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  • Porque motivo este verão está a ser tão ventoso? Pedro 'Pecas' explica
    31 julho 2021
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    Pedro Pecas
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  • Está tudo plasmado através de um brilhante texto intitulado 'Desabafos de uma ventania de verão'.
  • É verdade. Nem demos por isso e este domingo chega o mês de agosto, período de férias para muitos e no qual habitualmente, ano após ano, o verão atinge o seu pico.

    Porém, este não está a ser um verão qualquer. Não pelo facto de mais uma vez estarmos debaixo de um contexto pandémico, mas sim porque, salvo raras exceções, estamos a viver um verão em que não há continuidade do tempo condizente com a época do ano que atravessamos. 

    Onde têm andado aqueles dias de calor abrasador? E as noites tropicais? A verdade é que as semanas vão passando e os dias, particularmente no litoral, têm sido sucessivamente marcados por vento forte, temperaturas amenas e aquela sensação de que em muitos momentos precisamos de um agasalho para ficarmos totalmente confortáveis.

    Por isso, muitos de nós já se terão questionado: porque razão isto acontece? 

    Através das redes sociais, o antigo competidor e atual diretor de provas da Liga MEO Surf, Pedro Monteiro 'Pecas', explica de forma brilhante o que está acontecer neste verão através de um texto intitulado 'Desabafos de uma ventania de verão', que integra o espaço 'Crónicas Pé na Prancha'.

    "O Anticiclone dos Açores é um grande centro de Altas Pressões atmosféricas que ocorre no Arquipélago dos Açores, no Oceano Atlântico.

    Por definição as altas pressões estão associadas ao bom tempo e têm a tendência de se plantarem durante longos períodos na altura do verão no Atlântico proporcionando-nos ventos do quadrante Norte, mais precisamente de NNO.

    São responsáveis por uma série de fenómenos como a propagação de fogos promovendo-lhes dimensões infelizmente descontroláveis, mas o que a nós (surfistas) nos concerne, e até banhistas (apesar do tempo seco), é que o Anticiclone dos Açores serve de barreira de entrada de ondulação limpa na nossa costa, chegando esta muito fraca ou inexistente; cria pseudo ondulações locais que pouco ou nenhum efeito têm na nossa costa; arrasta a superfície do mar para sul proporcionando a que a água do fundo venha ao de cima arrefecendo-a; deixa o corredor aberto para a correntes quentes e entradas de ondulação acima da Península, banhando e aquecendo o norte da Europa; o vento Norte, a partir do fim da manhã junta-se ao vento térmico, ou vento local, que é originado pela diferença de temperatura entre a superfície do mar e a superfície da terra e faz com que a sua intensidade aumente e se torne incomportável na areia para se estar como também na água; consequentemente dão também origem a correntes de deriva para sul que nos obrigam a estar permanentemente a remar para chegar ao pico. Enfim, uma trabalheira.

    Sempre que entra a tão famosa Nortada tentamos não reparar para ver se passa o mais rápido possível, tentamos aproveitar bem a manhã que é quando se faz menos sentir ou vamos para lugares onde existem micro climas e tentar disfarçar a sua existência.

    Mas há alturas como a que estamos a viver agora que a Nortada não consegue passar despercebida, porque nunca mais termina e não tem fim à vista.

    Faz-me pensar de como temos uma costa incrível, absolutamente exposta a ondulações todo ano, com vários tipos de recorte de naturezas diferentes e a curtíssimas distâncias, e sim há muita costa disponível e saudável por aproveitar. Mas isto tudo sem a Nortada, sem a presença do Anticiclone dos Açores, sem este vento desconfortável e este frio em pleno verão."

     

     

     

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    Redação
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