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  • Miguel Blanco, da chamada de última hora à final em Punta Galea
    24 fevereiro 2022
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    Ian Tavares
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  • Português seguiu para o País Basco com o australiano Russell Bierke e ambos foram à final.
  • O telefone tocou no domingo e do lado de lá estava o convite inesperado para entrar num dos mais históricos campeonatos de Ondas Grandes do Mundo. Face às várias ausências internacionais, a organização do Punta Galea Challenge decidiu premiar Miguel Blanco com uma das vagas disponíveis, tal como fez com o jovem Tony Laureano, acabado de vir do pódio na Corunha. Blanco nem pensou duas vezes e aceitou o convite para participar naquele que seria o segundo evento de ondas grandes em que ia entrar em toda a carreira. Pegou no carro e arrancou em contrarrelógio rumo a Getxo, no País Basco.

    Com ele foi o australiano Russell Bierke, que no fim-de-semana passado tinha estado em ação nos tubos de Carcavelos, durante o Capítulo, e que também conseguiu vaga em Punta Galea. No carro seguiam ainda as pranchas para Francisco Porcella, big rider italiano que já estava confirmado no evento basco há mais tempo. O plano inicial de viagem era apenas levar as pranchas ao amigo. Mas, após uma chamada, tudo mudou. “De repente, vi-me dentro do campeonato, na véspera de ele se realizar”, começa por contar Miguel Blanco ao Beachcam. “Partimos logo no domingo. Quando chegámos ficámos num surf camp em Sopelana. Nunca tinha ido a Punta Galea. Sabia que ia ser uma missão difícil, pois mal chegássemos tínhamos de tentar descansar para no dia seguinte ir para o barco de apoio do campeonato às 6H30”, explica-nos.

    “A onda fica à frente de uma falésia e nestes campeonatos é sempre mais fácil logisticamente o pessoal estar dentro de um barco de apoio e ter os jets skis para fazer resgate e transportar de um lado para o outro. Foi uma experiência incrível. Não sabia bem ao que vinha. Sabia que era um bom campeonato no panorama europeu, mas não sabia que era, provavelmente, o melhor de todos os eventos de Ondas Grandes de remada na Europa. Não só pelo prize-money – 20 mil euros total -, mas também pelas condições para os atletas, toda a história do evento, o sítio, as pessoas, a cultura que há de ondas grandes e os atletas internacionais presentes. Foi um evento em grande”, afirma Blanco, que heat após heat foi surpreendendo a concorrência até chegar à final.

    Aquilo que começou como um convite inesperado terminou com o 5.º posto final num histórico evento, com mais de uma década de existência. E que nos seus anos áureos chegou a pertencer ao calendário do Big Wave Tour e a receber a elite mundial do big wave riding. “Disseram-me que quando o Punta Galea Challenge fez parte do circuito mundial de Ondas Grandes da World Surf League a transmissão online chegou a ter mais de 1 milhão de pessoas a assistir, o que diz bem o quão histórico é este evento no surf europeu. Mais do que o resultado, foi importante a experiência de marcar presença num campeonato deste nível”, salientou.

    O triunfo, esse, sorriu ao suspeito do costume: Natxo Gonzalez. Foi o terceiro triunfo do surfista basco em eventos especiais neste inverno. Um jovem da mesma geração de Blanco, que se tem afirmado como um dos big riders de maior sucesso na Europa. Quis o draw do campeonato que o surfista português fosse da primeira ronda até à final sempre no mesmo heat de Natxo, aproveitando de alguma forma a “boleia” do basco para elevar a fasquia.

    “Neste campeonato desde o início que tive de enfrentar vários surfistas locais. Sabia que não era uma tarefa fácil, mas acabou por ser um fator importante. No primeiro heat acabei por virar o resultado a 5 minutos do final. Precisava de uma nota de 5 pontos e tal e tive um 5. Apanhei o jet ski, cheguei lá fora a 30 segundos do fim, apanhei uma onda que vinha meio a espumar, mas fez um reform e consegui o score que precisava para avançar na prova. Isso deu-me confiança. Ao início tentei sentar-me perto do Natxo e do Aritz Aranburu em alguns dos heats porque sabia que eles eram muito experientes nestas condições. Mas, depois, foquei-me noutra estratégia e fui um pouco mais para fora, de forma a esperar pelas bombas do set”, recorda Blanco.

    O bicampeão nacional de 2018 e 2019 admite que foi especial assistir de perto a mais um triunfo do colega Natxo González, que já tinha sido rei nas ondas grandes da Cantábria, no La Vaca Gigante, e nos tubos de Lanzarote, no El Quemao Class. “Na verdade, compito com o Natxo Gonzalez desde que tínhamos 14 anos, nos Pro Juniores europeus. Foi muito gratificante ver o Natxo vencer o campeonato praticamente em casa, em frente à família e amigos, com um prize-money bom e com surfistas internacionais presentes. Poder partilhar aquele momento com ele foi muito bom porque somos amigos de longa data. Chegámos a fazer finais do circuito europeu juntos e estarmos aqui, agora, a fazer finais juntos numa prova de Ondas Grandes de calibre mundial foi muito bom”, admite-nos.

    O jovem basco não foi o único amigo com quem partilhou a final. Além de Aritz Aranburu, que foi vice-campeão, o colega de viagem Russell Bierke também chegou ao heat decisivo. Algo que tornou a aventura ainda mais especial. “Resumidamente, foi uma grande aventura em Punta Galea. Vim com o Russell Bierke e com o meu filmmaker, Ian Tavares. Foi uma viagem super inesperada, mas muito gratificante. Eu fiquei em 5.º e o Russell em 6.º. Apanhámos altas ondas no País Basco e desfrutámos muito com os nossos amigos. Tivemos a oportunidade de participar no campeonato, que foi dos mais incríveis que fiz ultimamente”, vinca o surfista da Linha do Estoril.

    “Este campeonato deixou aqui um bichinho para ir cada vez mais atrás deste tipo de provas. Foi o segundo campeonato que fiz de Ondas Grandes. Tinha feito um em 2016, mas ainda não estava amadurecido. Este deu-me uma boa energia e vontade de fazer mais provas. Tenho de trabalhar mais no meu quiver de ondas grandes, sobretudo de remada. Mas foi uma experiência que fez com que vá com tudo para os próximos campeonatos e próximos swells”, atira Miguel, que não esconde que olha cada vez mais para o big wave riding como um caminho a seguir, inclusivamente na vertente de tow-in.

    “Sem dúvida que quero focar-me um pouco mais nas ondas grandes. Tenho um talento especial para aproveitar o mar e os swells grandes. Quero preparar-me para correr o Mundo e procurar pelas melhores condições. Não são muitas pessoas no Mundo que têm a possibilidade de fazer o que fazemos e tenho de aproveitar essa oportunidade. Vou passar mais tempo na Nazaré. Quero ficar mais confortável a conduzir o jet ski e a surfar. Tenho ali uma boa base de apoio na Nazaré, com o Nicolau von Rupp, o Sérgio Cosme, o João de Macedo, o António Silva”, aponta.

    Outro dos objetivos que poderiam fazer parte do futuro de Blanco seria uma eventual participação no circuito mundial de Ondas Grandes. O já extinto Big Wave Tour, cujo regresso começa a ganhar cada vez mais defensores entre os big wave riders. “Gostava muito que um dia voltasse o circuito mundial de Ondas Grandes, para poder competir lá. O Big Wave Tour era o circuito mais fascinante para o público e mais intenso e com mais consequências para os surfistas. Foi uma pena terem acabado com esse circuito, porque era aquele que dava mais visibilidade. Obviamente que são necessários apoios e os surfistas não estavam a ser remunerados como deveriam ser, pela dedicação de estarem a surfar ondas grandes na remada. Mas gostava que no futuro o circuito voltasse, de forma a poder-me qualificar”, revela Miguel Blanco.

    Apesar desta sua cada vez maior paixão pelas ondas grandes, que se junta ao apetite que desde cedo revelou por ondas tubulares e perfeitas, Blanco admite que vai continuar a competir nos campeonatos mais tradicionais. Mesmo que o calendário e o tempo não estiquem. “Sempre procurei ondas tubulares e, agora, ondas maiores, é um facto. Isso requer tempo de calendário e muita energia, pois passamos cinco ou seis horas no mar. No Big Wave Surfing apanhamos menos ondas, mas é preciso muita energia física e mental. Tem uma preparação completamente diferente. Ainda assim, vou continuar a fazer o circuito nacional e também o QS regional europeu, sempre que estiver por cá”, garante-nos.

     

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