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  • Correntes marítimas do Atlântico atingiram o nível mais fraco em 1000 anos
    03 março 2021
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  • Os investigadores admitem que esta situação esteja ligada às alterações climáticas.
  • A corrente do Golfo atingiu o seu nível mais fraco em cerca de 1000 anos, concluiu um estudo científico divulgado na revista 'Nature Geoscience'.

    “Nunca, em mais de 1000 anos a circulação meridional do Atlântico (AMOC), também conhecida como sistema da corrente do Golfo, esteve tão fraca como nas últimas décadas”, indicam as conclusões desta investigação desenvolvida por cientistas da Irlanda, da Grã-Bretanha e da Alemanha.

    O estudo analisou os chamados “dados proxy" de sedimentos oceânicos, da temperatura da água e de testemunhos de gelo com várias centenas de anos e, a partir desta informação, reconstituiu a evolução do fluxo da corrente, chegando a “provas consistentes” de que a sua desaceleração no século XX não tem precedentes no último milénio.

    Os investigadores admitem que esta situação esteja ligada às alterações climáticas, refere ainda o estudo, ao salientar que a circulação atlântica é relevante para os padrões climáticos no continente europeu.

    “O sistema da corrente do Golfo funciona como uma correia de transmissão gigante, transportando água quente da superfície do equador para o Norte e enviando águas profundas e frias de baixa salinidade para o Sul. Move quase 20 milhões de metros cúbicos de água por segundo, quase cem vezes o fluxo do Amazonas”, explica Stefan Rahmstorf, do Instituto de Investigação do Impacto Climático de Potsdam, na Alemanha.

    Segundo o investigador, as conclusões do estudo sugerem que a corrente tenha sido relativamente estável até final do século XIX, mas terá começado a perder intensidade de uma forma mais drástica a partir de meados do século XX.

    O relatório especial de 2019 sobre os oceanos do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) já "tinha identificado que a AMOC enfraqueceu em relação a 1850-1900”, lembra Stefan Rahmstorf, ao salientar que esta nova investigação “fornece mais provas independentes para essa conclusão e coloca-a num contexto paleoclimático de longo prazo”.

    Segundo Levke Caesar, para a Europa, uma desaceleração adicional poderá implicar eventos climáticos mais extremos, como uma mudança nas rotas das tempestades de inverno, que poderão ser mais intensas, assim como o surgimento de ondas de calor extremas ou uma diminuição do nível da chuva no verão.

     

     

     

     

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