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  • Contas equilibradas e mão cheia de candidatos
    20 setembro 2017
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  • A três etapas do final do World Tour, são ainda alguns os surfistas que podem chegar ao título mundial, mas há dois a ganhar evidência, e há até uma tricampeã mundial com o futuro em risco. Quem irá suceder a Tyler Wright e John John? Eis os cenários.
  • O World Tour 2017 vai entrar na fase decisiva. No entanto, a três etapas do final, ainda é praticamente impossível prever cenários. Até meio do ano registou-se um equilíbrio raramente visto e só na última etapa, a oitava, em Trestles, se registou o segundo triunfo por parte do mesmo surfista na presenta temporada. Também foi pela Califórnia que, finalmente, dois candidatos se começaram a destacar dos demais, embora sem que essa vantagem possa significar mais do que uma pequena percentagem de favoritismo para a conquista do cetro.

    Mesmo estando ainda tudo em jogo para uma mão cheia de surfistas, a única ideia possível de tirar do ranking masculino é a de que Jordy Smith, o líder mundial, e John John Florence, número dois e atual campeão mundial, são os principais favoritos. Não só pelos pontos que já têm – 45.850 e 43.400, respetivamente -, mas, acima de tudo, pela tremenda eficácia e domínio evidenciados dentro de água. Ainda assim, Julian Wilson, Matt Wilkinson, Owen Wright, Adriano de Souza e até Filipe Toledo não podem ser, para já, arredados das contas.

    No entanto, é já possível descortinar uma pequena vantagem para o gigante sul-africano: ainda tem margem para um percalço, pois o pior resultado que tem é um 13.º lugar, tendo um 9.º lugar a entrar nas contas. Se escorregar em França, Portugal ou Havai Jordy fica com um 9.º posto a contar. John John, por sua vez, já tem dois 13.ºs lugares este ano. Até pode não ter nenhum 9.º posto nas contas, mas sabe que se facilitar em algum dos últimos três eventos, e sobretudo se Jordy Smith não vacilar, as contas ficam inquinadas para um dos lados.

    Olhando para os outros, Julian Wilson fecha o top 3. O australiano está a mais de 8 mil pontos da liderança e já tem dois 9.ºs lugares a contar – tem dois 13.ºs como descartes. A margem é mínima para Julian. E se é para ele, imagine-se para os que seguem atrás. Wilko é quarto e Owen quinto, este a 10 mil pontos certos, o que significa que para recuperar distância rapidamente até ao Havai, precisariam de dois resultados muito fortes na Europa e de esperar, pelo menos, por uma eliminação nas primeiras rondas do líder.

    Owen tem ainda uma vantagem sobre o compatriota que está logo à frente no ranking, uma vez que, depois de um 13.º lugar e um 25.º, “apenas” tem dois 9.ºs lugares a contar. Claro que não é uma situação ideal, mas Wilkinson, por exemplo, já conta com um 13.º nas contas e se perder mais alguma vez na 2.ª ronda irá também contar com um 25.º posto. Basicamente, traduzindo isto para linguagem corrente… game over!

    Depois há Adriano de Souza a 11 mil pontos e já com um 13.º a contar. As contas são complexas para o campeão mundial de 2015, mas não desistir e esperar por descuidos dos homens da frente é a palavra chave. Já Filipe Toledo, o único que venceu duas etapas em 2017, precisa de algo mais. O brasileiro já tem um 25.º lugar a contar e também um 13.º. A suspensão na etapa de Fiji acabou por prejudicá-lo nas contas, mas a irregularidade também. Pelo que seria preciso quase um milagre. Mais dois triunfos poderiam chegar, mas só se a malta da frente “adormecesse”.

    Por fim, Gabriel Medina. A mais de 15 mil pontos da frente, qualquer outro surfista já estaria arredado, mas estamos a falar do campeão mundial de 2014 e de um atleta de exceção. Por respeito, podemos mencionar que com uma ajuda divina Medina ainda lá poderia chegar, mas a verdade é que é quase “missão impossível”. França vai definir muita coisa, mas, ou ele vence e os dois da frente escorregam, ou o mais provável é dizer aí o adeus definitivo ao sonho. Por este ano…

    Outra coisa parece certa: ao contrário do ano passado, dificilmente haverá campeão do Mundo em Portugal. Para isso, teria de um dos dois da frente vencer duas etapas e esperar por dois resultados fracos do adversário. Qualquer coisa como isso. Após tanto equilíbrio durante o ano, seria uma surpresa a decisão não acontecer em Pipeline…

    Rookies… e aflitos

    Além das contas do título, há ainda muita coisa por decidir. As contas pelo rookie do ano também estão super equilibradas, e temos um português ao barulho. Assim como, naturalmente, a luta pela “sobrevivência” no Tour, onde alguns nomes de relativo peso estão a sofrer para entrar no cut.

    Quanto ao “novato” do ano, Frederico Morais e Connor O’Leary estão praticamente empatados na zona do top 10 – o português é 11.º e o australiano 10.º, com apenas 50 pontos a separá-los. Em termos de descartes o português já tem dois 25.ºs lugares e três 13.ºs a contar. Já O’Leary tem apenas um 25.º, mas se fizer outro fica com quatro 13.ºs a contar.

    A favor de Kikas há ainda o facto de estar numa fase em crescendo e ir competir em “casa” nas duas próximas etapas, enquanto o aussie viveu o melhor período no início da temporada, sendo que o melhor que conseguiu nas últimas três etapas foi um 9.º lugar. Nestas contas pode ainda entrar o francês Joan Duru – cuidado com ele nas “baguetes” francesas! Está a cerca de 5 mil pontos do duo da frente e é o terceiro e último rookie dentro do cut, mas terá de conseguir um grande resultado para entrar realmente na luta, ele que já tem um 25.º lugar a contar.

    Mas Duru, tal como Jeremy Flores, Conner Coffin e Wiggolly Dantas, todos entre os 19 e 18 mil pontos, poderão ter de estar preocupados com outras contas: as da requalificação. Nestas não entra Bede Durbidge, atual 20.º colocado, uma vez que já anunciou a retirada no final da época. Neste momento, é Caio Ibelli, com 16.500 pontos, que fecha o cut, no 22.º posto. O que mostra bem a vida difícil que os melhores rookies de cada ano passam a ter nos anos seguintes – a tendência não é evoluir, mas, sim, ir caindo e Italo Ferreira, Nat Young e Alejo Muniz já tinham sido prova disso no passado.

    Italo Ferreira, que vem logo no 23.º posto, e Kelly Slater, caso esta não seja a sua última época, ao contrário do que anunciou, podem estar descansados, pois falharam três etapas por lesão e os dois wildcards previstos para essas situações parecem já destinados, caso não se lesione alguém gravemente nesta ponta final. Kanoa Igarashi é o 24.º classificado, mas o facto de ser 3.º no ranking do WQS oferece-lhe margem de manobra.

    Mais complicada está a vida dos rookies Zeke Lau e Ian Gouveia, já a cerca de 3 mil e 4 mil pontos, respetivamente, do cut, ou de Jadson Andre e Jack Freestone, ambos a mais de 5 mil pontos de Ibelli. Nenhum deles está no top 50 no WQS, pelo que terão de fazer rapidamente pela vida no World Tour. Em pior situação, abaixo dos 10 mil pontos, estão Leo Fioravanti, Miguel Pupo, Stu Kennedy, Josh Kerr e Ethan Ewing, precisando mesmo de um resultado forte e algo mais nas últimas etapas.

    De todos estes casos os piores são os de Ewing e Kerr, embora este esteja no 22.º posto do ranking WQS, podendo ainda entrar na luta pela requalificação por fora. Com menos de 7 mil pontos angariados em 8 etapas, nunca passaram da terceira ronda e ambos estão atrás, por exemplo, de Yago Dora, jovem brasileiro que apenas entrou em duas etapas através de wildcards, ficando em terceiro no Rio de Janeiro. Nestes casos de surfistas que ainda não chegaram aos 10 mil pontos uma eventual recuperação já começa a precisar de contornos milagrosos. Veremos como será na Europa…

    Carissa nunca antes vista

    No Women’s World Tour o cenário é idêntico. Equilíbrio é a palavra de ordem, sobretudo pela irregularidade das candidatas. Após Trestles, Sally Fitzgibbons subiu ao topo, ela que em 2016 viveu uma das piores temporadas da carreira e parecia definitivamente arredada do sonho do primeiro título mundial – ficou no 8.º posto, sendo que em toda a carreira nunca tinha baixado do 4.º lugar.

    Contudo, Sally tem apenas 300 pontos – o que é isso? – de avanço sobre Courtney Conlogue, a mais regular nas últimas etapas, e 400 sobre a campeã mundial Tyler Wright, que começa a quebrar o ritmo. Querem mais equilíbrio que isto? E quanto aos descartes, a mais experiente de todas também leva vantagem. O pior que fez este ano foi 5.º lugar, o que lhe dá margem para escorregar. Conlogue já tem dois 9.ºs lugares e com mais um será penalizada nas contas. Já Wright tem apenas um 9.º, ficando também com alguma margem de erro.

    No quarto posto vem Stephanie Gilmore, que começou o ano como líder, mas que foi caindo aos poucos. Está a pouco mais de 5 mil pontos da frente e ainda pode ter uma palavra a dizer. Mas terá de começar a vencer etapas e esperar que as companheiras da frente vão desacelerando. Até porque não pode ceder, uma vez que já tem os dois descartes ocupados com um 9.º e um 13.º lugar.

    No 5.º posto surge ainda Sage Erickson e no 6.º Johanne Defay. Ainda a menos de 10 mil pontos de distância, é justo dizer que ambas estão matematicamente na luta, mas, realisticamente, isso não será verdade, até por uma questão de surf e de regularidade, onde as adversárias estão patamares acima. A luta resume-se assim a quatro surfistas e não se decidirá nada na próxima etapa, já na próxima semana em Portugal. No entanto, Cascais poderá ter cariz decisivo para o desfecho das contas do título mundial.

    Quanto à luta pela requalificação há ainda muita coisa em jogo. Do 7.º ao 13.º posto tudo ainda pode mudar, pois a diferença entre essas posições está nos 8.400 pontos. Silvana Lima é a 13.ª colocado e mesmo depois de vencer em Trestles está a mais de 5 mil pontos do cut, que está, neste momento, fixado nos 29.400 pontos da havaiana Tatiana Weston-Webb, que fecha o top 10. Logo a seguir, vem Keely Andrew, a 900 pontos, que nem com a final feita em Trestles conseguiu entrar em lugares a salvo.

    Por outro lado, se Nikki van Dijk (7.ª) e Lakey Peterson (8.ª) podem ter alguma margem de erro, o mesmo não se pode dizer das outras, sobretudo da grande surpresa: a tricampeã mundial Carissa Moore. A havaiana ainda não passou qualquer vez dos quartos-de-final em 2017, o que resulta num 9.º lugar, com apenas 2.550 pontos de vantagem sobre Andrew, que é a primeira ameaça a três etapas do final.

    Depois, praticamente condenadas estão Pauline Ado, Laura Enever e Bronte MaCaulay. Pelo meio está Malia Manuel, mas como falhou quatro etapas por lesão, poderá estar a salvo para 2018, via wildcard. No entanto, há ainda o ranking do WQS, que, para já, dá tranquilidade a Silvana (1.ª) e Tatiana Weston-Webb (2.ª) e vê ainda Keely Andrew (4.ª) e Bronte MaCaulay (5.ª) em lugares de qualificação – fecham no top 6.

    Já Coco Ho, que é 12.ª no WWT e 7.ª no WQS, a menos de mil pontos do cut, pode ainda jogar em duas frentes. Prevê-se, assim, uma luta renhida até final e com o condão de ter um nome sonante a animar as hostilidades. Irá Carissa deixar todos de queixo caído, mas, desta vez, por razões negativas? As respostas começam a ser dadas já na próxima etapa. Aqui mesmo, em Portugal.

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