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  • Escrever direito por linhas tortas e o “milagre” de Sofia Mulanovich
    07 junho 2021
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    ISA
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  • Campeã mundial em 2019 contou a a improvável ajuda japonesa para terminar qualificada para Tóquio, de forma surreal.
  • Quando chegar a Tóquio para representar o Peru na estreia olímpica do surf, Sofia Mulanovich vai contar com 38 primaveras. Será a surfista mais velha em prova e uma das mais icónicas. E foi depois de muita luta e resiliência que a veterana surfista conseguiu carimbar a passagem para o Japão, numa das histórias mais marcantes e incríveis deste complexo processo de qualificação. Foi campeã mundial sem direito a vaga e esteve quase impedida de defender o título em El Salvador, onde acabou por perder cedo. Mas, no final, quase que por milagre, acabou qualificada para os Jogos Olímpicos.

    Foi no longínquo ano de 2004 que Sofia Mulanovich se tornou na primeira surfista latina a vencer uma prova do circuito mundial, na altura da ASP, e a ser igualmente campeã mundial. Um feito que a colocou num patamar de excelência no desporto peruano e também no surf mundial. Adorada por todos e proclamada de Rainha Sofia, Mulanovich tornou-se numa verdadeira embaixadora do surf no seu país.

    Embora tenha deixado o Tour há oito anos, ainda antes da mudança de ASP para WSL, Sofia Mulanovich nunca deixou de competir, focando-se mais no circuito regional e nas provas internacionais da ISA. Sempre com o sonho olímpico debaixo do olho, enquanto ajudava a preparar a nova geração do surf peruano.

    Em 2019 para espanto de todos foi ultrapassando rondas no Japão, durante o Mundial ISA que serviu de primeira barreira geral de qualificação olímpica. Apesar da veterania, Mulanovich foi avançando sem parar, mesmo tendo pela frente as surfistas de topo do circuito mundial, como a havaiana e campeã mundial da WSL Carissa Moore. No fim, foi Sofia a subir ao lugar mais alto do pódio e a fazer tocar o hino peruano.

    Um feito surreal para Mulanovich, sendo a segunda vez que conseguira o título mundial individual da ISA. Ainda assim, em termos de contas olímpicas, de pouco lhe valeu, uma vez que nesse Mundial existiam vagas em disputa para todos os continentes, exceto para as Américas, que já tinham tido esse evento seletivo através dos Pan-Americanos de 2019, onde a compatriota Daniella Rosas havia segurado uma vaga para o Peru em Tóquio.  

    Apesar do sabor agridoce, Sofia prosseguiu a preparação para o Mundial de 2020, onde teria de repetir a dose e tentar ser uma das top 7 final para, aí sim, carimbar uma vaga. Só que com a chegada da pandemia e com a idade a avançar, tudo se tornou uma incógnita. O Mundial acabou por ser adiado para 2021. E, para complicar a vida a Mulanovich, após mais de um ano sem competições, a Federação peruana decidiu organizar um torneio qualificativo para esta prova.

    Foi aqui que o caldo entornou, com a veterana surfista a ameaçar recorrer à justiça, por não ter tido o direito de defender o título mundial conquistado no Japão e, consequentemente, lutar até à última por uma vaga olímpica. Sofia sentia que não deveria ser obrigada a defender a ida a El Salvador através de um evento eliminatório e, após muita polémica, a Federação acabou por ceder, reservando um dos três lugares femininos da equipa peruana para a lendária surfista.

    Conseguida a vaga em El Salvador, chegava a hora de lutar por Tóquio. Só que Sofia Mulanovich não se conseguiu adaptar às ondas de Sunzal e El Bocana, acabando eliminada precocemente na 3.ª ronda de repescagem. Parecia o fim do sonho para a campeã em título. Até porque o Peru seguia com duas surfistas em boa posição de almejarem as finais. Além de Daniella Rosas, que com a derrota de Mulanovich garantiu automaticamente a ida a Tóquio, em virtude da vaga conquistada nos Pan-Americanos, também Melanie Giunta piscava o olho à qualificação.

    Só que foi aqui que entraram em cena os fatores externos. Desde logo uma pequena ajuda francesa e uruguaia, com Vahine Fierro e Delfina Morosini a eliminarem Giunta já na ronda 6 de repescagem. Abria-se uma pequena esperança para Sofia, embora as probabilidades de qualificação fossem reduzidas. Mas como é que uma surfista já eliminada ainda poderia sonhar com a vaga? A resposta estava não em Tóquio, mas na própria equipa japonesa.

    O facto de a vaga asiática no Mundial de 2019 ter sido conquistada por Shino Matsuda, deixou o Japão com um lugar reservado para Tóquio. Mas como mais nenhuma asiática conseguiu terminar no top 30 nessa prova, dita o regulamento que a vaga de suplente desse continente passe para a surfista melhor classificada no global. Sofia Mulanovich, pois claro, que foi campeã mundial.

    Mais uma réstia de esperança para Mulanovich, embora nada que lhe garantisse a ida a Tóquio. Era agora necessário que Shino Matsuda conquistasse uma vaga neste Mundial ISA de 2021 para libertar essa vaga de 2019 para a veterana surfista peruana. Só que Matsuda também claudicou nas ondas salvadorenhas, caindo na ronda 4 de repescagem, ainda que possivelmente salvaguardada pelo resultado de 2019.

    Fim do sonho para Mulanovich? Não, ainda existia um por cento de possibilidade de ir aos Jogos Olímpicos, sendo agora necessário que as outras duas surfistas japonesas em prova conseguissem terminar dentro das 7 vagas de qualificação deste Mundial, hipotecando, assim, as esperanças da compatriota Shino Matsuda e colocando Sofia dentro das contas. Um cenário nada provável, mas que foi ganhando vida a cada ronda que passava.

    Uffff. Confuso? Sim, como todo o processo de qualificação. Mas continuemos... A queda de Mahina Maeda e Amuro Tsuzuki para as repescagens já na parte final do evento de El Salvador aumentou o suspense neste processo de qualificação. Maeda acabou por conseguir carimbar a vaga rapidamente, deixando tudo nas mãos de Tsuzuki. E foi aqui que o milagre ganhou os contornos finais. Tsuzuki foi eliminada na ronda 8 de repescagem, mas, contas feitas, acabou por ser a surfista que fechou o top 7 de vagas em El Salvador, colocando, dessa forma, Mulanovich em Tóquio.

    Mas há mais. Tsuzuki acabou por sair beneficiada por ter terminado o seu heat na 3.ª posição, com a argentina Lucia Indurain, que também estava na luta, no quarto posto. E no heat seguinte, o facto de a neozelandesa Paige Hareb não ter conseguido melhor que o quarto posto, acabou por determinar o desfecho anterior. Foram 0,72 pontos a impedir que Indurain terminasse à frente de Tsuzuki e 0,46 que não permitiram que Hareb ganhasse essa renhida luta pela última vaga.

    Em casa, certamente que nem a própria Sofia Mulanovich se deu conta de todas estas complexidades da luta por Tóquio. Caso contrário, bem que poderia ter sofrido um colapso de emoção. Mas, no fim, estava qualificada e cumpria a missão a que se propôs nos últimos anos da sua carreira. Um final épico para a Rainha Sofia, que bem pode pagar um sushi às colegas olímpicas do Japão.

    Depois de os deuses peruanos terem dado um empurrão a uma das mais lendárias campeãs deste desporto, será que também haverá um milagre do lado masculino para que o maior embaixador do surf mundial vá a Tóquio? Irá um volte face colocar Kelly Slater nos Jogos Olímpicos? Tem a resposta o joelho de John John Florence…

     

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