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  • Sam Hearn, do quase anonimato do Algarve para o top 6 do Mundial ISA
    09 junho 2022
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  • Contra todas as expectativas foi o melhor europeu na categoria masculina Sub-18 em El Salvador.
  • Quando partiu para El Salvador foi com a certeza que tinha trabalhado no limite para mostrar-se ao Mundo. Contudo, deveria estar longe de imaginar que uma semana depois deixava as ondas de El Sunzal e La Bocana como melhor europeu da categoria Sub-18 masculina. Samuel Hearn. Um nome praticamente desconhecido, mas como uma grande ligação a Portugal. Lutou até ao dia final pelo ouro e conseguiu um surpreendente 6.º posto final. Foi de longe o melhor elemento da equipa inglesa e afirmou-se como a grande surpresa deste Mundial Júnior ISA.

    Antes do campeonato iniciar tínhamos falado dele na lista de curiosidades, em que surgiam vários surfistas residentes em Portugal a representar outras seleções. Na maior parte dos casos, nomes conhecidos dos vários circuitos nacionais. O mesmo não se passava com Hearn. Tem 18 anos, vive em Aljezur desde os 13 e para alimentar o sonho de uma carreira surfista volta a Cornwall todos os verões para trabalhar como instrutor de surf e angariar alguns fundos para as surf trips.

    Orientado por Kike Lezano e companheiro de surfadas de alguns dos maiores talentos do sul de Portugal, como Halley Batista, João Maria Mendonça ou Tomás Alcobia, Sam Hearn mostrou que os nomes não garantem prémios antecipados e deixou o seu surf falar por si. Uma prestação que o lançou, agora, para a ribalta, depois de uma carreira jovem recheada de títulos no seu país.

    Estivemos à conversa com Sam Hearn para perceber como tudo aconteceu, desde a vinda para Portugal, até ao sensacional desempenho em El Salvador. Tentando perceber como é que um surfista desta qualidade consegue passar praticamente despercebido no radar do surf nacional e europeu.

    O surf entrou cedo na vida de Sammy, como também é conhecido. O pai e o irmão surfavam e assim que aprendeu a nada experimentou deslizar nas ondas, com somente 5 anos. A partir daí deixou que a paixão o levasse. “Nunca mais parei desde então”, começa por afirmar.

    Conta-nos que desde muito jovem vem regularmente ao Algarve, onde os pais tinham alguns amigos de família. Até que surgiu a mudança para Aljezur. “Com 13 anos tive a sorte de ter a oportunidade de me mudar para o Algarve. Os meus pais sempre me deram um grande apoio em relação ao surf e, assim, tive a oportunidade de surfar ondas de qualidade todos os dias”, admite.

    Sobre o mais recente resultado que o catapultou de alguma forma para o estrelato, mesmo que muitos continuem sem saber que é um surfista moldado pelas ondas portuguesas, Sam confessa que, apesar de confiar no seu valor, ficou surpreendido. “Sabia que era possível e que tinha treinado arduamente com o Kike Lezano. Apenas tinha de ficar calmo e escolher as melhores ondas. Pensei num heat de cada vez e tentei manter-me focado. Mas, na realidade, chegar tão longe foi incrível”, atira.

    Agora, não tem dúvidas em apontar o mítico Boardmasters, evento disputado em Cornwall, no Reino Unido, que este ano está de regresso ao WQS, como o grande objetivo num futuro próximo. A vitória é meta, nem hesita na resposta. Foi lá que entrou pela primeira vez e única num evento da WSL, em 2019. No entanto, também ele sente na pele a dificuldade para um jovem surfista construir uma carreira sólida, com os patrocínios a escassearem.  

    “Vou continuar a trabalhar no duro até perceber que posso ir longe nos eventos do WQS. Contudo, atualmente, não tenho muita capacidade financeira para entrar nesses eventos com a regularidade que gostava. É frustrante, mas, infelizmente, não é fácil encontrar apoios a este nível”, rematou o jovem surfista que é apoiado pela Animal e que é a prova viva que fora dos circuitos da WSL há muito talento à espera de ser revelado.

     

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