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  • É português o sistema informático de apoio ao júri no surf em Tóquio'2020
    20 julho 2021
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  • Chama-se Refresh Technology, o sistema já implementado nas provas da ISA e que agora também estará presente na estreia olímpica do surf.
  • É já na próxima sexta-feira, dia 23 de julho, que vão começar os Jogos Olímpicos de Tóquio'2020, que foram adiados para este ano de 2021 devido à pandemia do novo coronavírus. 

    Entre as novidades para os Jogos da 32ª Olimpíada, destaque para a estreia do surf no programa do maior evento desportivo do mundo.

    Uma competição que será marcada pela participação de três surfistas portugueses: Frederico Morais, Teresa Bonvalot e Yolanda Hopkins.

    Depois de uma longa viagem, as surfistas nacionais aterraram esta terça-feira em solo nipónico na companhia do selecionador nacional David Raimundo e de João Aranha, presidente da Federação Portuguesa de Surf, enquanto Kikas apenas viajará na sexta-feira para a capital do Japão.

    Porém, esta não será a única representação lusa no que diz respeito ao surf em Tóquio'2020. Para além de haver portugueses na comissão médica da prova e no painel de juízes, o sistema informático de apoio ao julgamento da performance dos surfistas é também ele proveniente de Portugal.

    Desta forma, já estão em Tsurigasaki Beach os elementos da empresa aveirense Refresh Technology. Tudo para afinar os últimos pormenores para a competição cujo período de espera vai do dia 25 de julho a 1 de agosto.

    Tecnologia portuguesa

    O Refresh Technology, sistema que tem o mesmo nome da empresa mãe, foi concebido nos idos da década de 90 do século passado, altura em que eram feitas à mão (!) as pontuações dos diferentes campeonatos de desportos de deslize.

    Cientes de que o método utilizado carecia de evolução, esta trata-se da ideia de um grupo de amigos aficionados pelo surf, com ligações à Associação de Surf de Aveiro e à universidade local.

    São eles: Rui Félix, Luís Ferreira, Orlando Duarte e Vasco Ramalheira. A estes juntou-se o precioso contributo informático de Miguel Almeida e António Campos para que a ideia ganhasse forma.

    Antes da chegada ao palco mais grandioso e estar associado a este momento inédito para o surf de competição, o sistema Refresh Technology passou por um longo e sempre exigente tirocínio.

    Inicialmente utilizado dentro de portas, a sua estreia aconteceu em 1995 numa prova internacional de bodyboard na Praia de São de Jacinto, no concelho de Aveiro. Para trás haviam ficado dois anos de desenvolvimento. Uma estreia que na altura foi "elogiada" pela Federação Internacional conta Vasco Ramalheira.

    Depois da estreia, consolidou-se nos eventos nacionais até dar o salto além-fronteiras. "Numa fase inicial viajávamos para as competições, mas depois desenvolvemos um modelo de negócio, através de agentes, que compram o equipamento – nós damos a formação – e depois pagam um ‘fee’”, explica Vasco Ramalheira em entrevistada concedida à publicação 'Olimpo', a revista do Comité Olímpico de Portugal.

    Construído todo um background, segue-se agora a já mencionada honrosa e prestigiante presença nos Jogos Olímpicos. "Em 2019, estivemos em todas as competições da International Surfing Association (ISA). Quando o surf entrou no programa dos Jogos Olímpicos, a ISA deu-nos preferência junto do Comité Olímpico Internacional (COI)", referiu Vasco Ramalheira.

    Ainda antes da chegada da pandemia, ficaram para trás várias viagens ao Japão em 2019. Tudo para testar o sistema e consequentemente merecesse aprovação do COI. "O processo foi longo e houve evolução tecnológica para que o sistema ficasse de acordo com os procedimentos do COI”, disse Vasco Ramalheira.

    O adiamento dos Jogos Olímpicos deixou algumas dúvidas no ar quanto a exequibilidade da competição, mas a verdade é que estamos a poucos dias para que a prova de surf vá para a água e a sistema Refresh seja utilizado neste mega evento.

    Ao longo dos últimos anos, o sistema tem vindo a ser alvo de evoluções. Estas são feitas pelos próprios utilizadores, o que já possibilitou a estes fornecer dados para inserir no broadcast online das competições.

    O sistema Refresh é usado em Espanha, Inglaterra, Irlanda, Itália, Alemanha, Venezuela, Porto Rico, Costa Rica, Chile, Argentina, Peru, bem como nas competições da Associação Europeia e da ISA. 

     

     

     

     

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