileiro começou a dar os primeiros sinais de retoma com o 9.º lugar alcançado no QS1500 de Casablanca, em Marrocos. Até que a história voltou a cruzar-se com ele nas Filipinas.

    O mais recente resultado coloca agora Raoni de regresso ao top 100 mundial do WQS. Atualmente no 79.º posto do ranking, o surfista brasileiro, de 35 anos, poderá ter já assegurado uma vaga na Triple Crown havaiana, ele que ainda vai contar com algumas provas no Brasil para somar mais pontos. E com o currículo que alcançou no passado nas ondas havaianas, poderemos estar na presença de um dos maiores e mais emocionantes comebacks da história do surf mundial?

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